Tuesday, September 4th, 2007...21:00

Olá, boa noite, eu gosto do Pacheco Pereira

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Ao contrário da maioria dos meus colegas – aqui no blogue da Atlântico ou acolá no 31 da Armada- eu gosto do Pacheco Pereira (perdoar-me-ão o coloquial “do” ao invés do formal “de”). Mas há em Pacheco Pereira uma espécie de estupidez latente sempre que ele regurgita o seu nojo e o seu ódio de estimação em relação aos putativos blogues e simpatizantes do Paulinho e do seu partido (ou, de forma mais abrangente, da direita «chique» e «popular»). O asco que Pacheco Pereira tem de Paulo Portas tolda-lhe o bom senso e coloca-o num perene exercício de má-fé, desconcertante e feio. Mas é a isso que assistimos: na hora do ataque, Pacheco Pereira cega e embrutece de forma pouco edificante e acima de tudo nada elegante. Os insultos gratuitos – velados ou não – dirigidos à suposta «canalha» seguidista do PP - partido e persona – vão contra a sua imagem de «homem sério» e delapidam o capital de respeito intelectual que sempre nutri por ele. É um facto que, ao contrário dele, eu não sou nada e poucos (estou ao ser optimista) se importarão com o que penso. E Pacheco Pereira estar-se-á certamente nas tintas para a minha verbosa opinião.

Ainda que para uma pequena paróquia, insisto: a forma como Pacheco Pereira põe no mesmo saco toda e qualquer criatura que escreve neste ou naquele blogue, ou nesta ou naquela revista que ele elegeu como vulgares e canídeas «vozes do dono», não passa de falta de respeito e de desonestidade intelectual. Há por aqui e por outros poisos gente que nada tem que ver com o PP e o Paulo Portas e o Telmo Correia e o raio que os parta (e mesmo que tivessem, merecem respeito), mas, ainda assim, para Pacheco Pereira fazem parte da mesmíssima corja, com a mesmíssima «agenda», defendendo os mesmíssimos «interesses» e odiando-o a ele como se odeia o pior inimigo. Trata-se de um tipo de desonestidade que se vislumbra à distância, por exemplo, em Jorge Coelho e não era suposto sentir-se em Pacheco Pereira. Um tipo de ataque injusto, cegamente generalista e puerilmente desleal que era suposto estar erradicado do modus operandi de Pacheco Pereira - homem de letras, racional, inteligente, um pouco deslumbrado e assombrado mas quase sempre senhor de bom senso. Contudo, não está. Estranha e desgraçadamente, digo eu.

14 Comments

  • Pacheco Pereira tem outro ódio de estimação o BE.
    E gosta imenso do PCP, tal como ele é.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    September 4th, 2007 at 22:42

    Excelente, CCC. Mas a verdade é que não se pode dizer que a maioria dos colaboradores deste blogue não goste do JPP. Eu, por exemplo, gosto quase sempre de o ler, salvo quando escreve sobre o CDS/PP, o futebol e as férias dos outros - três dos seus ódios cegos. Simplesmente porque, de facto, perde qualquer vestígio de objectividade ou racionalidade. De resto, quanto à forma como escreve sobre alguns de nós, acho que eleger um inimigo, mesmo sem qualquer motivo plausível, é um dos resquícios da educação ideológica marxista-leninista que recebeu quando era jovem. Nada mais.

