Wednesday, August 8th, 2007...17:19

Protejam as criancinhas

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Ainda sobre as “criancinhas” na parada gay, escreve o João Galamba:

1) Se o objectivo destas parades é a sensibilização social para certas formas de humilhação, incluir crianças pode fazer todo o sentido. E faz sentido, sobretudo, porque continua a existir o mito de que as crianças são assexuadas - a imagem de crianças gay só pode ser uma criação diabólica do já mítico lobby. Podemos defender que as crianças devem viver em ambientes tendencialmente assexuados (uma impossibilidade?); agora, fingir que, por participarem em determinadas marchas, as crianças estão a ser expostas a uma realidade que desconhecem, ou que não lhes diz respeito, é viver num mundo de fantasia - e de cegueira.

2) O post do Carlos e a reacção histérica que revela desautorizam qualquer juízo que os pais daquelas crianças possam ter feito em relação à participação dos seus filhos na dita parade. Não interessa se existem histórias particulares de crianças humilhadas, ou coisa que o valha. A primeira coisa que lhe vem à cabeça (ver o comentário do carlos ao post do Tiago Mendes) é malta de cabedal e poses obscenas. Ora isto diz mais do Carlos e dos seus preconceitos do que da parade.

3 Comments

  • “A primeira coisa que lhe vem à cabeça (ver o comentário do carlos ao post do Tiago Mendes) é malta de cabedal e poses obscenas.”

    Isto é mais um exemplo do tipo de desonestidade intelectual que o João Galamba não se cansa de mostrar e tu de publicitar. Não se deixa perceber pelo post que o meu preconceito a que se refere o JG é para com as paradas gay e não os homossexuais. Curiosamente aponta em mim um preconceito para com os desfiles gay, que tal como a generalidade das pessoas, tu também aparentas ter, como referes em baixo:

    “(…)Haver jovens que participam em manifestações destas (cujo formato, diga-se, geralmente não me parece o mais produtivo nem me agrada especialmente)(…)”

  • […] Quem o diz são as mulheres e os homens. Não sei se as criancinhas foram ouvidas. […]

  • Carlos,

    Acho que fazes duas confusões.

    Primeiro, o João não se refere ao teu post original, mas ao comentário que fazes ao meu post e à forma como te “vem à mente”, se me permites a expressão, a ideia dos gays do cabedal e afins. Não se vê qualquer preocupação tua em atender ao facto de teres um jovem que possa querer fazer-se ouvir e contribuir para uma sociedade mais tolerante. A reacção primeira traz à baila os gays do cabedal.

    Segundo, em não tenho “preconceitos” contra as paradas gays nem reajo a elas pavlovianamente (não digo que tu o faças, mas às vezes não distas muito disso). Não acho que sejam sempre produtivas, acredito que há formas melhores de contribuir para que algo mude. Aliás, aquilo que venho escrevendo sobre o assunto é, na sua pequenez, a minha contribuição para essa mudança de mentalidades e de formas de aceitação de modos de vida diversos no espaço público. Também posso achar uma ou outra coisa esteticamente mais agradável ou menos desagradável. A distância entre isto e um preconceito é muito grande, até porque eu, discordando de algumas coisas, “entendo” (ou acho que entendo, pelo menos tento entender) o porquê de certas escolhas com as quais nem sempre concordo, enquanto outros reagem de forma mais ou menos automática - quer contra, quer a favor.

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