Tuesday, July 24th, 2007...12:21
Pussycat e a felicidade
A felicidade é uma cabra dada ao aleatório. Aparece quando lhe apetece. Fazemos programas para sermos felizes. Viagens. Carros. Coisas. Luxos imbecis. A felicidade não se programa; não se aponta no calendário. “ai, entre 15 e 30 de agosto vou ali ser feliz”. Esqueçam. Ela aparece quando lhe apetece. É como a gata da minha (ex-)vizinha Laurinda. A pussycat (don’t ask) tinha dias que não aparecia. Dias, quer dizer, semanas. Mas quando aparecia a Laurinda sorria como uma imbecil. E a felicidade tem qualquer coisa de imbecil. Daquela imbecilidade de quem é atropelado por um camião, de quem é controlado por algo que é impossível controlar.
Ontem fui feliz porque mudei uma lâmpada. Ela apareceu quando estava a mudar uma lâmpada.
Não estou a dizer que os deprimidos devem começar agora a mudar lâmpadas como receita alternativa ao valium. Estou apenas a dizer que ninguém é feliz. Ela, a pussycat, é que aparece. Sem avisar.
Caríssimos membros da brigada valium, a vossa depressão é profundamente idiota. É idiota porque parte do pressuposto que podemos controlar a felicidade. Não controlamos. Por isso deixem-se de merdas e just do it. E já agora podem ajudar-me a mudar o resto das lâmpadas? É que tenho medo de voltar a feliz quando mudar a próxima.

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