  • Tendo acompanhado, sempre com algum distanciamento, o “caso da demissão de Dalila Rodrigues”, foi com o maior interesse e atenção que li, no passado Sábado, a resposta da Prof. Dalila Rodrigues ao artigo de opinião do Director do Museu Nacional de Arqueologia, publicado no “Público” de 25 de Agosto. No entanto, porque praticamente nada é esclarecido, mantendo-se um discurso confuso, ambíguo, bem construído, é certo, mas nada acrescentando ou clarificando em relação às acusações (graves, algumas, mas muito bem fundamentadas e muito claras) que lhe são feitas pelo Prof. Luís Raposo, desiludido fiquei.
    Insistindo na defesa de uma autonomia cujos contornos fundamentais ainda ninguém entendeu, a Prof. Dalila Rodrigues acaba por cair, uma vez mais, num tom pacóvio e (desnecessariamente) ridículo, com a exibição daquelas incompreensíveis fotografias, cujo objectivo e efeito prático por certo, ninguém entenderá.
    Mas o que mais me tem preocupado neste “debate”(?) é a triste constatação, uma vez mais, que o domínio do provincianismo e do sucesso pessoal (no social) se sobrepõem, claramente, à vida de instituições cuja missão e prestigio devia estar, sempre, afastada e abrigada destes dois males endémicos que corroem a sociedade portuguesa há longos anos.
    Não pondo em causa algumas competências da Prof. Dalila Rodrigues, nem sequer entrando na querela dos números de visitantes, que dou de barato, penso que o que inquinou toda esta história, desde o seu inicio, tem a ver, exclusivamente, com dois factos, para mim cada vez mais evidentes: a construção de um projecto de ascensão, promoção e poder pessoal e o deslumbramento provinciano da Prof. Dalila Rodrigues.
    Não gostando de misturas nestas e noutras questões (sou, a este respeito, assumidamente elitista), reconheço não ser fácil o caminho dos arredores rurais de Viseu e da vetusta Universidade de Coimbra (sei bem do que falo, fui lá professor 14 anos…), até ao urbaníssimo Frágil Lux, às tias da Lapa e ao estrelato (rápido e fugaz) dos media, cujo barulho das luzes é, ainda, bem superior ao das raves no Museu Grão Vasco, em Viseu: de deslumbramento em deslumbramento, até à cegueira final.
    Depois, a Prof. Dalila Rodrigues tem feito da exposição Rau um dos seus cavalos de batalha, senão o principal, como ainda agora no texto/resposta do Público de Sábado se verifica. Sem querer abrir qualquer debate sobre a bondade daquela exposição, fiquei e continuo espantado como uma exposição de 3º nível, a itinerar por cidades perdidas do Texas ou do Tennessee (basta consultar a net, para o confirmar), constituída por obras que, em qualquer grande museu europeu, não passariam das reservas das reservas, teve a recepção (não por parte do público, infelizmente habituado a muito pouco, mas por parte da critica da especialidade) apoteótica que teve. Atribuo esta situação, em exclusivo, à mistura de dois ingredientes: o politicamente correcto com uma grande dose de ignorância. Pergunto: será com a exposição Rau que o MNAA, como afirma a sua ex-directora, “entra finalmente nos grandes circuitos internacionais”. Ou esta afirmação não passa duma blague (melhor tradução: laracha)?
    Por outro lado, tratou-se de uma exposição tipo “chave na mão”, incluindo o catálogo, sendo apenas necessário dinheiro e espaço para a encaixar. Coisa curiosa é que, pelas contas da própria Prof. Dalila referidas na carta/resposta do Público, nem sequer a reserva e preparação da exposição Rau terá sido feita por si enquanto directora, mas, ao que tudo indica, pelo director que a precedeu…
    Já alguns anos atrás, se não me engano em Lille, tinha tido oportunidade de a ver, voltando a revê-la, apenas por mera curiosidade, aqui no MNAA, ficando sempre em mim uma triste sensação: esta exposição Rau está, para o mundo das exposições, exactamente ao mesmo nível daquelas companhias de ballett (utilizo, aqui, este termo propositadamente) e ópera, oriundas das antigas repúblicas soviéticas que, após a queda do muro, visitavam o nosso Coliseu sempre com grande sucesso de público, no seguimento de digressões para, coitados, poderem apenas matar a fome, pela Península, que incluíam as cidade espanholas de Huesca, Zamora, Pontevedra ou Huelva e sempre, mas sempre, a nossa capital.
    Outro ponto de honra na gestão da Prof. Dalila Rodrigues, já sobejamente por ela e por alguns comentadores elogiosamente referido, é a mudança de sitio dos Painéis, obra emblemática e um dos ex-libris do MNAA. Se do ponto de vista estético, a solução é má, do ponto de vista museográfico (é assim que se diz, acho eu) é um absoluto desastre! Traçando um paralelo simbólico (e mais radical, assumo) é como se, no Prado, as “Meninas” passassem para a zona das bilheteiras ou a “Mona Lisa”, no Louvre, fosse colocada nos corredores de acesso ao metro. Enfim, esperemos, para nosso bem, que o tão cantado grande prestigio internacional da Prof. Dalila Rodrigues, se fique pelas laudas domésticas de Vasco Graça Moura.
    Mas o maior e mais assustador sinal de nacional parolismo é a permanentemente apregoada comparação com os museus do Prado e do Louvre.
    Durante o salazarismo, no nosso Portugal dos pequenitos, tínhamos, em Aveiro, a Veneza portuguesa, em Évora, a nossa Florença ou em Queluz, o Palácio de Versailles, isto só para dar alguns exemplos, de que o professor fascista tanto gostava.
    Mais de 30 anos depois, com “a melhor directora do MNAA de sempre!!”, voltamos a ter o que é dos outros, o nosso “petit Louvre” e, ao mesmo tempo “o chiquito Prado”.
    Poupem-me, pois já não tenho idade para tudo isto…
    Num país onde, mais do que a competência, a qualidade do trabalho e o empenho, se privilegia e se premeia, sobretudo, a pose, o show-off e a gritaria mediática, Dalila Rodrigues já tem o seu futuro garantido: será convidada, em breve, para uma prestigiosa instituição privada (já todos sabemos qual) dando cumprimento, então sim, a uma ambição pessoal cujos limites são difíceis de prever. Que vá em paz e que Deus a acompanhe; por mim, não deixará nunca de ser “aquela moça dos arredores de Viseu”.

