Thursday, September 20th, 2007...3:03
Look Matters
A campanha para as nomeações democrata e republicana nas eleições presidenciais de 2008 nos EUA começa a chegar a um ponto crucial. Os second place runners têm de investir em campanhas mais agressivas para darem o salto nas sondagens.
Recentemente Barack Obama e Mitt Romney lançaram novos anúncios televisivos [sendo que a candidatura Republicana tem produzido anúncios ao ritmo de Bollywood]. Ambos os vídeos se centram numa mesma mensagem: chance. Os candidatos apresentam-se como os candidatos da mudança. Obama afirma que terá uma acção diferente em Washington, Romney defende um GOP que não se comporte como o partido Democrata. Contudo o vídeo do Senador Obama tem falhas graves. Já o de Mitt Romney continua a ter uma qualidade surpreendente.
O vídeo de Obama, que está apenas a ser transmitido no Iowa, decorre naquilo que poderia ser uma penthouse em Upper East Side, durante este anúncio temos o Senador a falar directamente para o espectador. No entanto e apesar da enorme fotogenia de Obama, tudo parece encenado. O espaço embora elegante é demasiado impessoal, o guarda-roupa excessivamente formal e um erro grave de realização [ocorrido na mesa de montagem], o implacável corte aos 25”. O uso de um plano médio é neste caso uma má escolha, Obama parece não saber o que fazer com as mãos. Depois, para uma correcção de plano [para que o candidato ganhe espaço para avançar], há aquele inexplicável corte, uma montagem muito amadora. Todavia a aproximação final e o consequente close up são particularmente bonitos, há uma interpelação directa e olhos-nos-olhos com o espectador: «[I] ask you to believe — not just in my ability to bring about real change in Washington. I’m asking you to believe in yours.»
Mitt Romney é um homem particularmente bonito [na minha opinião]. Muito fotogénico, com porte atlético e aspecto saudável para alguém com já 60 anos. Os seus vídeos aproveitam e exploram, naturalmente, essas qualidades do candidatos. No novo vídeo Change begins with us, Romney apresenta-se (mais uma vez) ao ar livre, num cenário perfeitamente neutro mas familiar e agradável. O habitual grande plano do candidato é outra vez usado, de forma a realçar a juventude física do candidato. A escolha do guarda-roupa é também uma opção recorrente da equipa de Romney: informal e elegante [um outro sinal de juventude, força e vigor]. A música, que é o som de marca dos vídeos de Romney, é suficientemente heróica para toda a imagem fazer sentido, para a mensagem passar: «Is time to change». Mitt revela um enorme à vontade em frente às câmaras, o que dá à mensagem um tom natural, sincero e genuíno.
[publicação simultânea em 19mesesdepois]

10 Comments
September 20th, 2007 at 11:25
O corte no vídeo do Obama é mau, mas não creio que se note assim tanto. O apartamento parece-me um ground floor, por causa do jardim. O apartamento é sóbrio, concordo que demasiado frio. Suponho que os castanhos tenham sido escolhidos para combinar com o tom de pele de Obama, mas não sei se isso resulta bem. O nó de gravata é mal escolhido para o tipo de colarinho que ele tem. E, de qualquer modo, está mal feito. A cor da gravata é péssima. O fato é largo e mal talhado. Mas pode ser que isto tudo seja pensado de modo a “não” dar uma imagem de perfeição ou preocupação excessiva com a imagem.
Quanto ao Romney, o vídeo está bem conseguido, transmite, de facto, uma imagem de juventude mas também de credibilidade (embora eu não me identifique com a mensagem dele). Tem mais à-vontade. ACho o vídeo do jogging um pouco excessivo, but hey, itºs America. Mas não diria que Obama está menos à-vontade nas câmaras. Tem um discurso diferente, com um tom diferente, mais institucional, sendo o de Romney mais emocional. As mãos de Obama não estão assim tão más, e um grande plano naquele cenário não seria muito fácil.
September 20th, 2007 at 11:25
Nada do que escrevi implica que eu ache que este tipo de comentários “deviam” ser relevantes. Mas é verdade que o são e a tua análise é, por isso, mais que bem-vinda.
September 20th, 2007 at 12:34
Tiago, quando vi o vídeo foi a 1ª coisa me chocou foi esse corte [mas pronto eu sou muito sensível à imagem!]. Quanto ao facto de poder ser um ground floor, bem uma penthouse em Manhanttan que se preze terá um enorme terraço, e planta que se vê da janela é uma trepadeira. De qualquer das formas o meu comentário vai no sentido de aquele décor ser demasiado urbano, cosmopolita e até snob, para o público a que se destina. O spot está a passar apenas no Iowa, que não é NY ou LA, muito menos os Hamptons, á imagem que se passa é tão ou mais importante do que aquilo que diz! E aí eu acho que neste promenores Obama falha redondamente! Apesar e volto a salientar, de o close up final ser muito bom, muito ao tipo Obama directamente nos olhos do espectador.
