Friday, May 18th, 2007...2:13
Ainda a dádiva de sangue
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Leia-se este post do Vasco Barreto. Dois reparos ao último parágrafo: (1) certos estereótipos antropológicos podem ser bastante perniciosos para um entendimento desta questão; (2) a fonte fundamental de “democratização” do HIV é/foi o inter-cruzamento entre os diferentes grupos de risco originais e a restante população.

11 Comments
May 18th, 2007 at 12:25
interessantíssimo, tiago. como a maioria das teorias cientifícas sobre a origem do hiv ou pelo menos a sua passagem para os humanos aponta áfrica, se calhar deviam-se excluir todos os africanos da dádiva de sangue. até porque, ainda por cima, toda a gente sabe que áfrica é o continente do mundo onde há mais hiv/sida. transmitido por via heterossexual, claro, mas isso agora não interessa nada.
May 18th, 2007 at 12:57
Fernanda,
Ambos somos contra uma discriminação que não tenha por base motivos técnicos. Para se entender o que é um motivo técnico, neste caso, tem de se perceber o que está em questão na despistagem do HIV e de outras doenças. Pode ser aceitável, a bem da saúde de quem vai receber o sangue, que exista um segundo nível de precaução, que exclua certos tipos de comportamentos. Por exemplo, se viajares para alguns países africanos ou sul-americanos, tens de ficar de “molho” algum tempo. E isto tem que ver com outras doenças que não apenas o HIV. Quanto ao HIV ser transmitido por via heterossexual, já escrevi sobre isso há algum tempo.
“Dados recentes sobre Portugal indicam que 65% de infectados foram-no por via heterossexual, 10% por via homossexual, e 18% por toxicodependência. Cingindo-nos às contaminações por via sexual, obtemos 87% e 13%. Ou seja, 7 em cada 8 infectados por via sexual foram-no hetereossexualmente. Estes valores são muito diferentes dos de há anos atrás, e indicam que o risco médio nas duas populações não difere muito nos dias que correm.”
http://apontamentos7.blogspot.com/2005/12/sida-e-economia.html
E isso, repara, reforça o meu comentário ao texto do Vasco: é preciso é não esquecer os “inter-cruzamentos” entre pessoas que têm comportamentos de risco e que, enfim, em termos estatísticos-sociológicos, são “agrupáveis”, dados esses comportamentos, em “categorias de risco”.
Eu sou, como tu, contra qualquer discriminação com base política. Não digo sequer que a actualmente existente não possa ter um pouco disso. Insurjo-se é contras as reacções que *apenas* atendem à possibilidade de discriminação política sem parece entender que (1) o essencial a proteger é a saúde do doente, não satisfazer um “direito a dar sangue”, que não existe e (2) existem questões técnicas no rastreio de doenças que podem recomendar alguma selecção de dadores.
May 18th, 2007 at 13:08
“já li até sobre este mesmo assunto alguém que fazia uma identificação entre homossexualidade masculina e comportamento de risco — assim, sem mais nem menos.”
Não se isto era para mim ou não. Anyway, esclareço que não fiz uma “identifiação” entre homossexualidade masculina - que é um comportamento individual - e comportamento de risco. Disse apenas isto:
“Portanto, é naturalíssimo que no mundo das vivências homossexuais masculinas exista - em média - maior promiscuidade.”
Isto é uma afirmação estatística. Fala de médias, não fala de CADA indivíduo em particular. É errado falar de “identifição”. No máximo, de “correlação”, mas nem isso eu fiz. Apenas me referi a uma média populacional.
Uma coisa é termos certas posições “políticas”. Outra coisa é ignorarmos alguns factos e outra, ainda, é deturparmos o que os outros dizem.
Imagino que
May 18th, 2007 at 14:42
Tiago,
Quando o tempo me permitir voltarei ao assunto, garanto-te. De qualquer modo aqui ficam, para já, alguns apontamentos.
