Saturday, May 19th, 2007...2:52

BBC e serviço público

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Não creio na ideia de “isenção absoluta” de quem ou do que quer que seja, mas acredito que é possível distinguir diferentes “gradações” de isenção. O André Azevedo Alves tem publicitado várias fontes que apontam para uma certa “parcialidade” da BBC. É discutível. Não tenho a mesma percepção que o André tem, mas não é isso que pretendo discutir aqui.

Queria apenas frisar que, com todos os defeitos que a BBC possa ter, não creio que o seu grau de isenção possa ser comparável ao que vemos na RTP desde que o PS está no poder. A comparação com o passado imediatamente anterior é gritante. Mais do que isso - que é importante -, lembro também que dificilmente poderemos acusar a BBC de se ter “tabloidizado”. São duas coisas que podemos e devemos separar. A RTP está a bater no fundo por essas duas razões.

Não é nada lícito que em Portugal possa existir um serviço público de televisão de qualidade *e* com relativa isenção. Não existem muitos jornalistas ”descomprometidos”, para não dizer que não existem muitos(profissionalmente) decentes. Cada um tem a sua longa agenda (telefónica) e é sempre mais fácil optar pela continuidade dos almoços e de uma certa promiscuidade cumplicidade do que informar com rigor, doa a quem doer.

De todo o modo, defendo, no mínimo, um canal público de televisão, com publicidade limitada e financiado por impostos gerais ou uma taxa directa. Não é lícito que hoje, por motivos vários, faça sentido ter dois canais públicos. 

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