Thursday, May 31st, 2007...13:49
Contas individualizadas
Um princípio geral: se A é mais responsável por X do que B, A deve ser mais responsabilizável do que B pelo que decorre de X. No caso da saúde, e porque a existência digna de cada um de nós depende muito dela, faz todo o sentido juntar a este princípio uma cláusula contratual de partilha de risco e de alguma entre-ajuda, nomeadamente em caso de catástrofe – para qualquer um – e, de forma geral, aos mais desprotegidos. O que não faz sentido é perder de vista o princípio enunciado.
Começa assim o meu artigo de ontem no Diário Económico, arquivado aqui.
O texto - que é propositadamente provocador - pretende alargar a discussão (que é urgente) sobre o nosso sistema de saúde e sobre a sua forma de financiamento, apresentando uma proposta que, constituindo uma grande ruptura, pode contribuir para encontrar uma solução de compromisso preferível à que actualmente existe e que não é comportável por muito mais tempo.
A ideia chave é que num sistema de contas individualizadas se muda o paradigma actual. Passa a prevalecer o princípio do consumidor-pagador, não deixando de ser garantidos certos serviços a todos, de forma comummente financiada: o rastreio de doenças, as situações de emergência, o acompanhamento médico das crianças - e, possivelmente, outros. Já as situações de internamento e tratamento de doenças seriam vistos segundo a óptica que descrevo no artigo. Seriam pagos consoante o diagnóstico em causa.
O artigo desenvolve uma ideia que sugeri aqui e que, coincidentemente, (sem ironia e, de resto, como é natural acontecer em certos assuntos com quem temos certas afinidades) foi também, um pouco depois, defendida pelo Movimento Liberal Social. O Nuno Mendes (o apelido é outra coincidência) faz uma excelente crítica ao meu artigo neste post, a que respondo parcialmente aqui, em resposta directa aos comentários da SMP e do Vasco Barreto.
Outras leituras sobre o tema: no DE, esta, esta e esta; nos blogues, António Amaral, Bruno Gonçalves e Rodrigo Adão da Fonseca; e o que tem publicado Pedro Pita Barros. Quando tiver tempo conto desenvolver o tema. Comentários por email ou aqui mesmo são bem-vindos.

5 Comments
May 31st, 2007 at 23:01
[…] paragens e portanto um "perigoso" neo-liberal). Num singelo e necessariamente limitado artigo de jornal, Tiago Mendes começa pelo que deverá ser o […]
May 31st, 2007 at 23:11
[…] paragens e portanto um "perigoso" neo-liberal). Num singelo e necessariamente limitado artigo de jornal, Tiago Mendes começa pelo que deverá ser o essencial… […]
June 3rd, 2007 at 10:03
[…] de Saúde" sugiro hoje a minha opinião pessoal sobre a sugestão do Tiago Mendes. Ontem louvei a iniciativa e a sua transparência, adiantei até onde há pontos […]
June 6th, 2007 at 11:31
Tiago Mendes, defendendo um sistema de saúde tipo auto-estrada utilizador-pagador, acaba por resvalar para um comentário acusador, sempre indesejável quando se fala de saúde. É que, quando se julgam os comportamentos dos outros, corre-se sempre um grande risco de errar. Desde logo, porque o fazemos mediante as nossas próprias construções mentais, porque nunca saberemos o que é ’ser o outro com o seu ser e as suas circunstâncias’ e porque não temos o direito de dizer a ninguém o que é certo e o que é errado. […]
June 7th, 2007 at 20:52
[…] e porque não temos o direito de dizer a ninguém o que é certo e o que é errado. O Tiago devolve-nos uma visão medieval da doença em que era encarada como um castigo que acometia os […]
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