Como tu dizes bem, o discurso de Obama é mais institucional, no entanto poderia ser dito com mais naturalidade, quem já o viu em talk shows como na oprah, sabe que ele é capaz disso. está tudo demasiado encenado. E Obama tem imenso potêncial, é uma pena esses pequenos erros!
Quanto a Romney, bem acho-o em termos comunicacionais próximo da perfeição. Mas também é ele , dentro do grupo republicano, quem tem de correr mais para chegar à frente.
Ao contrário de ti, eu acho que estes comentários são relevantes [obviamente, não a coisa mais importante],a estratégia comunicacional de uma campanha deve revelar aquilo que o candidato é, o seu potêncial. E já há muito que a imagem é fundamental para a escolha do eleitor!
September 20th, 2007 at 12:44
Claro que a imagem e’ importante, quis apenas relativizar a coisa. Qto ao Obama, discordo contigo, porque ele precisa de dirigir-se a essa franja. Sao esses que sao “pivotais”, que podem fazer a diferenca. Os outros, que tu tomas como “publico alvo” do seu discurso, ja’ ele conquistou. Seria uma perda de tempo ficar-se por ai. Claro que nao ele nao pode dar uma volta de 180 graus, mas pode ajustar a imagem e o discurso (mais a imagem que o discurso, pq a primeira veicula mensagens mais subtis) para esses fins. Eu acho que aquilo e’ uma mansao, nao uma pent-house, but that’s irrelevant, of course
September 20th, 2007 at 12:59
Tiago, não percebo quem tu consideras a “franja”. [independentemente de ser uma penthouse ou mansão] O cenário não é neutro! é um cenário que passa uma mensagem, e não sei se essa mensagem é a melhor para o Iowa. Não estou com isso a dizer que ele deveria estar em cima de uma ceifeira, ou à mesa a comer uma maçaroca. Estou apenas a dizer que poderia escolher uma localização mais neutra e com menos conotações sociais.
O Romney faz isso muito bem, por exemplo!!!
September 20th, 2007 at 14:53
A verdade é que a a palavra Change tem dominado os últimos vídeos dos candidatos.
Barack Obama, Hillary Clinton, Mitt Romney utilizaram a palavra mudança nos últimos anúncios, conforme podem ver aqui:
http://www.campaignnetwork.org/
Esta é a tónica que vai dominar estas eleições, depois de oito anos de liderança republicana na Casa Branca. Newt Gingrich alertou no passado fim de semana para a necessidade do candidato republicano nomeado libertar-se do passado do GOP. Toda a gente sabe em Washington que apenas um candidato republicano que encarne este espírito de mudança poderá vencer os democratas. E sinceramente, e apesar da cosmética e do poderio financeiro que Romney possa utilizar, acredito que não será ele esse candidato.
September 20th, 2007 at 15:00
Mas ele querera’ agradar ‘a franja democratica mais snob, que se inclina mais para a Hilary…
September 20th, 2007 at 15:17
Tiago, em relação à questão da “franja”snob democrática, hummm… tenho dúvidas se de facto ela está ou não com mrs. clinton. Obama é um objecto mais interessante para essa franja snob. principalmente pelo facto novidade, é alguém que não tem uma carreira intensa e no spot light da politica. não é “um valor seguro”. a franja snob do partido democrata tenderá a apoiar obama. [digo isto sem grande apoio estatístico, terei de ver isso melhor].
Nuno, de facto Romney tem demasiados handicaps para conseguir chegar à nomeação com facilidade. Não é por acaso que é o candidato que mais tem investido em campanhas publicitárias.
Tenho pena que o Rudy esteja tão à frente nas sondagens [gosto muito pouco delequer na sua acção politica, e em termos de imagem o homem é um desastre. mas convenhamos que a mãe-natureza não foi muito bondosa com ele…
October 2nd, 2007 at 2:36
[…] The look, it really matters! mesmo quando os candidatos estão relegados para os últimos lugares. Na campanha para as nomeações democrata e republicana nas eleições presidenciais de 2008 nos EUA, existem dois last place runners particularmente interessantes. São eles Mike Gravel e Ron Paul, que pela sua condição de last place runners parecem apostar na excentricidade e não têm tido particular cuidado com a projecção de uma imagem moderada, confiante e capaz de conduzir os desígnios de um país. […]
November 14th, 2007 at 23:48
[…] a pena visionar alguns dos anúncios de Mitt Romney, que já aqui analisei, e verificar a diferença de registo do próprio candidato. Em todos os seus anúncios Romney é […]
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