Sobre as normas para a doação de sangue leia-se a Directiva Europeia, de 2004, que vincula automaticamente os Estados-membros…
http://europa.eu.int/eur-lex/pri/en/oj/dat/2004/l_091/l_09120040330en00250039.pdf
Destaco o ponto mais relevante para a actual discussão:
“Permanent deferral criteria for donnors of allogeneic donations
(…)
Sexual behaviour: Persons whose sexual behaviour puts them at high risk of acquiring severe
infectious diseases that can be transmitted by blood”
Sobre a fiabilidade dos testes…
Transcrevo a resposta dada pelo Ministério da Saúde em 2003 à pergunta “Que passos e testes são aplicados na triagem do risco da doação de sangue contaminado nas instituições hospitalares e qual o seu grau de fiabilidade?”, formulada pela associação ILGA:
“Todos os dadores de sangue são sujeitos a triagem clínica efectuada por médico (obrigatória pela legislação portuguesa). O candidato a dador é questionado claramente sobre os pontos relevantes contidos no guia “Critérios de Selecção de Dadores de Sangue”. Após esta etapa e caso se verifique a elegibilidade do dador para a doação, e realizada esta, a sua dádiva será submetida a um processo de rastreio laboratorial que engloba as análises obrigatórias por legislação portuguesa (HIV1 e 2; HTLVI/II; Anti-HCV; HBs Ag; Anti-HBC; e, ALT), com testes cuja sensibilidade e especificidade ronda os 99%.
Estão em ensaio e a ganhar a natural destreza técnica os profissionais, que vão realizar as novas técnicas de Amplificação de Ácidos Núcleicos (TAN), para completar o painel de análises ao sangue doado, garantindo a este um acréscimo de segurança viral, conforme o actual estado da arte.”
Importa anotar que os referidos TAN passaram a ser utilizados, com consequente aumento da fiabilidade dos resultados: diminuiu a ocorrência de falsos negativos e foi significativamente encurtado o “período de janela”, período de tempo em que os testes não identificam a infecção apesar de esta existir, que atingia os seis meses e que, com este tipo de avaliação laboratorial varia entre uma a duas semanas.
Sobre a epidemiologia do HIV, nomeadamente sobre a infecção humana pelo do HIV 1 e 2, prometo procurar posteriormente, com tempo, fontes simples e adequadas à passagem de informação a leigos na matéria que, naturalmente, não têm obrigação de dominar os aspectos técnicos mas que têm todo o direito a uma informação cientificamente correcta
Algumas questões imediatas…
A homossexualidade masculina é factor predisponente para alguma doença? Qual?
Como se explica a ausência deste tipo de restrição nos candidatos a dadores de medula óssea?
Embora o critério discriminatório “os homens que têm sexo com homens” tenha sido retirado da página do Instituto Português do Sangue (IPS) em 2005, mantém-se nos manuais que já “estão a ser revistos” desde, pelo menos, essa altura. Para quando a publicação da dita revisão?
Qual é a realidade “no terreno”? (Leia-se, a título de exemplo, o texto da Fernanda Câncio “Sangue de homossexuais é ‘bom’ ou ‘mau’ conforme o hospital”, publicado no DN da passada quarta-feira)
Diz a carta que as Panteras Rosa entregaram há dois dias no Ministério da Saúde “(…) na véspera do Dia Mundial Contra a Homofobia - à falta de uma resposta médica séria e perante anos de diálogo de surdos com o IPS, - queremos do ministro da Saúde, a tutela, a única resposta política exigível: a revisão de um critério discriminatório.”
Porque entendo que a actual situação, sendo discriminatória para os homossexuais masculinos portugueses, é ofensiva para mim enquanto cidadã, estive com o movimento Panteras Rosa na João Crisóstomo.
