Tuesday, May 15th, 2007...19:08

Com dedicatória

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Este é de um padre que conheces, Pedro, fui buscar a um belo texto de Sofia Galvão no também belo blogue Geração de 60. Ora lê:

Fátima é sobretudo uma fala ao coração, um estremecimento da alma. Refiro-me a essa coisa rara e que supera todos os apetites de milagres, todas as experiências místicas de que se ufanam outros santuários, essa coisa única que revela Portugal a si mesmo e o que na sua alma existe de inconfundível: a Procissão do Adeus.
(…)
… quando na Cova da Iria irrompe o cântico nostálgico: De Vós me aparto ó Virgem… ó Fátima Adeus… Virgem e Mãe, Adeus… Fátima transforma-se num imenso cais, o cais de todas as lágrimas que os Portugueses verteram nos quatro cantos do mundo, onde andaram sempre a despedir-se sem nunca saberem bem onde era a sua terra. Vasto mundo, mundo nunca nosso e do qual sempre fomos. Quem quiser saber o que é a unidade sentimental do povo português vá à Procissão do Adeus, a Fátima, e veja aquela doce arte de chorar juntos sem nenhum motivo muito evidente: «Acaso sois português, que tanto chorais?» (Lope de Vega).
Frei Bento Domingues, A Religião dos Portugueses, pp. 61-62

Em suma, é como diz a Sofia: Fátima sente-se. Ou não.

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