Friday, August 17th, 2007...17:27
Assimetrias
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No dicionário dos seguidores de Arroja, ‘fracturante’, ‘politicamente correcto’, ‘intelectualmente desonesto’ ou ‘grosseiro’ são epítetos exclusivamente reservados ao inimigo - os ‘perigosos progressistas’. Arroja, convertido em Grande Educador, é ‘politicamente incorrecto’, é um ‘iconoclasta’.

15 Comments
August 17th, 2007 at 17:47
Estranho que tanta gente tenha depositado tanto entusiasmo numa pessoa que se dedica a especulações do género “terão Hume e Adam Smith sido amantes?”. Está visto que também os liberais têm o seu Santana Lopes.
August 17th, 2007 at 17:57
O que importa e’ que essa “tese” - que com certeza sera’ “confirmada” dentro em breve, com um “como EU suspeitava” ou algo do genero, desde que comece por “EU” - contribuira’ crucialmente para a Conclusao Final de Arroja. O caminho para la’ chegar e’ o menos. Quando se “investiga” fixado numa conclusao, acontecem coisas destas, como passar da hipotese de Hume e Smith terem tido algum tipo de relacionamento amoroso para a ideia de que foram um “lobby” gay. Se isto nao e’ misturar tudo o que nao pode ser misturado…
August 17th, 2007 at 18:05
Não estará ele a gozar, Tiago, só pode ser? O pior é que assim ninguém o leva a sério. Eu, pelo menos, há muito que o deixei de ter em consideração. Mas dá algum mau nome ao liberalismo, isso dá.
August 17th, 2007 at 18:17
Da’ algum mau nome, concordo, mas tambem acho que Arroja vai ultrapassando tantos limites (bom gosto, honestidade intelectual, etc.) que mesmo esse mau nome vai desaparecendo ‘a medida que as novas “teses” - e sobretudo o “modo” Arroja constroi essas teses - vao sendo reveladas.
August 17th, 2007 at 18:23
Não adianta chamar nomes ao Arroja. Ele vai descridibilizando-se por si mesmo.
August 17th, 2007 at 18:23
Não Paulo, não está a gozar.
Tiago,
eu ao ler aquele texto pensei que o mesmo raciocínio poderia ser feito para um outro lobby ainda mais antigo: Cristo e seus apóstolos.
Eram treze homens viçosos. Tornaram-se amigos íntimos. Os que eram solteiros, solteiros continuaram para sempre. Os que eram casados abandonaram a esposas para seguirem o seu novo caminho. Formaram uma teia de cumplicidades e, de quando em quando, de traições. Traição de morte, à boa maneira dos crimes passionais de todas as épocas.
August 17th, 2007 at 18:28
Luis,
Tu nao digas uma coisa dessas. Estas sequer a por em causa que a fraternidade entre tantos e tantos devotos cristaos pudesse - dois que fossem, va’ - ter um pingo de homoeroticidade? Daqui a pouco ainda falas da hierarquia da Igreja e dos casos conhecidos de homossexualidade.
Ah, mas eles nao foram pensadores assim tao importantes, de pendor liberal, ligados (ou “ligaveis”, ‘a boa maneira Arrojiana) a outro lobby particularmente querido de Pedro Arroja.
Tarzan: tem razao, mas ‘as vezes e’ dificil ficar calado.
August 17th, 2007 at 19:27
eu ao ler aquele texto pensei que o mesmo raciocínio poderia ser feito para um outro lobby ainda mais antigo: Cristo e seus apóstolos.
Eram treze homens viçosos. Tornaram-se amigos íntimos. Os que eram solteiros, solteiros continuaram para sempre. Os que eram casados abandonaram a esposas para seguirem o seu novo caminho. Formaram uma teia de cumplicidades e, de quando em quando, de traições. Traição de morte, à boa maneira dos crimes passionais de todas as épocas. - LA-C
Isto sim, é fracturante.:) E daria um excelente post satírico, LA-C.:)
August 17th, 2007 at 19:29
-Pedro Arroja por este andar ainda vai acabar no PS ou mais à esquerda, depois de estar contra o Euro, de achar que a desvalorização da moeda era uma medida positiva a que o ministro das finanças poderia recorrer quando necessário, não sei se o classifico de liberal… só se for uma espécie de liberalismo de esquerda! Tudo o resto, não me espanta.
August 17th, 2007 at 19:47
Caro Antonio Almeida,
Mais importante que as opinioes politicas e economicas para a categorizacao que propoe e’ o modo como se le a sociedade e a realidade ‘a nossa volta. De resto, mesmo que Arroja, a par das suas posicoes meta-politicas, defendesse algum tipo de intervencionismo economico, repare que, infelizmente, sempre tivemos uma direita com essas bandeiras. Portanto, nao vejo qualquer dificuldade em ve-lo, no contexto portugues, independentemente do que defenda economicamente, ‘a direita.
