Tuesday, October 2nd, 2007...20:32

A vontade de acreditar

Jump to Comments

Li a entrevista do ex-coordenador da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral, ao Diário de Notícias. É extraordinária (os McCann, entre outras coisas, segundo Gonçalo Amaral, “desestabilizam” a polícia portuguesa). Como é extraordinária a confiança impenetrável que muita gente continua, sem motivo palpável nenhum a não ser a satisfação intelectual que a coisa dá, a depositar na tese da culpa dos pais da miúda, e na tese concomitante da um complot de altos poderes britânicos para abafar a suposta responsabilidade deles. Claro que nada disto é impossível – não há nada impossível nestas matérias, não é novidade. Acontece é que está longíssimo de ser provado. O espectáculo destes entusiasmos, da vontade delirante de acreditar, diz-nos muito do mundo de ressentimento e de inferioridade em que vivemos.

2 Comments

  • A vontade delirante de acreditar não será simétrica dos dois lados?

  • Caro Miguel Madeira,

    Por mim - materialmente, por assim dizer-, não acredito nem deixo de acreditar. E - desta vez formalmente - parto do princípio que, até prova em contrário, as pessoas estão inocentes. Por fim, ainda noutro plano, as teorias conspiratórias (o governo inglês estaria a manobrar tudo…) parecem-me ridículas e vastamente inspiradas num velho ressentimento com uma história longa. Mas, se quiser, pode ficar pela primeira das razões, que basta perfeitamente: não há elementos nenhuns que nos forcem a um sentido ou outro.

    Paulo Tunhas

Leave a Reply

eXTReMe Tracker