Tuesday, August 28th, 2007...11:53
Eu gosto deste Mário

Tenho observado a recente cruzada anti-Mário Crespo que, suspeito, ainda está agora a começar. Parece que existe uma tendência recente defendendo que o papel de entrevistador serve apenas para fazer perguntas a que o entrevistado responderá como lhe apetecer. No fundo, o que se sugere, é que o entrevistador seja uma espécie de autómato que serve apenas como um debitador de frases programadas.
Mário Crespo tem – na opinião de alguns – um terrível defeito: gosta que lhe respondam às perguntas que faz e não às que o entrevistado gostaria que lhe fizessem. Além disso acha-se investido do direito – e muito bem – de pôr em causa afirmações que no seu entender são, no mínimo, controversas, como por exemplo a comparação entre um acto criminoso e uma fiscalização da ASAE. Julgarão os cruzados anti-Crespo que este tipo de afirmações não devem ser contraditadas? Ou preferirão as entrevistas do tipo Clara Ferreira Alves em que Mário Soares afirma conhecer um estudo americano em que se advoga o extermínio das populações do Sul e em que esta jornalista nem sequer lhe pergunta onde se pode encontrar tal estudo? Onde estavam estes paladinos do jornalismo sem cérebro quando Mário Crespo, por exemplo, foi insultado por Valentim Loureiro quando aquele exigiu que lhe respondessem a uma pergunta?

23 Comments
August 28th, 2007 at 12:34
Criticar Mário Crespo não é o mesmo que desqualificar Mário Crespo. Eu tendo a gostar das suas entrevistas, mas considero que as de Louçã e do Gualter Batista não lhe correram muito bem. Foi demasiado opinativo - o que não é o contrário de um entrevistador passivo ou dócil - e manipulou de forma descarada os entrevistados. Nem anjo nem diabom, pedia-se apenas que ele não se limitasse a confirmar os seus preconceitos. Acho que isso é o mínimo que se pede numa conversa: que ela não se limite a confirmar um ponto de vista .
August 28th, 2007 at 12:35
Caro Pedro Marques Lopes,
a sua reacção já estava prevista, não surpreendeu. Ao contrário de Mário Crespo na “entrevista” em questão, fez o Pedro Marqes Lopes o que lhe competia.
É evidente que dar-lhe troco aqui é desnecessário e irrelevante.
Conhecendo Mário Crespo há duas décadas, não tenho de calar as críticas que lhe possa fazer — e tenho feito raras, porque ele é um bom profissional.
Ontem, Crespo não fez perguntas para ser respondido. E por diversas vezes fez as perguntas que o seu interlocutor quis que ele lhe fizesse, a pedido. Crespo estava mal preparado, não conduziu bem a entrevista, acabou — francamente — por baixo. Muito longe desse Mário Crespo a que alude e que tão bem conhecemos.
Termino informando-o, e aos seu leitores, que não sou paladino do jornalismo nem, de resto, de qualquer outra causa.
August 28th, 2007 at 12:36
Vai-me desculpar, mas este post é demagogia pura. Diz-se: «Parece que existe uma tendência recente defendendo que o papel de entrevistador serve apenas para fazer perguntas a que o entrevistado responderá como lhe apetecer. No fundo, o que se sugere, é que o entrevistador seja uma espécie de autómato que serve apenas como um debitador de frases programadas.». Pois, está a funcionar em erro sobre os pressupostos. O que alguns como eu querem é que o entrevistador faça todas a as perguntas relevantes para o conhecimento da matéria noticiosa, inclusivamente, as mais difíceis. (As perguntas formuladas são, quando se tem essa capacidade - e são poucos os que a têm, a forma mais astuta de sugestionar a contradição da tese defendida pelo entrevistado). Não se quer um entrevistador atávico, mas o que eu não gosto mesmo é de um entrevistador que vira centro das atenções. Não é esse o papel do jornalista de informação - é, com certeza, o papel do comentador. Mas o Mário Crespo não está na SICn nessa condição.
August 28th, 2007 at 12:56
Caro Paulo Querido,
Habituei-me de há muito tempo a esta parte a respeitar a sua opinião apesar de, claro está, nem sempre concordar consigo.
Neste caso concreto, posso entender que você pense que Mário Crespo estivesse mal preparado, não discuto isso. Mais, admito, como é evidente, que nem todas as entrevistas lhe corram bem. Não me parece que seja, porém, o caso da referida entrevista.
O que me parece surpreendente é que das várias entrevistas que correram mal - o que é normal - a Mário Crespo, sejam as duas últimas as que mais criticas suscitaram. Melhor, para ser franco não me espanta assim tanto. No caso concreto da feita a Louça a razão é transparente: a falta de hábito desse dirigente partidário em ser confrontado com perguntas incómodas ou da sua incapacidade de responder a perguntas que lhe são desagradáveis.
