Tuesday, June 12th, 2007...1:31

O terrorismo não deve ter honras de Estado

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Petição: TERRORISMO NÃO DEVE TER HONRAS DE ESTADO

A Sua Excelência o
Senhor Presidente
da Assembleia da República

Excelência,

Verificado o cumprimento dos pressupostos legais para o exercício
do direito de petição colectiva, no caso uma representação, vêm
todos os signatários manifestar a sua discordância com a
trasladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão
Nacional, por deliberação da Assembleia a que Vossa Excelência
preside.

Mais vêm manifestar esta discordância de uma forma determinada e
expectante. Determinada e expectante, Senhor Presidente, porque a
Assembleia da República, independentemente de considerações de
natureza cultural, deve atender ao facto, historicamente provado,
de Aquilino Ribeiro ter participado na conspiração para o
assassinato do Chefe de Estado de Portugal, em 1 de Fevereiro de
1908, Sua Majestade El-Rei D. Carlos, e Seu Filho, Sua Alteza Real
o Príncipe Dom Luis Filipe.

A contradição, Excelência, parece-nos díficil de ultrapassar:
considerar herói nacional, propor como exemplo às gerações
vindouras, alguém que participou na preparação de atentados
terroristas e que foi preso por isso mesmo; alguém cujo processo
por participação em atentados bombistas foi levado a tribunal em
13 de Fevereiro de 1908, juntamente com mais dois arguidos; alguém
que depois veio branquear o seu passado e sacudir as mãos à
varanda de Pilatos, confunde-nos o espírito de portugueses e de
ocidentais, defensores da democracia e dos direitos humanos. Com
esta trasladação, a instauração da República fica equiparada ao
acto do regícidio!

Mas, Senhor Presidente, Herói e Assassino são
antónimos. A sua conjunção é uma impossibilidade ética. E, se não
se confirmar a impossiblidade legal daí decorrente, são um
conceito apenas: um equívoco no coração da própria República!
Vossa Excelência, personalidade de elevadíssima idoneidade e
dimensão humana, constitui motivo de certeza para todos estes
portugueses, em número de e de todos os outros que dentro e fora
do território nacional têm o espírito em sobressalto, de que esta
ignomínia ficará pela mera tentativa.

É o País inteiro que atento e grato pela procedência desta
representação, vem assinar e dirigir a Vossa Excelência este grito
muito forte e muito português: Deixem em paz as cinzas de Aquilino
Ribeiro! Deixem que a Posteridade lhe teça os elogios literários
que merecer! Mas não ergam em símbolo de cidadania quem deu provas
de aceitar que os métodos terroristas e o assassinato de um Chefe
de Estado são meios procedentes e legítimos para instaurar ideais
políticos.

Não o coloquem no Panteão Nacional!

13 Comments

  • Pedro Orleans
    June 12th, 2007 at 2:55

    Caro Nacional,

    “confunde-nos o espírito de portugueses e de
    ocidentais, defensores da democracia e dos direitos humanos”

    Certamente confundiria também, muitos dos que jazem no panteão, o nosso espírito democrata e de defesa dos direitos humanos. Investigue melhor e verá que descansam no Panteão outros Heróis que conspiraram e assassinaram. Podem perfeitamente haver Heróis que assassinaram e capazes de actos bem cruéis para lidar com a crueldade oposta à que combatem ou até para imporem a ordem e se afirmarem. Reis e importantes governantes republicanos que conspiraram e utilizaram o Estado para legitimar assassínios sob a capa de justas penas de morte ou investidas militares, também não faltaram.Um herói humano, esses que não existem em filmes e e bandas desenhadas, são, não raras vezes, pessoas com percursos de vida bem controversos. Acho que está a confundir herói com santo, quando na verdade são estes os antónimos. Para os santos é que a margem de tolerância para actos cruéis deve ser nula e mesmo assim não basta. Não conheço suficientemente bem a obra de Aquilino Ribeiro para tomar posição sobre este assunto. O que quero salientar é que temos de avaliar se merece pelos seus atributos literários ser especialissimamente lembrado na nossa história apesar de erros que possa ter cometido. Pelo que conheço parece-me que não, mas deixo esse juízo a especialistas. O que acho tremendamente simplista é afirmar que não deve entrar no Panteão por ter conspirado contra o Rei. Termino, repetindo-me: um herói não é um Santo. E já agora, não fale sem se explicar: o que é para si um herói? E, já agora, quais os atributos dos ainda mais especiais e exclusivos heróis que merecem descansar no panteão?

