Friday, May 18th, 2007...15:23

Dinamização

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O Público de hoje (edição Porto) traz (p. 10) uma notícia, convenientemente ilustrada, com o título “Porto. Homofobia espreita a cada esquina da Baixa”, e outra (p. 14), igualmente ilustrada, intitulada “Tabaco. Fumar deu direito a «multa» na praia de Matosinhos”.  A primeira relata as reacções a dois membros dos “Panteras Rosa” que se beijaram, suponho que com intermitências, da Rua de Santa Catarina até à beira do Hospital de Santo António. Reacções que ilustram muito bem, com a característica ambivalência previsível, a popular fascinação pela homossexualidade: entre “coitadinhos” e “ordinários” (com a variante “filhos da puta”). A segunda descreve o périplo de “cinco mil crianças lideradas pelo seleccionador nacional Luís Filipe Scolari” na praia de Matosinhos, obrigando, com “latinhas na mão”, quem lá estivesse fumando - os “desprevenidos fumadores” - a pagar “sem protestar, as simbólicas coimas de 20 cêntimos”. 

Apenas uma coisa. O jornalismo menorizou os populares no caso dos “Panteras Rosa” – mimetizando a induzida reacção a estes por parte dos populares - e Scolari e os cinco mil monstrinhos ambulantes, saídos de um falanstério de Fourier, e comandados pelo chefe (evito a piada sobre os escuteiros), menorizaram as pessoas que estavam na praia de Matosinhos – e que estavam lá, coitadas, sem terem feito mal a uma mosca. Não há razão, por muita razão que a razão tenha - e, nestes dois casos, tem-na de várias maneiras, descontando a complexidade da coisa -, que se aguente com a menorização dos outros. A dinamização cultural do PREC não se recomenda. 

O único problema verdadeiro nestas coisas – como nas coisas absurdas sobre a religião, que agora se vêem por todo o lado - é a convicção que tudo vai começar hoje e que o que vem de ontem é inexplicável e abstruso. Eu estou, desgraçadamente, um ano mais crescido (47), cada vez mais de ontem, e vou jantar com a Ana ao único bom italiano do Porto. Dinamização culinária.

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