Thursday, May 17th, 2007...22:37

Ganda Malha

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After Tamerlane: The Global History of EmpireUm livro notável. Que deveria marcar a agenda, em vez dos Huntington, Fukuyamas, Habermas e demais profetas. Mas como não agrada nem a gregos nem a troianos, vai passar um pouco ao lado.

John Darwin vem engrossar um pelotão de historiadores britânicos (Gavin Menzies, Norman Davies, Christopher Coker e até o louco Niall Ferguson) que assentam a sua narrativa no seguinte: não são contra a essência do Ocidente (valores e regras políticas e morais), mas contestam, de uma maneira ou de outra, o Eurocentrismo (maneira de ver o mundo que coloca o Atlântico Norte no centro do mundo, como único factor de acção e mudança).

O Ocidente tem muito futuro pela frente, mesmo numa situação de equilíbrio com outras regiões. O Eurocentrismo é que já perdeu a validade. E outro ponto notável deste livro: o conceito de ocidente variou ao longo dos últimos séculos. Foi inventado no século XIX “contra” os asiáticos. Continha a Rússia. No XX, reinventou-se contra a Rússia. Hoje, o Japão está dentro do Ocidente. E a Rússia continua fora.

Comprem e traduzam.

PS: os portugueses, no Índico do XVI, funcionavam mais como corsários do que como mercadores. “Ou pagam X, ou as nossas caravelas destroem as vossas rotas”. Cool, ah. Fomos sempre uns mafiosos.

2 Comments

  • No Índico do séc. XVI esses Portugueses funcionavam mais como corsários do que mercadores, sim, corsários com feitorias. Mas observando as outras rotas orientais (que alimentavam o comércio do Índico) assistimos à dinâmica assinalada no anterior comentário. Uns brutos com pólvora e barba que se impuseram enquanto sócios, os transportadores de confiança. Obrigado pela sugestão.

  • Gavin Menzies, historiador? Só pode ser uma piada, meu caro…

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