  • Muito bem!

    Sou de opinião que todas as iniciativas de exercício de cidadania devem ser elogiadas e até mesmo en-corajadas.
    Esta iniciativa não é excepção.

    De facto, ninguém pode ficar indiferente a que se «ergam em símbolo de cidadania quem deu provas
    de aceitar que os métodos terroristas e o assassinato de um Chefe de Estado são meios procedentes e legítimos para instaurar ideais políticos», mais a mais quanto tudo isto são «factos historicamente pro-vados».

    Por isso mesmo, acho que esta iniciativa devia ser encorajada a ir mais longe ainda:

    Devia aproveitar-se esta iniciativa para alargar esta petição a que fosse retirado do Panteão Nacional o antigo Presidente da República Óscar Carmona que, como é sabido e é um «facto historicamente pro-vado» aceitou e implementou uma ditadura e pactuou com as perseguições políticas feitas no seu país como se fossem «meios legítimos para instaurar ideais políticos».

    Devia aproveitar-se esta iniciativa para alargar esta petição a que fosse removida do Panteão Nacional a evocação à memória de Nuno Álvares Pereira (embora ali não esteja sepultado) que, como é sabido e é um «facto historicamente provado», deu provas de «aceitar que os métodos terroristas e o assassinato de um Chefe de Estado são meios procedentes e legítimos para instaurar ideais políticos», quando combateu o D. João I de Castela, a bem dizer o legítimo herdeiro do Trono de Portugal. E ainda que não fosse, lá que o homem era chefe de Estado, lá isso era.

    Devia aproveitar-se esta iniciativa para alargar esta petição a que fosse removida do Panteão Nacional a evocação à memória de Afonso de Albuquerque (embora ali não esteja sepultado) que, como é sabido e é um «facto historicamente provado», deu provas de «aceitar que os métodos terroristas e o assassinato de Chefes de Estado são meios procedentes e legítimos para instaurar ideais políticos», quando comba-teu e derrubou ou tentou derrubar reis e sultões, que, lá por terem vivido em terras mais longínquas como Arzila, Goa, Ormuz, Cochim, Áden, etc., são tão chefes de Estado como outros quaisquer.

    E já que estamos de maré, devia aproveitar-se esta iniciativa para alargar esta petição a que fosse defi-nitivamente proibida qualquer evocação à memória de António de Oliveira Salazar, quer seja sob a forma de museus na sua terra natal, quer sob outra forma qualquer.
    De facto, ninguém pode ficar indiferente a que se «ergam em símbolo de cidadania quem deu provas
    de aceitar que os métodos terroristas e o assassinato são meios procedentes e legítimos para instaurar ideais políticos», mais a mais quanto tudo isto são «factos historicamente provados».

    Muito embora, quanto a Salazar, por muita gente que tenha mandado para o Tarrafal ou para Peniche ou para Caxias, e certo que nunca mandou ou mandou matar um Chefe de Estado.

    Sim porque quando foi assassinado depois de lhe terem perguntado o que faria a Salazar se fosse eleito Presidente da República e ele respondeu «obviamente demito-o!», de facto Humberto Delgado não era Chefe de Estado, era só um simples candidato.

    A não ser que os «simples candidatos» não contem…

  • Caros Pedro e Luís,

    Mas vindo desse fanático opus dei que por sua vontade tínhamos em Portugal um governo fundamentalista católico sob forma monárquica esperavam algo de diferente ?

