Wednesday, May 16th, 2007...10:23

Não é Lisboa que está em causa. É Lesboa

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Como é óbvio para todos que dispam a capa do amor à pátria por breves instantes, Lisboa é uma cidade horrível. Não é monumental, não é ordenada, não tem sequer vida nem vitalidade. Lisboa é um sobe e desce de estradas, ruas e vielas, com edifícios a cair, grafittis e posters rasgados colados em paredes e tapumes. No chão, temos a inominável calçada portuguesa, a mais cara, mais facilmente deteriorável e menos eficaz forma de pavimentar o espaço público. Temos autocarros gigantes, meio vazios e com tubos de escape a vomitar fumo por todo o lado. Por todos esses lados há prédios desocupados e a chorar por dono, por vida, por qualquer coisa. Só os portugueses para elogiar bairros como Campo de Ourique, uma mistura de carros mal estacionados com merda de cão e o metro quadrado ao preço de um Rolex. Pelos vistos, a vida de bairro para os lisboetas é um sítio onde se pode fazer o que se quer, parar o carro onde calha e meter o cãozinho a decorar os passeios livremente. Imagino que o que pagaram pelas casas lhes tolde o raciocínio de tal forma que confundam a borracha e chapa dos carros invasores com arte pública.

Esta é Lisboa, mas não está em discussão. O que se discute é Lesboa, a cidade que não existe. Eu não voto em Lisboa, mas jamais votaria num candidato, fosse qual fosse, que diz Lesboa. 

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