Friday, August 3rd, 2007...14:33

A chatice da Democracia

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1. É pena que os blogs estejam a ditar o rumo da oposição. Que tenha reparado PP e PSD (pela voz do líder!!!) cavalgam a onda da dispensa da directora do Museu de Arte Antiga. Fazem mal.

2. Pelos vistos em Portugal, para blogs e para a oposição, qualquer dispensa de serviços motivada por desacordo com as linhas orientadoras das cúpulas é uma infâmia. Gostava que me explicassem como é que se pode liderar quando quem não quer ser liderado se transforma em herói. Como VPV lembra hoje no Público, não é a directora do museu quem deve prescrever a política do Ministério.

3. O respeito pelas hierarquias, a solidariedade com quem nos paga, ou a simples deposição da nossa confiança nos líderes é indispensável que qualquer empresa ou qualquer organização progrida. Mas não é automático que os nossos chefes sejam competentes. Eles são chefes, ou estão chefes. Se aceitamos estar na organização, devemos reconhecê-los como tal. Os chefes não prestam? Então, vamos à nossa vida.
Neste caso é pior. É a nossa falta de cultura democrática que motiva este circo em torno da dispensa da directora do museu que até abriu telejornais.

 4. A democracia não implica o governo dos melhores, mas o governo dos eleitos. O PS ganhou as eleições e desde que governe em legalidade democrática, pode dispensar os directores de museus que entender. O PS, que ganhou as eleições, não está obrigado a ser competente, mas apenas a seguir as regras. Dispensar um funcionário com mandato quando este critica à boca cheia as políticas dos eleitos cabe neste cumprimento das regras.

5. Como se calcula, é irrelevante a questão de quem é mais competente, se a directora se a ministra. Trazer o argumento da competência para cargos de nomeação política é não perceber as engrenagens das democracias. A competência na gestão de museus (ou de outra organização pública qualquer) só seria relevante se Portugal fosse governado por uma aristocracia.

6. Em democracia, a competência é um luxo. Um luxo que se torna mais comum quando há oposições e sociedades civis (desculpem usar a expressão) mais fortes. A ministra foi incompetente em destituir a directora? Talvez. Mas a ministra foi ministra. Não gostamos? Faltam dois anos para as eleições.

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