Porque essa forma de discriminação não garante uma melhor qualidade dos produtos armazenados nos bancos de sangue do nosso país e porque, em termos de saúde pública, não só já não faz sentido falar em grupos de riscos como pode mesmo ser prejudicial, concordo com a sua abolição.
Porque a questão primordial, em termos de saúde, é a obrigação de garantir a protecção de quem necessita ser trasnfundido defendo, enquanto médica, que a primeira abordagem ao eventual dador, feito na forma de recolha de dados anamnésticos, seja o mais pragmático possível, não incite à mentira nas respostas e que seja SEMPRE entendido como uma primeira forma de rastreio. Só a testagem de TODO o sangue permite uma maior segurança e qualidade de todos os produtos hemáticos, sangue e seus derivados. Lembram-se do caso dos hemofílicos? Já estão todos mortos! O lote de sangue infectado não veio de um dador homossexual masculino…
May 18th, 2007 at 15:21
“Porque essa forma de discriminação não garante uma melhor qualidade dos produtos armazenados nos bancos de sangue do nosso país e porque, em termos de saúde pública, não só já não faz sentido falar em grupos de riscos como pode mesmo ser prejudicial, concordo com a sua abolição.”
Clap, clap, clap.
Isso é um argumento técnico. Perfeito. Totalmente de acordo. Relê os posts originais do Adolfo ou do João e tenta descobrir, na “ira” deles, onde está a tónica na justificação técnica. Não está.
“Porque a questão primordial, em termos de saúde, é a obrigação de garantir a protecção de quem necessita ser trasnfundido defendo, enquanto médica, que a primeira abordagem ao eventual dador, feito na forma de recolha de dados anamnésticos, seja o mais pragmático possível, não incite à mentira nas respostas e que seja SEMPRE entendido como uma primeira forma de rastreio. Só a testagem de TODO o sangue permite uma maior segurança e qualidade de todos os produtos hemáticos, sangue e seus derivados.”
Totalmente de acordo, novamente.
“Após esta etapa e caso se verifique a elegibilidade do dador para a doação, e realizada esta, a sua dádiva será submetida a um processo de rastreio laboratorial que engloba as análises obrigatórias por legislação portuguesa (HIV1 e 2; HTLVI/II; Anti-HCV; HBs Ag; Anti-HBC; e, ALT), com testes cuja sensibilidade e especificidade ronda os 99%.”
O Ezequiel queria testes “100% eficazes”. O problema quando se discutem questões técnicas é que há muita gente que manda bitaites sem saber do que fala. Não é - obviamente! - o teu caso.
“Importa anotar que os referidos TAN passaram a ser utilizados, com consequente aumento da fiabilidade dos resultados: diminuiu a ocorrência de falsos negativos e foi significativamente encurtado o “período de janela”, período de tempo em que os testes não identificam a infecção apesar de esta existir, que atingia os seis meses e que, com este tipo de avaliação laboratorial varia entre uma a duas semanas.”
Isto é um ponto fundamental. Com um período de janela mais curto, a necessidade de uma “segunda heurística” diminui substancialmente. Nunca disse o contrário. Aliás, a médica que me costuma ver antes de dar sangue é muito simpática e conversamos sobre estas coisas todas. Eu apenas me insurgi contra a reacção “ideológica” que nem sequer conhece factos (mas faz perguntas sobre eles - depois -, sendo possível que use tal informação a posteriori, o que não legitima as opiniões anteriores, naturalmente).
May 18th, 2007 at 15:21
“Sobre a epidemiologia do HIV, nomeadamente sobre a infecção humana pelo do HIV 1 e 2, prometo procurar posteriormente, com tempo, fontes simples e adequadas à passagem de informação a leigos na matéria que, naturalmente, não têm obrigação de dominar os aspectos técnicos mas que têm todo o direito a uma informação cientificamente correcta”
Sobretudo têm obrigação ter acesso a “alguma” informação antes de falarem. Como tu, que és médica, e obviamente sabes mais disto que eu a potes, convém lembrar que o Vasco Barreto é biólogo (salvo erro) e o João Miranda trabalha em biotecnologia. No mínimo, convinha atender às especialidades de cada um quando falamos de certos assuntos. A Fernanda, claro, é especialista em tudo o que é fracturante, portanto também está por dentro do tema, no doubt about it.
