Saturday, May 26th, 2007...2:05
O povo precisa de conhecê-lo, senhor
Deram-nos a possibilidade de namorar com Santana Lopes antes dum enlance mais duradouro. Foi uma boa coisa. Ir virgem para o casamento é um risco demasiado elevado. Convém saborear a coisa antes de dar o nó.
Ontem foi criado o primeiro think-thank monárquico. Monarquia, ou não, não é questão que me apaixone. Sou menos anti-monarquia que o ícone republicano Manuel Alegre e menos pró-monarquia que o cidadão livre Manuel Alegre. Sei que o statu quo conta muito, senão tudo: é relativamente fácil aderir à monarquia que existe noutros países, mas, quando ela não existe entre nós, há enormes barreiras institucionais e psicológicas à mudança.
Manifestei o meu descontentamento quanto à podridão que se vai instalando à nossa volta - que convida a uma reflexão profunda sobre o nosso quadro institucional. Deixo uma sugestão aos monárquicos: convençam Duarte Pio de Bragança a concorrer às próximas eleições presidenciais. Daqui a 3 anos, contra Cavaco Silva, não daqui a 8 anos. De certeza que Manuel Alegre aceitará ser o seu mandatário, apelando ao sentido de cidadania e de ética pública. Mais uma plataforma apartidária para dar um abanão nisto tudo.
Bem sei que há uma contradição em tal candidatura, mas, primerio, é preciso lembrar que o senhor tem de se dar a conhecer. Não basta ir a casamentos e baptizados. O exercício de funções para as quais se diz preparado e particularmente inspirado tem de ser experienciado e avaliado, antes que os portugueses possam ”aderir” a uma mudança institucional tão grande. Depois, o facto de haver um certo risco de “vexame” numa tal aventura é, ou deve ser, relativamente aceitável face ao sentido de dever e entrega que o senhor diz ter.
Três anos dão para preparar muita coisa. Coragem, rapazolas.

3 Comments
May 26th, 2007 at 21:55
Embora não seja monárquico, julgo que a candidatura de D. Duarte Pio ao cargo de PR seria o fim de uma eventual tentativa de mudança de regime.
Seria efectivamente uma contradição, um “vexame”, e acima de tudo, o aniquilar de qualquer hipótese das pessoas o verem como uma alternativa, para além da republicana. O facto de assumir o cargo, com todas as características inerentes a este, automaticamente tornava-se mais um dispensável na imensa “máquina” republicana.
E por último, embora seja republicano, julgo que existem coisas mais importantes num país, que propriamente a escolha republicana ou monárquica.
May 26th, 2007 at 22:06
Mas, Bruno, as características inerentes ao cargo não seriam assim tão diferentes no caso de termos uma monarquia. Mudava, sobretudo, o modo de escolha, não as competências.
May 26th, 2007 at 22:40
O grande problema é que o senhor estaria a candidatar-se a um cargo, não para ser legitimado para uma mudança de regime, mas sim, para o
ofício por excelência do regime que ele quer mudar.
Se ele considera que este não é melhor sistema para Portugal, não é assumindo o cargo (estando sujeito a uma avaliação, segundo a tua opinião), que vai conseguir provar isso mesmo. É uma contradição.
A escolha, a ser feita, teria que ser necessariamente num referendo. Mas vejamos, se estás a sugerir que ele seja eleito, para depois
convocar um referendo…
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