Sunday, September 16th, 2007...19:49
A ética da TV

É sintomático verificar como a ética de que hoje muitos falam - a propósito, vejam só, de um “tapa” falhado de um seleccionador de futebol - é uma ética mediática, quase telenovelesca. Uma ética que se avalia pela imagem, se necessário através do replay. Não admira, por exemplo, que Daniel Oliveira chame fascista e outros impropérios a Maria José Nogueira Pinto por esta ter confessado ao “Expresso” que “votou” em Salazar no concurso da RTP - e dessa confissão parta para a avaliação moral das qualidades ou defeitos da ex-vereadora. Compreendo que DO não goste de misturas na CML, agora que Sá Fernandes e o BE através dele chegaram ao poder em Lisboa, mas é, de novo, a ética reduzida à mais pura dimensão mediática, uma ética de concurso de TV.

9 Comments
September 16th, 2007 at 20:09
PPM,
1. Não se limitou a votar Salazar. Isso outros terão feito. MJNP fez a sua defesa.
2. Não fiz nenhuma consideração moral. Fiz uma consideração política. E acho extraordinário que quem passa a vida a apontar o dedo à esquerda por ditaduras distantes ache que é falta de ética criticar quem apoia a que aqui tivemos. Conheço demasiadas pessoas que estiveram presas, fugidas e que foram torturadas para me sentir mal em dizer o que MJNP é: uma salazarista que acha que já todos achamos exótica essa sua deplorável faceta POLÍTICA.
3. Sim, chamo fascista a quem se sente politicamente próximo de Salazar. Quer apenas dizer que o branqueamento que se vai fazendo do que foi a nossa ditadura ainda não conseguiu tudo o que queria.
September 16th, 2007 at 21:09
Daniel, queres dizer então que todos os que votaram Salazar naquele concurso de TV são fascistas? Também sou contra branqueamentos, obviamente, mas até pela natureza política do regime, em que obviamente não me revejo, me parece excessivo.
Não estou a fazer a defesa de MJNP, até porque não concordo com ela no caso, como nas “lojas dos chineses”, mas é uma avaliação moral que se faz quando se fala de não ser “inocente” o objectivo destas declarações ao “Expresso” ou, citando, “porque, aceitará Maria José Nogueira Pinto, a memória não é um pormenor. A dela não será. A dos que lutaram e sofreram nas mãos do seu querido ditador também não”. Uma avaliação moral e política, é certo.
September 16th, 2007 at 21:33
porque é q o raposo começa tantas vezes os seus artigos/ posts com uma frase , seguida da expressão “ponto”…
grande ridículo..
September 16th, 2007 at 21:49
Acredito que só uma minoria que votou Salazar seja fascista. A maioria foi voto de protesto. NP defende o Salazarismo, é outra “coisa”.
September 16th, 2007 at 22:06
“Sim, chamo fascista a quem se sente politicamente próximo de Salazar.”
Não era altura de aprendermos um pouco de história e filosofia política, e deixarmos de chamar “fascista” a doutrinas que pouco ou nada tinham a ver com o fascismo?
September 16th, 2007 at 22:24
eu chamar-lhe-ia “só” salazarista e esta frase de DO devia fazer-vos pensar sobre o conceito de coerência:
(…) E acho extraordinário que quem passa a vida a apontar o dedo à esquerda por ditaduras distantes ache que é falta de ética criticar quem apoia a que aqui tivemos (…)
September 16th, 2007 at 22:30
portela menos 1 - eu não falei de falta de ética, o DO e o portela menos 1 é que falam. Acho muito bem que o DO critique a MJNP se entende que ela está a defender uma ditadura. Só peço rigor nos conceitos utilizados. E espero a mesma mão dura do DO em relação às ditaduras de esquerda - de Cuba à Venezuela.
September 16th, 2007 at 23:09
[…] os atlânticos A ética da TV […]
September 17th, 2007 at 0:02
[…] Pinto assumir o cargo para o qual foi convidada por António Costa. Para manter a lógica de um discurso ético, deveria ser essa a consequência que não foi retirada por Daniel Oliveira - ou pelo vereador […]
Leave a Reply