August 17th, 2007 at 20:06
Acho sempre interessantes estas referências genéricas, tipo uns e outros. Pedro Arroja é de facto uma personalidade sui generis, sempre o foi, e nunca quis ser nada diferente daquilo que é. Outra coisa é que haja quem se possa ter iludido sobre o seu posicionamento (o que nunca foi o meu caso). Não deixa de ser uma pessoa inteligente por isso, com o seu lugar que é muito seu. Pergunto, Tiago, quem são os tais seguidores de Arroja, que utilizam as expressões que colocas entre aspas? É que da maneira que escreves o teu texto parece um panfleto marxista contrra os burgueses e capitalistas em geral.
August 17th, 2007 at 20:15
Rodrigo, nao me iludi com o seu pensamento nem ponho em causa (como poderia?) que Pedro Arroja tem uma personalidade sui generis. Quanto a “nunca querer ser nada diferente daquilo que e’”, nao o conheco o suficiente para comentar. Que e’ inteligente e’ inegavel, nunca pus isso em causa. E que tem o seu lugar, bem especial, tambem. Quanto aos seguidores de Arroja, tens muitos. A Zazie, por exemplo (e tao facil que foi conquista-la com um elogio nos comentarios).
Arroja e’ tao fracturante (uso a palavra num sentido descritivo apenas) que nao acho excessivo falar em criticos e seguidores. E’ dificil encontrar um meio termo. So’ por isso e’ que nao vejo um excesso de “generalizacao” no uso da palavra “seguidores”, mas de outro modo (noutro contexto, perante uma personagem menos abissalmente fracturante, como Arroja e’ - e repito que isso nao e’, para mim, criticavel por si so, apenas registo um facto) concordaria plenamente contigo acerca do tique marxista.
August 17th, 2007 at 21:01
Tiago, discordo em geral com o engavetamento, mas neste caso ainda mais. Dou-te o meu exemplo. Eu gosto do estilo, aprecio a atitude, a liberdade com que escreve sem recear rótulos, sem seguidismos, sem necessidade de se encaixar em grupos. Quase que me poderiam chamar um seguidor. Com um problema: tendo a discordar com muito do que ele diz. Também posso ser um crítico. E a maior parte dos textos que leio, nem posso dizer se concordo ou discordo.Simplesmente dão um tremendo prazer a ler, são divertidos, como foi o caso desse do lobby gay.
Penso que foram levantadas demasiadas expectativas em relação ao Pedro Arroja, como se ele fosse trazer consigo os mandamentos do liberalismo. Pedro Arroja era liberal quando chocava sê-lo, e ele foi o melhor de todos. Hoje choca ser politicamente incorrecto e ele consegue sê-lo melhor do que ninguém. Da mesma forma que muitas das suas liberalidades deixaram de ser ridículas com o tempo, também algum do seu politicamente incorrecto deixará de o ser. Quanto ao resto, acho que a história já nos ensinou a nunca ridicularizar os pensadores livres. Mesmo que em maioria, arriscamo-nos a estar no lado errado.
August 17th, 2007 at 23:36
“Pedro Arroja é de facto uma personalidade sui generis (…). Não deixa de ser uma pessoa inteligente por isso, com o seu lugar que é muito seu.” Obrigada Rodrigo, acho que diz tudo, ou quase tudo, sobre o personagem. O Carlos também dá uma ajuda “E a maior parte dos textos que leio, nem posso dizer se concordo ou discordo.”. Lembrei-me de um dizer da minha adolescência “o gajo tem queda, não tem é espaço para cair”… pois. Se não fosse grave, era capaz de ter graça.
August 18th, 2007 at 4:52
Hoje choca ser politicamente incorrecto e ele consegue sê-lo melhor do que ninguém. Da mesma forma que muitas das suas liberalidades deixaram de ser ridículas com o tempo, também algum do seu politicamente incorrecto deixará de o ser. - Carlos
Caro Carlos,
Acho que vês o ser-se politicamente incorrecto como uma virtude. Não é: as ideias são boas ou más, ponto final; não são boas, porque politicamente incorrectas ou porque incomodam as pessoas que gostamos de incomodar. Parece-me que esse tem sido um erro crasso da direita e, quem sabe se por arrasto, de muitos liberais: pensarem que têm de ser arrivistas, que têm de chocar o burguês através da defesa de ideias simplesmente erradas só porque desafiam o senso comum. Isso sim, é um traço típico da esquerda mais idiota (Maio de 68, hippies, etc…) que os liberais tudo deviam fazer para não imitar.
Mais: ser-se polémico por causa de um post sobre as tendências sexuais do Adam Smith ou sobre a estupidez que é haver um museu dos Judeus em Berlim não é ser-se um bom polemista; é querer apenas chamar a atenção pelas piores razões.
Um abraço,
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