  • […] Olá, boa noite, eu gosto do Pacheco Pereira. Por CCC. O asco que Pacheco Pereira tem de Paulo Portas tolda-lhe o bom senso e coloca-o num perene exercício de má-fé, desconcertante e feio. Mas é a isso que assistimos: na hora do ataque, Pacheco Pereira cega e embrutece de forma pouco edificante e acima de tudo nada elegante. Os insultos gratuitos – velados ou não – dirigidos à suposta «canalha» seguidista do PP - partido e persona – vão contra a sua imagem de «homem sério» e delapidam o capital de respeito intelectual que sempre nutri por ele. […]

  • Dadas as preferências de ambos, penso que tudo se arranjaria facilmente com um encontro romântico entre JPP e PP… Resta saber quem seria o passivo…de qualquer modo ver dois bushistas a roerem-se seria sempre interessante…

  • Já se sabe que escrever o nome de Pacheco Pereira no blogue dá logo mais visitas.

    E então se o escrevermos nos três blogues ao mesmo tempo ainda melhor!

    Infelizmente para o autor do texto e para o triblogue, o texto é fraquito.

    Continue a tentar.

  • JPP é inteligente e culto. Mas eu não gosto do JPP pq acho precisamente a sua desonestidade intelectual, que refere face ao PP, se estende a todos os comentários políticos que faz a áreas que não são a sua!
    O autor do post sentirá mais essa desonestidade por se tratar do seu espectro político, mas ela existe para os outros espectros políticos!
    É aliás uma técnica maoísta que ele domina muito bem. O PCP é o verdadeiro perito nesta técnica!

  • Carlos do Carmo Carapinha
    September 5th, 2007 at 13:45

    O Diogo Santana apanhou-me. Publiquei o texto em três blogues diferentes. Sou um alentejano em todo o seu esplendor: preguiçoso e manhoso. E com o seu comentário percebi que ele me lê nos três sítios por onde me passeio, armado em opinion maker. Sim, de facto, o texto é fraquinho. E só mesmo o senhor Diogo Santana espera por melhores dias, com o seu “continue a tentar”. Fazemos assim: eu posso continuar a tentar, desde que o senhor Diogo Santana desista de me ler. É acordo justo e higiénico. Para ambos.

  • Claro que os três blogues onde repetiu o seu texto (a roçar o fraquinho e a cheirar a servicinho à rentrée de Portas) não têm nada a ver uns com os outros e principalmente com Paulo Portas.

    É tudo má fé, má vontade de desonestidade intelectual minha. Um insulto, é o qué.

  • Carlos do Carmo Carapinha
    September 5th, 2007 at 17:10

    Ó amigo Diogo: o «roçar o fraquinho» eu encaixo bem, agora essa do «cheirar a servicinho à rentrée de Portas» só merece um «vá bardamerda». Sobretudo porque inclui no role dos «três-blogues-portistas» o meu blogue pessoal. Para o fazer, significa que nunca me leu (e olhe que eu já ando nisto há mais de quatro anos). Nunca leu as minhas críticas a Paulo Portas nem o eco que fiz das mais incisivas e certeiras criticas de outros articulistas (Vasco Pulido Valente, por exemplo) em relação ao Paulo Portas. Mas é claro que isto não tem qualquer significado para si.

    Sim, vá lá: pegue lá no «bardamerda» que amavelmente lhe enderecei e aproveite para dizer que, tal como os séquitos de Paulo Portas, eu não passo de um ’spoiled brat’: malcriado, convencido e seguidista do «chefe».

    Não, Diogo Santana, você não está a ser intelectualmente desonesto. Está apenas a ser um canalha. Mas, repare: isto sou eu a dizê-lo, eu que sou «intelectualmente desonesto».

  • Mas era suposto alguém tê-lo lido?

    É que desculpe lá, mas estou de acordo com o Diogo Santana: é tudo para o fraquinho e cheira efectivamente a servicinho. E isso não chega para o voltar a ler.

  • Carlos do Carmo Carapinha
    September 5th, 2007 at 21:33

    Óptimo! (fosga-se, estes tipos são uma seca. Porque razão não criam eles um clube de apoiantes de Pacheco Pereira, o Intocável? Imaginem se eu tivesse dito que não gostava de Pacheco Pereira… Depois, ainda arranjam tempo para dizer que não era suposto lerem-me, apesar de o terem feito, concluindo que jão não me vão ler, de futuro… Who cares, man?)

  • Carlos Conceição
    September 6th, 2007 at 2:19

    Essa do «fraquinho» tem piada…
    Adjectivos destes usam-se à falta de substantivos…
    E isto é verdade também para Pacheco Pereira, de quem penso exactamente o mesmo - sim, o mesmo, e por isso talvez “também eu” seja «intelectualmente desonesto» - que CCC; atente-se na racionalidade, pertinência e consistência dos argumentos de Pacheco Pereira em muitos dos assuntos sobre os quais discorre, e compare-se com a quantidade de adjectivos (insultos) quando os assuntos são os que aqui já foram identificados…
    CCC não precisa que o defendam, mas não quero deixar de escrever publicamente que o «ódio» das reacções ao seu post é consistente com «os ódios» de Pacheco Pereira… E está tudo dito!

  • Yhanks you8510bc

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