Tuesday, August 21st, 2007...14:48

O português ao volante é infalível

Jump to Comments

“Ninguém com cabeça discute a necessidade de impor limites [de velocidade dentro das cidades], mas é indispensável que tenham tino”, escreve João Miguel Tavares hoje no DN. Ok. Resta saber o que é ”ter tino” nesta questão. Diz JMT que ”se é para obrigar a andar a 50 em autênticas auto-estradas mais valia não ter inventado o automóvel”, mas parece-me que uma melhor conclusão seria “…então assuma-se que foi um erro construí-las e no futuro pense-se melhor sobre o que queremos de uma cidade”. Eduardo Pitta explica.  

4 Comments

  • O Eduardo Pitta refere zonas que contrariam o que diz o JMT. Mas há outras - troços entre cruz quebrada e alcântara, e a recta que vai do lux à expo- onde os radares são absurdos: é simplesmente impossível andar a cinquenta sem uma grande ginástica automobilistica.

  • A Av. Infante D. Henrique, a Av. do Brasil e a Av. da India, entre algumas outras, sao avenidas excepcionais, porque esta em zonas de muito pouca circulacao. As duas ultimas so’ sao atravessaveis atraves de pontes pedonais. As auto-estradas “dentro” das cidades e’ que fazem pouco sentido. Temos uma cidade onde os carros tem um papel exagerado, e a segunda citacao que faco de JMT ilustra como ele parte, a meu ver, de uma premissa (no caso, apresentada como conclusao de um argumento) errada.

  • O problema é que JMT (e muitos automobilistas portugueses) identifica toda e qualquer rua que tenha duas faixas em cada sentido como sendo uma auto-estrada.

    Ora, uma rua que tem duas faixas em cada sentido pode ser isso mesmo: uma rua. Com pessoas que vivem e andam ao lado dela e que, ocasionalmente, podem precisar de a atravessar.

    Infelizmente, para muitos automobilistas portugueses, os peões não contam. Trata-se de seres primitivos e pobres, que não têm dinheiro para comprar um automóvel, ou então que têm o mau-gosto de não utilizarem o automóvel que têm. Seres desprezíveis e sem valor.

    No universo mental dos automobilistas portugueses, só contam os outros automobilistas. Logo, se uma rua tem duas faixas em cada sentido, ela é uma auto-estrada. O facto de haver peões que frequentam essa rua é perfeitamente irrelevante, tal como os próprios peões o são.

  • Sou o autor da Petição Online que está a ponto de recolher 7.000 assinaturas contra os radares de Lisboa (ver em http://radares50-80.blogspot.com ).

    Ao contrário do que diz Luís Lavoura são os automobilistas que sofrem todo o tipo de acusações e os únicos a quem se pede que cumpram as regras (além de suportarem uma carga fiscal brutal).

    As visões fundamentalistas têm levado os homens às maiores aberrações e aos maiores crimes.
    Quando alguém começa pensar que sabe o suficiente para classificar a generalidade dos cidadãos de irresponsaveis já estamos a ir por mau caminho.

    Realmente os fundamentalistas do trânsito consideram os automobilistas como potenciais criminosos ou, na melhor das hipoteses, como cidadãos de segunda.

    As regras de comportamento só se aplicam aos automobilistas. O peões podem saltar para o meio da estrada quando muito bem lhes apetecer, ignorar as passadeiras de atravessamento, deixar as crianças brincar nas auto-estradas, etc, etc.

    Ainda os hei-ver ver a propor o “acesso livre” às auto-estradas e às pistas do aeroporto na base de um qualquer “direito universal”, porque não ?
    Os aviões que aguentem ou então levantem mais devagarinho.

    Os devaneios infantis de quem sonha com uma sociedade utópica, com todos montados em bicicletas, são um direito que lhes assiste.
    O que não têm é o direito de os impôr à sociedade pela força, como em Silves, ao som de “morte aos transgénicos”.

Leave a Reply

eXTReMe Tracker