“A homossexualidade masculina é factor predisponente para alguma doença? Qual?”
Que eu saiba, não. O ser-se homem predispõe a pessoa a contactos sexuais mais frequentes, logo, é natural/expectável que no mundo dos contactos sexuais entre homens, haja um número médio de parceiros maiores. É uma questão de procura e oferta, nada mais. E não é nada lícito que as coisas não possam mudar. Falo do homem “hoje”, não falo necessariamente num sentido biológico, imutável. As mulheres tem muito mais liberdade sexual hoje que ontem - e ainda bem -, têm muito mais parceiros hoje que ontem, mas, EM MÉDIA, ainda subsiste uma diferença considerável entre o número de parceiros sexuais que um homem e uma mulher têm (isto excluindo as pessoas que são “trabalhadores sexuais”).
“Como se explica a ausência deste tipo de restrição nos candidatos a dadores de medula óssea?”
Bom ponto. Não faço ideia. A política deve ser coerente e ter como linhas mestras (1) proteger a saúde do dador e (2) não fazer qualquer tipo de discriminação que não seja justificada por razões técnicas, nunca político-ideológicas, qualquer que seja o lado para onde penda.
“Embora o critério discriminatório “os homens que têm sexo com homens” tenha sido retirado da página do Instituto Português do Sangue (IPS) em 2005, mantém-se nos manuais que já “estão a ser revistos” desde, pelo menos, essa altura. Para quando a publicação da dita revisão?”
Quanto antes. O que é inegável - espero que concordes - é que há 15 ou 20 anos atrás fazia sentido falar em “grupos de risco”. Hoje já não faz, muito, como disse a Fernanda, porque essa ideia dos “grupos de risco” fez com que outros não se protegessem. MAs muito também - de outra forma a “democratização” do HIV seria mais demorada - pelo “inter-cruzamento” entre pessoas desses diferentes grupos de risco “originais”, nomeadamente, pelos homens que têm/tinham sexo com homens e mulheres. O proliferação do HIV , parece-me a mim, deve muito a isso. As coisas devem ser mudadas, e para essa mudança lutaremos todos juntos! Mas também é preciso perceber o “presente”, à luz do “passado”, ou é certo e sabido que a mudança vai ser feita “porque sim”, com base em muita “ideologia” e menos com base em “factos”, como é desejável no caso (e tendo, obviamente, como permissa base que não deve haver discriminação com base em “ideologias” - isto em si mesmo é uma posição política, claro, ainda que de [possível] neutralidade).
Em suma, o ser ou não discriminatório deve ter por base as taxas de incidências nas suas populações e não um qualquer direito positivo de dar sangue. Acho que aí estamos todos de acordo, novamente.
May 18th, 2007 at 15:28
No fundo, aquilo que eu gostaria de ver era alguma serenidade nisto. Dizer assim:
“Meus senhores, os dados são estes. Hoje em dia já não faz - como fez em tempos, é certo - falar em grupos de risco e, como todos concordamos - concordamos, não é? Claro que concordamos - que não se deve fazer qualquer discriminação motivada por conceitos morais ou políticos, não deve haver qualquer exclusão com base no “tipo” de orientação sexual em causa, mas apenas com base nos “comportamentos” que a pessoa declara ter.”
