Sunday, July 22nd, 2007...2:41

Um grande “se”, mas

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se nos esquecermos, por um momento, que nada pode mover-se mais rápido que a luz, é ou não verdade que para se ser mais rápido que a própria sombra “basta” mover-se a uma velocidade maior do que a da luz?

15 Comments

  • É relativo.
    Por exemplo: “Se” a nossa sombra estiver projectada num plano situado a anos luz de nós, só se moverá anos depois de nos termos movimentado.

  • excelente resposta a uma questão tão pertinente.

    Quem é que o Tiago Mendes gostaria de ver a anos-luz?

  • Caro David,

    Não quero ver ninguém a anos-luz, não percebo de onde tira essa ideia, mas ok. A pergunta era mesmo teórica e penso que a resposta acima dada não é suficiente, porque eu pergunto o que aconteceria “se” um objecto se movesse a uma velocidade superior à da luz, e (está implícito) a sombra fosse projectada num plano muito próximo do objecto.

  • “é ou não verdade que para se ser mais rápido que a própria sombra “basta” mover-se a uma velocidade maior do que a da luz?”

    Não é preciso tanto - nós somos sempre mais rápidos que a nossa sombra: se eu me levantar da cadeira, a minha sombra só se vai levantar uma fracção de segundo mais tarde (a sombra só seria tão rápida como nós se a velocidade da luz fosse infinita).

  • Tiago, não me leve a mal… que não houve essa intenção.
    E a pergunta era apenas uma brincadeira. Já eu tenho uma lista de pessoas que veria de bom grado a anos-luz.
    E quanto à questão inicial, talvez o Miguel tenha esclarecido o assunto.

    Mas isto fez-me lembrar algo debatido entree teólogos islâmicos: “Se estivesse no Sol, como saberia para onde me virar à hora da oração?” Como se a resposta “para a Terra” não fosse suficiente!

  • Ok, David.

    O Miguel vê sempre mais longe. Tem toda a razão.

  • Para falar a verdade, acho que é um bocado mais complicado, porque não é claro o que quer dizer “mais rápido que a própria sombra”: se um corredor estiver a correr a 50 Kms/hora, “ser mais rápido que a sombra” significa “acabar a corrida antes da sombra” (é o que acontece sempre), “cruzar a meta antes da sombra” (depende da hora do dia e da direcção da corrida) ou “a sombra correr a menos de 50 Kms/hora” (depende de uma imensidão de factores - nem sei bem se a cabeça da sombra corre à mesma velocidade que os pés)?

  • Um exemplo:

    16.00 - Lucky Luke joga a mão à pistola
    16.00 e 2 milésimos de segundo - a sombra de LL joga a mão à sobra da pistola
    16.00 e 1 segundo - LL dispara
    16.00, 1 segundo e 1 milésimo - a sombra dispara

    quem foi mais rápido, LL ou a sombra?

  • Óptimas perguntas, Miguel. Sábio é aquele que sabe colocar as perguntas certas (leia-se, interessantes), não necessariamente as respostas certas (leia-se, temporariamente aceitáveis).

    O conceito é dúbio. Parte da inspiração para o post vinha daí: o que é isso - num sentido literal, claro, o metafórico é óbvio - de se “ser mais rápido que a própria sombra”?

    Como a sombra “aparece” sempre depois da acção, o que eu tinha em mente é uma acção que começa e acaba “antes” que a sombra apareça. Nesse sentido - e vagamente - apelava ao conceito de a própria acção ser mais rápida que a luz: tão rápida que terminaria antes que a informação viajasse no espaço e se projectasse na sombra.

    Na verdade, a inspiração disto (ao contrário do que julgou, sem má intenção, David Silva) era muito simples: em vários filmes do Bruce Lee, o realizador teve de pedir que alguns golpes fossem desferidos mais lentamente, porque a velocidade era tanta que a câmara não captava o momento.

  • Ah, mas nesse caso temos “apenas” a limitação da tecnologia e do olho humano. Não é preciso ir ao ponto da velocidade da luz…

    Mas é este tipo de questão que faz uma “conversa de café” agradável. Pela minha parte, pelo menos.

    Os meus cumprimentos

  • No caso do filme a coisa é fácil de entender, claro… apenas parti daí para uma deambulação um pouco mais vasta e assumidamente irreflectida. É também o tipo de questão que me agrada (”preferência revelada”, diria a minha costela de economista). De acordo, portanto. Cumps,

  • “apelava ao conceito de a própria acção ser mais rápida que a luz: tão rápida que terminaria antes que a informação viajasse no espaço e se projectasse na sombra.”

    Então aí depende de duas coisas: a distancia que o objecto (p.ex. o braço de Bruce Lee) percorre durante a acção, e a distancia entre o objecto e a sombra. Se essas duas distancias forem iguais, a acção têm que ser mais rápida que a luz. Se a distancia entre o objecto e a sombra for o dobra da distancia percorrida pelo objecto, penso que basta ser mais rápido que metade da velocidade da luz.

  • Julgo que sim, Miguel, que a relação é inversamente proporcional, uma vez que o tempo para percorrer uma distância - seja a da “acção” ou a da sua projecção na sombra - é sempre a velocidade a dividir pela distância percorrida.

  • A aritmética gripou, foi?

    v=d/t (velocidade = distância/tempo “distância a dividir pelo tempo”)

    Ou seja: Tempo é igual a distância a dividir por velocidade. Dito de outra forma: Distância é igual a velocidade vezes tempo

    O oposto, velocidade a dividir pela distância, seria seria 1/tempo (é o mesmo que tempo levantado a -1)… o que não deixa de ser um conceito curioso…

  • “Tempo é igual a distância a dividir por velocidade.”

    Claro… obrigado por corrigir o lapso.

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