Cumprimentos
Pedro Marques Lopes
August 28th, 2007 at 13:04
[…] precisamente o que nenhum de nós desejava. Sem referir uma única passagem da entrevista em causa, Marques Lopes faz perguntas descabidas, como onde estava eu no dia 30 de Fevereiro às 25:75 horas. Vale a sensatez dos […]
August 28th, 2007 at 13:05
[…] “criticar Mário Crespo não é o mesmo que desqualificar Mário Crespo” (João Galamba aqui), ou fazem o “exercício de imaginar Mário Crespo a entrevistar nestes termos o Presidente […]
August 28th, 2007 at 13:05
Não me revejo numa cruzada contra Mário Crespo e esse Mário Crespo que descreve é aquele que, como já disse, ao longo do tempo aprendi a respeitar e até esboçar satisfação pelo seu estilo. No entanto o que se colocou em causa noutros blogs (e pessoalmente não poderei pronunciar muito pois não tive oportunidade de ver a entrevista, a SIC terá disponibilizado no SAPO Video?) foi , segundo percebi, por ter sido a antítese do que descreve.
No entanto aplaudo a forma como escreve a sua crítica, apesar de achar demasiado floreada com alusões a paladinos, inexistentes.
Jornalismo sem cérebro… infelizmente não existe, antes existisse, antes um jornalismo sem cérebro que um jornalismo “unicerebral”, o do editor/dono.
August 28th, 2007 at 13:08
http://pequenaloja.blogspot.com/2007/08/entrevistas-encrespadas.html
August 28th, 2007 at 18:14
Opinar sobre algo que não se viu… é de facto tremendamente elucidativo sobre a base da qual partimos para criticar e analisar o que quer que seja.
Sinceramente Mário Crespo de uma forma simples, directa, frontal e despudorada mostrou que a televisão, a televisão de qualidade, não é um local para vacuidades e brincadeiras, não deixou que Gualter Batista vertesse o discurso preparado e contribuiu para esclarecer o embuste à volta daqueles incidentes.
O entrevistado devia ter pensado, ou ter sido melhor aconselhado, sobre o que ia lá fazer… e obviamente o que ia lá fazer não era discutir o problema dos trangénicos, já que para isso a SIC se iria recorrer de verdadeiros especialistas credenciados de ambos os lados da discussão. Gualter Baptista estava lá para discutir quem era ele, a organização da qual ele ‘apenas’ é porta-voz e os acontecimentos em que esteve envolvido.
Logo Mário Crespo não estava mal preparado, alias, estava muito bem preparado e fez um excelente serviço ao não ser complacente com palhaçadas e confrontando o entrevistado.
O entrevistado foi humilhado? Sim, o descrédito foi tão grande que esse foi realmente o resultado daquela entrevista. Mas não é Mário Crespo que humilha Gualter Batista, é este ultimo que o faz sozinho. Disto mesmo é corolário o momento final em que Gualter não reconhece as palavras que o próprio escreveu na sua tese… Claramente o presidente da Somague não passaria por isto!
A presunção, o descaramento e a falta de vergonha na cara quase tornaram aquela entrevista sofrível de assistir. A ideia mais próxima que me surgiu, foi a memoria de amigos cabulas na faculdade que nas orais perante as pergunta até benevolentes do corpo de professores montavam um triste e degradante espectáculo que ninguém enganava. No final eram alvo da risota geral, mas eram eles que promoviam e se prestavam àquela humilhação.
Da minha parte, graças a este momento de jornalismo, fiquei melhor esclarecido sobre quem é Gualter Batista e os Verde Eufémia. E foi Mário Crespo que contribuiu para isso.
August 28th, 2007 at 19:15
Ninguém opinou sobre algo que não viu (e daqui penso que sou o único que não vi), pessoalmente opinei sobre o que li noutros blogs.
Aliás, nesses outros blogs (i.e.: Certamente Que Sim) ou neste não será capaz de ler da minha parte uma palavra de crítica a Mário Crespo*, apenas sobre algo que sinto que acontece vezes demais e que julgo que em parte estava presente na entrada do blog acima referido (apesar de não ter sido essa a intenção do autor segundo depois percebi): os jornalistas opinarem quando devem informar e fazê-lo como se estivessem a informar, veiculando pontos de vista, não factos, e não poucas vezes parecerem relações públicas dos mais variados partidos/grupos económicos (varrendo o espectro político sem excepção).
* muito pelo contrário, elogio a forma como normalmente conduz as entrevistas e faço isso sim uma comparação entre as duas análises
August 28th, 2007 at 21:49
Mario Crespo fez o óbvio: manteve o foco na questão da invasão de propriedade, na legalidade do fato e suas ligãções políticas.
Os entrevistados é que queriam falar de transgênicos… já agora: o que o Louça entende disso?
