Wednesday, August 29th, 2007...11:12

Todos contra o ‘capitalismo selvagem’

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Diz o Daniel Oliveira

(…) Depois da falência do comunismo e da crise da social-democracia, a agenda ecologista é das poucas com capacidade de mobilização transversal e de alargamento de influência que a esquerda transporta. Sobretudo entre os jovens. O sucesso (exagerado) do documentário de Al Gore é prova disso mesmo. Mais: nos países desenvolvidos os argumentos ecológicos são, na prática, dos poucos que conseguem ser maioritários no “main stream” e que simultaneamente põem em causa o capitalismo selvagem (…)

As razões ecológicas deveriam ser suficientes para justificar a sua defesa. Infelizmente para os valores ambientais, a esquerda vê na promoção da causa verde a melhor arma de arremesso contra o seu adversário imaginário, que atinge foros de fixação patológica: o combate ao ‘capitalismo selvagem.

Quando é sabido que, a partir de certo nível, quanto maior o desenvolvimento económico, maior será a consciência ambiental (a correlação não é linear, pois há excepções, mas quase), a esquerda, no século XXI, vê na ecologia a via verde para o socialismo. O debate está desvirtuado. Em vez de assumir uma atitude realista - saber como os mercados podem contribuir para a melhoria das condições de produção - são-nos diariamente arremessados chavões sobre multinacionais que visam o demoníaco lucro em sacrifício do ambiente, e acenados medos, ameaças difusas que, como defendia o Gualter Baptista na SIC-N, só o futuro permitirá avaliar. 

Os valores ecologistas na mão da extrema-esquerda não conduzem a humanidade a lado nenhum. Ninguém vai prescindir, v.g., de andar de carro, por mais que os Zés deste mundo fechem as ruas ao trânsito e promovam o cicloturismo urbano, e isso renda alguns votos. Na hora da verdade, mesmo a maioria dos que votam em prol destas iniciativas, não prescindem do seu modo de vida. A própria esquerda irá berrar, alto e a bom som, se as fábricas de automóveis começarem a fechar as portas, por crises na procura. Mas todos ficaremos mais satisfeitos se, em concorrência, os consumidores exigirem viaturas híbridas a um preço competitivo, e a indústria se organizar para oferecer carros menos poluentes (como já acontece em larga escala, veja-se a evolução neste plano, ocorrida nos últimos quinze anos).

Por isso, a promoção dos valores ambientais passa, também, por combater o eco-fanatismo anti-capitalista, que não acolhe o apoio da população, ao contrário do que é a convicção do Daniel. Porque podem aplaudir filmes como o do Al Gore, que é sabido, vende bem, pois acalma as consciências, em vez de as despertar; o que é fundamental é avançar para condições de mercado que abram o leque de escolhas dos consumidores. A solução está no mercado, a chave é o capitalismo. Atacá-los não vai ajudar o ambiente.

2 Comments

  • A sua frase “Quando é sabido que, a partir de certo nível, quanto maior o desenvolvimento económico, maior será a consciência ambiental” lembrou-me uma professora de aerobica que conheci num bar…

    “é sabido”?! Por quem?!

    Lembrei-me da minha amiga, professora de aerobica, a dizer-me que “toda a gente sabia que os nativos do Escorpião eram…” (já não me lembro o quê).

    Tentar ler estas coisas é como tentar jogar tenis sem rede, nem riscos no chão…

  • Caro Filipe Castro,
    Acha que a frase não é verdadeira?
    Experimente viajar pelos países em vias de desenvolvimento, e avaliar a qualidade ambiental, v.g., das suas maiores metrópoles, e compare-as com as do primeiro mundo.

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