  • «[Aquilino Ribeiro] foi levado a tribunal em
    13 de Fevereiro de 1908, juntamente com mais dois arguidos».
    Foi condenado? Não sei, mas quase juraria que não foi, caso contrário o intelectualmente honesto autor desta petição não deixaria de deixar bem claro este facto.
    Foi, portanto (iria jurá-lo) absolvido. O que quer dizer que para todos os efeitos tem que ser considerado inocente.
    Ou seja, não foi um bombista!
    E esta, hein?!
    Mesmo que o tivesse sido, vamos ver as coisas como elas são: o que há mais no Panteão Nacional é terroristas. Nos Panteões Nacionais e nos monumentos aos heróis dos outros países passa-se a mesma coisa. Junot lá está no Arco do Triunfo. D. Afonso Henriques foi um terrorista antes e depois de ser coroado. E Gonçalo Mendes da Maia. George Washington foi outro. Joana d’Arc foi outra. D. Miguel e D. Pedro foram outros dois. Wellington, Beresford foram terroristas. D. João IV foi um terrorista muito relutante, mas foi-o - e reinou sobre terroristas.
    «Terrorista» e «herói» são palavras praticamente sinónimas. A única coisa que os distingue é o lado pelo qual combateram ou combatem. O resto é conversa fiada.

  • No Panteão, devia estar a Amália e um lugar já reservado para o Eusébio.
    A ver vamos se ainda se lembravam de lá pôr um costureiro comendado, vá lá a Rita deu lugar à Maria.

  • Um pequeno reparo sobre Humberto Delgado.
    Prece-me haver um certo branqueamento sobre asua actividade política.
    Quer se queir quer não esteve intimamente ligado à política repressiva do Estado Novo.
    É verdade que mais tarde tentou algo como um democracia para Portugal, e devemos estar gratos.
    Mas não é caso para haver reescrição da história.

  • Postas as coisas dessa maneira, é até compreensível que lhe tenham limpo o sarampo, não é?…

  • Quem quer que estivesse contra os Bragança era um herói.

  • Carlos Estanislau
    September 17th, 2007 at 20:43

    Uma vergonha para os Portugueses e para todos aqueles que sabem que a república não chegou lá democraticamente….
    Como são mais espertos os Espanhois… infelizmente são e veja-se o País que têm !
    Eu para ir daqui de Portimão a Lisboa ver o “Panteão” pago uma fortuna de autoestrada. Até Madrid não pago nada. Ando a pensar se não será melhor pôr o meu filho a estudar em Espanha… Infelizmente…
    Carlos Estanislau

  • miguel de sá da bandeira
    September 18th, 2007 at 23:05

    Com que direito?

  • Não sabia que Aquilino tinha participado no atentado ao D. Carlos. Sabia que tinha sido o Buiça e o Costa - que logo ali foram mortos - e que mais dois ou três tinham fugido. Também sei que quem matou o Buiça e o Costa também matou pessoas que nada tinham a ver com aquilo, entre eles um grande e esquecido escritor português que vivia no Brasil e tinha vindo a Portugal estando na altura a passar ali por acaso. (Escritor tão esquecido que nem me lembro agora do nome dele). É claro que para alguns quem mata um rei que tinha feito de Portugal o pais mais atrazado da Europa é um terrorista, e que nome se poderá dar aquem mata inocentes que vão a passar e até mesmo a quem mata quem matou sem lhe fazer um julgamento?
    A propósito: Um homem que mata um rei é um regicida. E um rei que lentamente mata um povo, que nome lhe poderemos dar?
    Ainda bem que fizeram este barulho todo sobre o Aquilino. Ainda mais o fiquei a admirar!
    Viva Aquilino!!!
    Abaixo os Reis de Todo o Mundo!!!
    A mim a Monarquia mete-me nojo!!!
    Guilherme Leite

  • A cumplicidade de Aquilino está provada. A ilegalidade de uma republica criminosa e assassina também é visível e demonstrável por A+B.

    Site do Centenário do Regicídio:

    http://www.regicidio.org

    Tudo factos relevantes e material por vezes chocante, de como se subverteu o Estado de Direito em Portugal e se implantou uma república pela força, com 14 deputados republicanos no parlamento, eleitos 37 dias antes do golpe de estado do 5 de Outubro de 1910.

    A república portuguesa é ilegítima, nascida num banho de sangue.

  • Falam em sangue, e que tal falar nas sucessivas gerações de portugueses abandonados à sua mercê, à pobreza de um país corrompido, atrasado, domininado pela ditadura de João Franco, à total ausencia de direitos básicos como a educação. Um país em que o futuro de cada homem se determina pelo nascimento e não pelo mérito. Sim, Aquilino foi e será sempre um herói e do povo. Viva a República.

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