Sunday, October 7th, 2007...17:17
Sobre a liderança da bancada parlamentar
Paulo Rangel limitou-se a dizer o que é óbvio, Pedro Santana Lopes foi primeiro-ministro até há dois anos, nunca se submeteu a ninguém, carrega ainda o estigma de uma derrota - mal explicada, é certo - e não recolhe - ispo facto - a simpatia do eleitorado: por tudo isto, não pode ser o líder da bancada parlamentar do PSD. E Menezes sabe isso muito bem. Só que no PSD há uma corrida para ocupar o vazio, primum milhum pardalorum est com que alguns defuntos se procuram alimentar. Com a queda de Mendes, há no PSD uma tentativa de ressuscitação de vários grupos moribundos, entre os quais os Santanistas, que estão a tentar recuperar o seu território. Se Menezes não tiver a coragem de travar este ímpeto, ficará refém de um Santana que só obedece a si próprio, e que não vai aceitar ser o intérprete da vontade do líder. O mesmo se passa em relação a muitos outros que se têm posto em bicos de pés. É preferível para Menezes assistir, no limite, a uma cisão na bancada parlamentar dos sete elementos que apoiam Santana, a ser incapaz de gerir a oposição no Parlamento segundo o rumo por si traçado. Menezes até hoje soube distribuir para reinar, federando interesses conseguiu uma vitória difícil. Só que agora é o líder, pode perfeitamente dispensar os abutres, nem que isso implique uma digestão mais difícil. As alianças terão de ser estratégicas. Menezes terá de afirmar o Menezismo, dispensando o brilho desbotado daqueles que ainda carregam o estigma da derrota junto do eleitorado. A hora é de arrumar a casa, para poder enfrentar 2009 com a limpeza devidamente feita, e não a de lavar a face dos que sentem que foram derrotados sem terem tido a sua oportunidade, por mais que lhes custe. Se Menezes tiver a capacidade de limitar Santana, essa será, junto da opinião pública, a sua primeira grande vitória; impor uma liderança parlamentar que seja sua permitirá a Menezes iniciar a sua própria credibilização externa. Veremos se Menezes consegue vencer estes seus primeiros grandes desafios como líder: impor ao PSD a sua linha e as suas pessoas, sem se associar aos derrotados.

1 Comment
October 7th, 2007 at 19:47
[…] em que se inclui o “santanismo”, começa a dar sinais de fracturação. Concordo com o RAF que a eleição do novo líder parlamentar do PSD é um teste. Mas, se não for Santana o ungido, […]
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