Thursday, June 21st, 2007...12:35

Academiconomicismos

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Há dias vi-me relativamente impotente para convencer uma amiga que a economia académica é um caso muito particular dentro da academia, para não dizer único. Corporativismo, mediocridade e estupidez existem um pouco por todo o lado. Não é isso. É uma certa forma de alienação, combinada com arrogância, quase sempre fruto de ignorância, que não se compreende. (A alienação do bom matemático e a arrogância do bom filósofo compreendem-se bem mais facilmente). O problema principal reside na sobranceria com que muitos economistas falam sobre ”The Way the World Is” - como explica John Kay neste texto sobre Rorty (via João Pinto e Castro). 

What mattered to him was not the search for what is true, but the search for what works. The test of a model, a way of thinking or a theory is not truth but usefulness.

Many of Rorty’s philosophical critics claimed he was attacking a straw man, arguing that no one really believes they know, or might know “The Way the World Is”. But I have met people who believe they know “The Way the World Is”, in executive suites, on trading floors and in investment banks. I know consultants who are employed to report on “The Way the World Is”. To be sure, there is an element of pragmatism in their approach. What better demonstration of their insight into “The Way the World Is” than their exalted positions and extravagant bonuses?

The academic search for truth, for scientific rather than commercial knowledge of “The Way the World Is”, has different motives. The modern economist is driven by physics-envy.

Esta é a chave do problema. A Economia - enquanto ciência - deve imenso à matematização que começou a sofrer nos anos 40-50, largamente consequência da enxurrada de físicos e matemáticos que se dedicavam a problemas antigos e sobretudo novos - como a Teoria dos Jogos - no campo da Economia. A beleza formal da Matemática e a forma relativamente expedita com que com ela se obtinham resultados “limpinhos” apaixonava qualquer mente brilhante. Uma conhecida anedota reza assim:

 ”If you are a good economist, a virtuous economist, you are reborn as a physicist. But if you are an evil, wicked economist, you are reborn as a sociologist.”

O lado negro da excessiva matematização da Economia não é difícil de adivinhar: o homem não se rege por princípios mecânicos e imutáveis (mas eu, por acaso, lembro-me de uma ou outra excepção assim de cabeça, mas não estou seguro que se trata mesmo de um “humano”); o seu comportamento é demasiado complexo para que qualquer ciência, isoladamente, possa dizer, com alguma autoridade, ter descoberto minimamente “The Way the World Is”. É bastante triste ver muitos economistas (e não só) terem essa pretensão. E não estou a falar de conversas de café sobre o défice público ou a descida dos impostos. Estou a falar de coisas um pouco acima disso: de como os economistas ”entendem” e “explicam” o comportamento humano, nas mais variadas circunstâncias. 

Sempre me inclinei para mudar as coisas por dentro. Assim como prefiro criticar muita coisa com que não concordo na “direita liberal” em Portugal, também continuo, céptico e crítico na Economia. Até ver. Mas acreditem que a economia académica é não só especial, como tem traços de comportamento que configuram uma perturbação psiquiátrica.  

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