Em vez disto, aparecem com armas e canhões a gritar “Homofóbicos!” por todo o lado. Eu até concedo que quem fez a actual legislação e muitos dos que a defendem tenham uma pontinha maior ou menor de homofobia. Mas nem todos os que a “tentam compreender, com base em factos” a têm. Eu não sou, seguramente, homofóbico, o Vasco também não. O que irrita é a “ideologização” excessiva de temas que, tendo alguma componente ideológica, só podem ser debatidos de forma séria começando por entender “o que está em causa”, como por exemplo:
(1) a necessidade de salvaguardar a saúde de quem recebe a transfusão;
(2) a falibilidade dos testes;
(3) o “período de janela”;
(4) consequente sobretudo de (3) e de (2), e dada a preocupação (1), a possibilidade de, em circunstâncias especiais (nomeadamente de GRANDE disparidade entre os riscos de diferentes populações), considerar uma exclusão ABSOLUTA de um dos tipos. Por questões de eficiência e eficácia e apenas se houver uma GRANDE disparidade.
É óbvio que tu estás a discutir isto de forma séria (pelo menos neste post). Também é natural que À esquerda haja uma tendência de “ideologização” de todo e qualquer debate. Não fora assim e tínhamos um contra-senso gigante.
May 18th, 2007 at 17:38
tiago, todos os argumentos que usei no glória são técnicos. o que não se pode evitar é que, determinando que não há motivação técnica para excluir os homens que têm sexo com homens, se conclua que a exclusão está baseada no preconceito. e que o preconceito, ou a homofobia, é uma motivaão ideológica.
May 18th, 2007 at 19:16
Fernanda,
Se me permites, so’ erras no horizonte verbal - mas isso faz toda a diferenca. Onde se le:
“o que não se pode evitar é que, determinando que não há motivação técnica para excluir os homens que têm sexo com homens, se conclua que a exclusão está baseada no preconceito.”
Devia ler-se: “se conclua que QUALQUER exclusao FUTURA seja fundada no preconceito”.
O que se passa e’ que o que foi em tempos uma politica justificavel tecnicamente - ou pelo menos nao baseada no preconceito na forma como alguns pretendem - e’ hoje tecnicamente injustificada. Portanto, o que importa e’ dizer que, perante os dados que HOJE temos, a continuidade, no FUTURO, de um certo tipo de opcao de exclusao nao sera’ justificavel tecnicamente, pelo que e’ provavel que sofra de “desvios moralizantes” e/ou “preconceitos” HOJE em dia infundados.
Pretender que o que hoje existe foi SEMPRE resultante de um preconceito e’ que nao me parece aceitavel. O que nao quer dizer que eu nao ache que uma certa homofobia homofobia tem existido em diversos contextos. Mas fazer a ligacao pretensamente logica, sugerindo que a legislacao existente tem por base alguma homofobia (infelizmente) prevalecente na sociedade e’ um salto muito grande. Convem lembrar que o que importa, em primeiro lugar, e’ a saude de quem recebe sangue. Volto a recomendar (como tu), o post do Vasco (ja’ que o do Joao Miranda, apesar de brilhante na exposicao do “problema tecnico” em questao, parece causar-te uma perniciosa urticaria).
May 18th, 2007 at 19:19
PS: so’ para esclarecere que, em materia sexual, acho qualquer ideia de “desvio moralizante” infundada. Contudo, um “preconceito”, no sentido de ser uma ideia preconcebida sobre as caracteristicas de um conjunto de pessoas que partilhem a qualidade X, nao e’ necessariamente infundado, desde logo porque e’ uma materia de “facto”, positiva, e nao normativa, como e’ o caso da afirmacao sobre um suposto “desvio moralizante” (ou “desvio imoral” ou “desvio condenavel eticamente”).
May 18th, 2007 at 19:38
“PS: so’ para esclarecere que, em materia sexual, acho qualquer ideia de “desvio moralizante” infundada.”
Nao “infundada”, mas “criticavel”. Claro que e’ possivel dar imensas razoes “coerentes” e “fortes” para defender certas morais sexuais. Terao a minha critica, estejam elas mais ou menos bem “fundadas”/”justificadas”.
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