Wednesday, May 9th, 2007...11:46
Não sou conservador
Não me revejo no conservadorismo latino, nem me reconheço no anglo-saxónico. Não suspiro com o passado, nem me basta o presente. O futuro é o mais promissor dos tempos, sendo a liberdade o mais alto dos valores. Aquele é uma oportunidade e nunca uma certeza. Por isso, acredito na mudança e não me assusta o desconhecido, quando resultado das opções livres de cada um. Ao contrário dos conservadores, não aprecio a imposição de valores e desconheço o que seja o colectivo. Gosto do meu país, mas prefiro as pessoas que vivem nele. Não receio a chegada de estrangeiros em massa, porque a diversidade leva sempre à riqueza. Acredito no estado que estabelece a ordem e mantém a segurança, mas identifico nele a causa da maioria das guerras. Pode ser um pouco confuso. Dizia Ronald Reagan (por sinal um conservador), que se era verdade não existirem respostas fáceis, elas não deixavam de ser simples. Eu, muito simplesmente, não sou conservador.

18 Comments
May 9th, 2007 at 14:17
Muito bem.
May 9th, 2007 at 15:16
Já agora: o único motivo pelo qual eu não adiro a uma causa liberal é precisamente o seu sempre presente carácter conservador no que diz respeito aos costumes. Como diz o outro, são duas informações que o meu cérebro não processa em simultâneo. No dia em que houver liberais não conservadores na Atlântico, eu compro a revista. Por enquanto, fico-me pelo blog. Obrigado.
May 9th, 2007 at 15:30
Muito bom. Posso discordar, mas grande entrada, André. Eduardo, permita-me informá-lo que o André Abrantes Amaral escreve nesta edição da Atlântico - e que existem outros liberais não conservadores a escrever na versão impressa.
Cumprimentos.
May 9th, 2007 at 15:44
Excelente.
May 9th, 2007 at 16:26
muito bom.
mas gostaria de responder ao eduardo.
tenho para mim que liberais conservadores são uma contradição de termos, porque ser conservador é exactamente o contrário de ser liberal.
reconheço que existem conservadores que se dizem liberais, do mesmo modo que existem ladrões que dizem ser sérios e honesto. no entanto, não quer dizer que o sejam.
May 9th, 2007 at 17:05
Tales, podem ser uma contradição, mas lá que existem, existem. Mesmo teoricamente e tudo. O liberal conservador caracteriza-se em primeiro lugar pelo realismo: não acredita em utopias, mesmo que sejam liberais - e por isso prefere as evoluções e procura evitar as revoluções.
May 9th, 2007 at 17:33
O conservador que eu subscrevo no “liberal conservador” diz respeito ao cepticismo relativamente ao uso imoderado da Razao na Politica. Contudo, apesar desse cepticismo, nao consigo aceitar, pessoalmente, o “refugio” na crenca divina e no direito natural, como muitos fazem liberais conservadores fazem. Essa distincao e’, para mim, fundamental, razao pela qual, sendo um ceptico, logo, tendo uma costela conservadora, prefero a ideia do “liberal classico” ao “liberal conservador”.
May 9th, 2007 at 19:24
Paulo Pinto Mascarenhas, eu não sei o que é ser realista em política. é algo na linha do príncipe de maquiavel? é não ter “ilusões” relativamente a um futuro e a um mundo melhor?
tenho para mim que um conservador é alguém com medo: medo da mudança (seja ele evolutiva ou revolucionária), do desconhecido, do futuro e, sobretudo, da liberdade (por esta permitir a mudança). é por isso que acho este post do andré muito bom.
May 9th, 2007 at 19:28
paulo e tiago,
afinal um conservador é um realista ou um céptico?
May 9th, 2007 at 20:04
Nao ha’ contradicao, caro Tales de Mileto. Um realista e’ sempre um ceptico quanto ‘ natureza humana, nao alimenta ideias do “bom selvagem” e afins. E’ possivel ser-se ceptico sem se ser realista, por exemplo, pode ser-se um ceptico “paranoico”. Um conservador (psiquiatricamente) equilibrado e’ um realista e (portanto, tambem) ceptico.
