Thursday, October 4th, 2007...22:23
Para as visitas do Brasil
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“Não se pode esquecer que Che Guevara, em 1945, se opôs à entrada da Argentina na guerra contra a Alemanha nazi, porque considerava os EUA, e não o nazismo, o inimigo principal.Ao embaixador soviético em Cuba, Nicolai Leonov, Guevara não pareceu um latino. Era demasiado organizado, exacto: “como um alemão” (…)”
“O papel de Guevara, no seu novo país, foi o de Mugabe no Zimbabué: lançar as bases para fazer de Cuba uma ruína, que só os subsídios soviéticos aguentaram. Além das estatizações em massa, decidiu abolir todos os incentivos económicos ao trabalho. Tudo faltava e havia filas para tudo.”
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“Heil Che“, de Rui Ramos, na revista Atlântico de Outubro.

9 Comments
October 5th, 2007 at 0:24
Que perfeito disparate, nem parece do rui ramos. Che nao parece latino, e organizado, como um alemao. Ah, muito suspeito, de facto, deve ser nazi. E o de gaulle parece que gostave de wurste.
October 5th, 2007 at 0:30
Disparate? Foi dito pelo embaixador soviético. Leia depois de mim:
“Ao embaixador soviético em Cuba, Nicolai Leonov, Guevara não pareceu um latino. Era demasiado organizado, exacto: “como um alemão””.
October 5th, 2007 at 0:41
Claro que foi. E nada de disparatado na afirmacao original. Mas porque e citado aqui? Suponho que por se achar relevante e indiciador.
October 5th, 2007 at 13:17
Mas na opinião de bw, em que é que Che se diferencia tanto dos nazis?
No número de vítimas?
No plano das intenções?
Ou só porque andava com as fraldas de fora das calças?
October 5th, 2007 at 14:49
Che Guevara e os mimos da família Civita
Por Gilberto Maringoni
A humanidade sempre gostou de animais de estimação, mas agora o costume virou moda. Pet shops tomam conta das cidades brasileiras e roupas, brinquedos e alimentos especiais para bichinhos disputam um mercado crescente. Escolas especiais pipocam por toda parte, sofisticando a pedagogia caseira de ensinar mascotes a sentar, dar a patinha ou buscar objetos atirados ao longe. Todos gostam dessas companhias domésticas. Fazem a alegria das crianças.
Há uma família em São Paulo que parece adorar mascotes. É um clã de origem italiana, aqui radicado há décadas. Não se sabe bem o porquê, mas alguns de seus membros exibem socialmente um inconfundível acento nova-iorquino. Manias, quem sabe. Trata-se da turma dos Civita, gente boa, com negócios para os lados da marginal Pinheiros.
Os Civita adoram mascotes. Têm vários. Um dos orgulhos de sua casa de negócios atende pelo nome de Diogo. Aliás, são dois os Diogos amestrados daquele - chamemos assim - lar da marginal. Vamos falar de um deles, o Diogo Schelp (tem o Mainardi, mas este fica para outra hora). O Schelp é um espécime reluzente. Dá a patinha, busca o que o dono mandar e não gosta do que os Civita não gostam. Coisa bonita de se ver. Diogo Schelp deve andar aí pela casa dos trinta anos. Tem futuro.
Cuba, Venezuela, MST etc.
Os Civita detestam tudo que cheire a povo. Externam especial repulsa por coisas como Cuba, Venezuela, MST e quejandos. Quando precisam propalar aos quatro ventos seus desapreços, chamam um dos Diogos. “Vem, Diogo, vem”. E Diogo - qualquer um deles - faz a alegria da família. “Vem, Diogo, vem, desce o chanfralho no Chávez, vem!”. E lá vai Diogo, correndo, mostrar o serviço.
Como toda boa família, os Civita têm sua sala de visitas, onde exibem tudo do bom e do melhor. A sala de visitas tem até nome. Chama-se Veja. Toda semana apresenta uma decoração nova, todas diferentes, mas iguais às anteriores, se é que dá para entender.
Diogo é um fenômeno, dizíamos. É bom também não confundi-lo com Dioguinho, apelido de Diogo da Rocha Vieira, famoso bandido e salteador que aterrorizou os sertões da Mogiana, entre o final do século 19 e inícios do 20. Dioguinho era bandido de aluguel, que agia em troca de bom soldo. Diogo, o Schelp não aterroriza ninguém.
