Tuesday, August 14th, 2007...12:21

Vive la Fête

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Vai seu uma festa! Cada vez que for mandado para pela policia vou passar a fazer uma visitinha ao hospital. Garantido. Porquê? Porque sofrendo de uma perturbação de ansiedade, vulgo, “Ataques de Pânico”, que se não forem controlados por um medicamentozinho diário chamado – no meu caso – Dumyrox, um antidepressivo, me tornariam agorafóbico e sendo portador de tatuagens visíveis, é mais que certo que a cada Operação Stop lá me vai ser solicitada a dose de saliva para o teste, dá positivo e, conforme o Sr. Simões, Secretário de Estado, terei que me dirigir (como? com quem? onde é que deixo o carro?) a um hospital para ver “avaliado” por um médico.

Para ajudar à festa, acresce que se este médico não for psiquiatra ou psicanalista, é muito provável que pense que estou “na tanga” (um gajo com tatuagens não sofre de ataques de pânico, é “drógado”) e a festa vai meter foguetes, porque multa eu não pago (felizmente não tenho Multibanco pelo que por muito que insistam, pagamento na hora não pode mesmo ser – cidadão previdente).

Depois, após ter-me juntado aos outros que como eu vão ajudar a entupir os hospitais, é ir juntar-me aos que como eu vão entupir os tribunais.

À cautela, talvez não seja má ideia passar por Santa Maria e pedir a quem de direito uma “declaração de padecimento de perturbação de ansiedade, vulgo Ataques de Pânico” e respectiva medicação associada. Assim à laia de declaração de demência, para não destoar do país.

3 Comments

  • Ana Matos Pires
    August 14th, 2007 at 13:17

    Caro Arcebispo,

    Corrija lá um pequeno, mas importante, lapso, pf. O Dumyrox (Fluvoxamina) é um antidepressivo, com efeitos “anti-pânico”, e não um ansiolítico.

  • Ana Matos Pires
    August 15th, 2007 at 11:16

    Caro Arcebispo,

    Muito mais importante que o seu engano de ontem é o que acabei de ler no Público de hoje. Já agora aproveito para dizer que os antidepressivos não são testáveis, tanto quanto informa o jornal - “O Oratect III tem gravadas seis siglas: AM (anfetaminas); CO (cocaína e metabolitos); TH (canabinóides); ME (metanfetaminas); OP (opiáceos); e BZ (benzodiazepinas).

    “O secretário de Estado da Protecção Civil, Ascenso Simões, recusou comentar as situações específicas que pudessem envolver tranquilizantes. “Depende dos fármacos, das quantidades e de muitos factores”, disse ao PÚBLICO. Antes, em declarações à TSF, o governante tinha admitido “ilibar” os condutores sob o efeito de benzodiazepinas munidos de prescrição médica”.
    Público de 15/8/2007

    Isto é que não se pode dizer! Não se pode dizer uma coisa a um orgão de comunicação e outra a outro, nem que depende dos fármacos - de entre todas as substâncias testáveis, só as BZD’s pertencem ao chamado grupo dos “tranquilizantes”, de resto uma nomenclatura que, farmacologicamente, nem sequer é correcta. As BZD’s podem ter efeitos ansiolíticos, miorrelaxantes, anti-convulsivantes e indutores do sono. Numa classificação dos anos sessenta, se a memória não me falha, chamavam-se “tranquilizantes minor”, por oposição aos neurolépticos, p. ex., considerados “tranquilizantes major”. Tal nomenclatura, feita com base na acção sedativa dos fármacos, foi abandonada porque se desenvolveram inúmeras moléculas dessa classe farmacológica cujo perfil sedativo é quase inexistente.

    Não conheço o teste que vai ser usado, vou procurar, mas há questões farmacológicas relevantes, nomeadamente, qual a concentração salivar de BZD’s que positiva o teste, que reacções farmacológicas cruzadas podem determinar falsos positivos…

  • Cara Ana,

    Acresce a tudo isto a polémica ocorrida em Inglaterra aquando da tentativa de implementação do mesmo teste pelo alegado facto - não sei se correcto - de que os vestigios de algumas substâncias, no caso que me lembro eram mencionados os canabinóides, permanecerem detectáveis no teste - e consequentes análises à urina - por um periodo de 2 semanas após o seu consumo, o que altera - a ser verdade - as “regras do jogo”.

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