May 9th, 2007 at 20:17
Tiago, não querendo ser arrogante nem mal educado, devo dizer-lhe que está errado. um céptico é alguém que duvida. e duvida da própria realidade. portanto, um céptico nunca poderá ser um realista.
May 9th, 2007 at 22:00
Caro Tales, parece-me que esta’ a fazer uma interpretacao que e’ contextualmente demasiado literal/redutora, uma vez que estamos no terreno da Politica e nao da Filosofia. Em Politica, nao ha’ qualquer contradicao entre ser-se “realista” e “ceptico”, antes pelo contrario.
May 9th, 2007 at 22:21
Concordo com o Tiago. Tales, um céptico duvida porque é realista: conhece a natureza humana, nomeadamente os limites da crença na razão. Porque duvida tem cautela. O liberal conservador - ou clássico, também não me faz espécie esta designação - não acredita em homens novos nem em sociedade liberais puras. Acredita na liberdade mas aceita que cada um seja livre à sua maneira - e não de acordo com fórmulas pré-concebidas ou dogmáticas. Não tem uma bíblia do liberalismo, nem um representante sagrado, ou um autor único.
May 10th, 2007 at 1:22
Paulo e Tiago, sem querer prolongar a discussão, penso que devem rever os vossos conceitos.
diz o tiago que estou a ser demasiado filosófico e que em política “nao ha’ qualquer contradicao entre ser-se “realista” e “ceptico”, antes pelo contrario”.
e de facto é este o ponto que nos coloca em desacordo.
conceitos como “realismo” e “cepticismo” são conceitos filosóficos, definidos como opostos: um céptico é alguém que duvida porque não tem certeza de nada, nem mesmo da própria realidade. por oposição, um realista é alguém que se pauta pela realidade e que, portanto, está muito longe de a pôr em causa e de duvidar dela (pelo menos no mesmo sentido que o céptico o faz).
ora, pretender como vocês pretendem que, em política, dois conceitos filosoficamente definidos como opostos (e não só, basta pegar num dicionário) sejam sinónimos, parece-me um mau princípio.
e porquê? porque isso é o mesmo que dizer que, em política, um quadrado pode ter 3 lados, o que equivale a afirmar que em política tudo é possível. ora, isso é um mito político que merece ser combatido.
voltando ao início e só para terminar: liberal e conservador é uma coisa que ninguém é. ou uma coisa ou outra. as duas é impossível.
May 10th, 2007 at 1:35
Tales, um livro que lhe recomendo. O título diz tudo:
http://www.amazon.com/Bertrand-Jouvenel-Conserative-Illusions-Modernity/dp/1932236414/ref=pd_bbs_sr_1/102-5654206-5285752?ie=UTF8&s=books&qid=1178728061&sr=8-1
Por outro lado, um texto no Causa Liberal de FCG:
http://www.causaliberal.net/documentosFCG/oakeshott.htm
Cumprimentos.
May 10th, 2007 at 11:23
Bom dia. Exacto, ser liberal e conservador é uma contradição. Então porque é que os liberais (em termos de Estado e economia) portugueses são quase todos conservadores (nos costumes e na Igreja)? Libertem-se da igreja e do conservadorismo quanto aos costumes (ou seja, sejam integralmente liberais e, portanto, coerentes). É o conselho que vos dou (se tivesse valor, vendia-o) para que o liberalismo cresça. Por mim, é o seu principal defeito. É a moral de Sarkosy, por exemplo, acho-a abjecta. Obrigado pela atenção.
May 10th, 2007 at 15:43
paulo, de facto o título diz tudo: “Conserative Liberal & Illusions Of Modernity”.
ou seja, ser liberal e conservador é uma ilusão da modernidade.
eu já lhe tinha dito isso.
abraços.
May 10th, 2007 at 15:51
paulo, só mais uma. no texto do FCG pode ler-se:
“Oakeshott também pode ser considerado liberal, mas pouco tem em comum com os principais defensores do liberalismo. ”
penso que vem ao encontro daquilo que eu estava a defender.
cumprimentos.
Leave a Reply