August 28th, 2007 at 21:50
opss! ligações
August 28th, 2007 at 21:58
Completamente de acordo.
CAA
August 28th, 2007 at 23:37
Se há coisa que o Mário Crespo ontem não estava era mal informado. Se há coisa que Mário Crespo ontem não fez foram perguntas para não ser respondido.
Estava muitíssimo bem informado e as perguntas que fez não tiveram resposta porque não tem resposta. As únicas respostas foram mentiras e tentaivas de manobras de dispersão.
Isso é que irrita todos os que se manifestam conra a entrevista.
A entrevista foi muito boa e Crespo fez o que devia fazer. Colocou o entrevistado perante pergunats concretas e exactas, para as quais pura e simplesmente não havia resposta.
August 28th, 2007 at 23:45
-Só falta o Miguel Portas aparecer no jornal das 9 para o massacre ficar completo. Por agora Mário Crespo 2 Esquerda caviar 0. Os melhores momentos foram obrigar Louçã a condenar a bardinagem e lembrar ao Gualter umas ideias que parece que o rapaz já esqueceu. Bem haja Mário Crespo!
August 29th, 2007 at 0:38
Excelente Post. O Bloco de Esquerda não está habituado a ser questionado nestes termos. Já sabemos que há perguntas incómodas, mas a função dos jornalistas é fazê-las e colocar em evidência algumas contradicções dos entrevistados. Infelizmente, em Portugal, os jornalistas gostam de ser simpáticos.
August 29th, 2007 at 7:13
Pior que Valentim Loureiro só mesmo Mário Crespo naquela famosa entrevista em formato converseta de café (disponível no youtube) . Mário Crespo imbecilmente a dada altura na entrevista resolve mandar bitaites jurídicos e confrontar Valentim a propósito da constituição de assistente em processo penal. Um jornalista com a suposta craveira de Crespo devia saber não ir por aí por ser uma questão demasiado técnica para alí ser equacionada. Essa entrevista foi uma supresa. Porque pela primeira vez ouvi o Valentim dizer alguma coisa acertada quando chamou surdo, ignorante e leviano ao Mário Crespo.
August 29th, 2007 at 7:19
Mas não é a primeira vez que o Mário Crespo pretende baixar o nível ao da converseta de café. Aquela fantástica e certamente muito profissional fleuma e tom de voz inquisitivo e ponderado, escondem muita da menoridade intelectual do jornalista. É um excelente pivot, sem dúvida, mas não mais do que isso. Desde que o texto seja previamente bem preparado, o Crespo é fantástico a ler aquilo e é um prazer ouvi-lo.
August 29th, 2007 at 18:52
Um verdadeiro oásis na carneirada, certamente castrada, que vagueia pelas televisões e afins, sempre pronta a lamber as botas aos poderosos entrevistados.
Quem não se lembra da excelente entrevista de Mário Crespo ao M. M. Carrilho, aquando do seu livro sobre a conspiração, ou será cabala?, de que foi vítima?
Houvesse mais uns crespos destes e pop star da esquerda moderna não se ofereceriam tanto para aparecer na tv.
August 30th, 2007 at 0:44
O Jornal das 9 é uma lufada de ar fresco, uma doce para um final de dia, temperado por uma forma muito peculiar de fazer jornalismo.
Mário Crespo, com todos os defeitos que possa ter, é um excelente jornalista e o Jornal das 9 é uma pedrada no charco no meio de telejornais cinzentos ou meramente sensacionalistas dos outros canais.
August 30th, 2007 at 15:34
O vídeo dessa entrevista acaba de ser publicado, pelos próprios.
August 30th, 2007 at 17:18
Num país em que os jornalistas (aqueles que são licenciados…) são fiés discípulos do Dr. Rosas, saídos da FCSH da Nova, sem capacidade crítica que a inexistência de consciência (e conhecimento) da História os condena, sem lhes causar remorsos, ver o Mário Crespo a entrevistar o cidadão Gualter (futuro Ph. D. a ser pago pela FCT com o dinheiro dos nossos impostos) faz-me ter alguma esperança de que ainda existam seres pensantes no jornalismo português.
Claro que os ataques vêm dos «democratas» da esquerda trostkysta. E algo é vê-los aí a alardear pelo excesso de tutela penal da propriedade alheia…afinal, para trostkysta que se preze, a propriedade privada nem existe, devend, muito menos, ser objecto de tutela penal…
Há, contudo, que constatar que esta malta não vai além de 4% nas eleições. Para quem os ouve, até parece que têm 40%.
September 1st, 2007 at 4:06
Definição de ironia: ver bloguistas de direita a defender um jornalista de esquerda!!!
Conclusão: Mário Crespo está prestes a entrar no reino dos céus. Qualquer dia até vai recolher fundos à Somague… E dá-los ao Jacinto Leite Capelo Rego.
Força Mário! Estás quase lá!
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