Pois não é que depois de fazer das suas por várias vezes, exibindo língua solta contra a Venezuela e Cuba o Diogo resolveu voltar-se contra Che Guevara. Certamente fez isso depois de dar a patinha, rolar no tapete e pedir papinha, pois a vida não anda fácil.
Pérolas e olfatos
Diogo é uma graça. Ganhou uma capa - é capa da tal sala de visitas, a Veja - e mais um monte de espaço. Sua pérola chama-se “Che. Há quarenta anos morria o homem, nascia a farsa”. A obra é hercúlea. Diogo contou com a ajuda de outro civitete de estimação, um serzinho chamado Duda Teixeira.
Para fazer das suas, foram falar com vários cubanos que, segundo ambos, conviveram com Che Guevara. Não foram a Cuba, mas entrevistaram quatro que moram na mais reluzente cidade latino-americana, chamada Miami. Tem uma comunidade cubana lá que é do balacobaco. Ajudaram a eleger George e seu irmão Jeb Bush. Gente fina.
Entre citações dos tais cubanos e sacadas próprias, a dupla DD (Diogo e Duda) saiu-se com estas:
“Che foi um ser desprezível”.
“Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro”.
“Sua vida foi uma seqüência de fracassos”.
Como a vida da dupla DD é uma seqüência de sucessos, eles podem dizer esta última frase de boca cheia. Certamente ambos vão revelar proximamente terem feito algo mais grandioso do que uma revolução nas barbas do império (desculpem o uso da expressão antiquada) ou de terem dado a vida defendendo o que pensam.
O mais legal é a especialidade olfativa dos DD. Sabem de cada uma. Vejam esta:
“Che (…) não gostava de banho e tinha cheiro de rim fervido”.
Cheiro de rim fervido! Alguém sabe como é? Os DD, pelo visto, cultivam o salutar hábito de experimentar odores em busca de comparações espirituosas a pedido dos Civita.
E tem mais. Como estão fazendo graça, dando a patinha e tal, os DD não se preocupam nem mesmo em dizer uma coisa no início da matéria e desdizer a mesma coisa linhas abaixo. Pois vejam só:
“Desde o início, Che representou a linha dura pró-soviética, ao lado do irmão de Fidel, Raul Castro”.
Lá adiante, a dupla do barulho fala assim:
“Che também se tornou crítico feroz da União Soviética”.
Os Civita devem adorar. Os Civita gostam de dinheiro, poder e publicidade oficial, da qual suas revistas andam cheias. O governo deve gostar muito dos Civita e de seus mascotes, para dar esse ajutório todo.
Mas deve haver uma hora que os DD cansam um pouco a família lá da marginal. Mesmo vivendo toda hora na sala e se exibindo para as visitas, há sempre um perigo maior.
O de fazer xixi no tapete.
Foi o que aconteceu agora. Graça demais não tem muita graça não.
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=26219
October 5th, 2007 at 15:13
Coitado desse João aí em cima. Mas um pobre-coitado que idolatra o Porco Fedorento, e saiu em defesa dele.
October 5th, 2007 at 20:47
O bw nao gosta destas associacoes absurdas entre fait divers e estereotipos nacionais com importantes questoes politicas. O bw nao falou senao disso. Porque o bw gosta bastante de riesling e wagner, por exemplo, e ate podia acontecer que fosse organizado como um alemao, e prefere nao ouvir insinuacoes sobre os seus gostos ou tracos de caracter.
October 6th, 2007 at 1:39
Que medo do Che!
Que medo de Fidel e de Cuba Revolucionária!
Que medo da Venezuela progressista!
Que medo de todo e qualquer povo que não se submeta às vozes das multinacionais e do império!
Aqui neste «Atlântico» tudo o que cheire a liberdade, tudo o que signifique pôr em causa o patrão e o sistema que o sustenta, tudo isso é crime imperdoável.
Sim, porque nesta casa de fiéis servidores ganha o capataz que melhor servir os donos do mundo.
E o medo que sentem é expresso das mais estranhas formas, mas tem sempre como origem a certeza de que os povos não continuarão sujeitos ao sistema criminoso e perdador que defendem.
Hasta Siempre, Comandante!
October 8th, 2007 at 9:47
1. Naturalmente que para os argentinos a Alemanha nunca foi ameaça…geopolítica básica.
2. Estatizações iriam ser feitas com ou sem Guevara. Mas é óbvio que ele saiu de Cuba por estar sedento de sangue, de vontade de matar indiscriminadamente.
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