Monday, October 8th, 2007...10:10

A capa, o “Che” e Hitler

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As reacções negativas à capa da última Atlântico são bem interessantes. Elas pressupõem todas que Ernesto Guevara e Hitler são incomparáveis, e que é a pior das desfaçatezes – uma desfaçatez, é claro, politicamente interessada – compará-los. Ora, é claro que, a haver encarnação do mal absoluto na história (falemos assim para simplificar), Hitler é um dos melhores candidatos ao lugar, e o “Che” ocupa uma posição, no mínimo, secundaríssima, tão secundária que só nos lembramos dele pelo entusiasmo com que boa parte da esquerda adolescente e ritualmente o festeja. Mas a questão da capa (e do artigo de Rui Ramos) não era essa. Era, como o artigo de Rui Ramos explica bem, o desprezo pelos seres humanos que as ideologias totalitárias, de que o nazismo é paradigmático, permitem e legitimam. E aí, o “Che” é um exemplo tão bom como qualquer outro. A capa e o artigo lembravam isso. As reacções, aparentemente, confirmam que é preciso lembrá-lo.

44 Comments

  • Vejo que entre tantos ícones comunistas que mataram milhões de pessoas (Stalin, Pol Pot) o autor da dita capa preferiu ir pela demagogia barata e escolher um ícone comunista sobre o qual se diz tudo de mal mas ninguém prova nada, é no mínimo desonesto e ridículo odiar um homem sem conseguir provar o que se diz sobre ele, odiar apenas porque sim?

  • No meio de tanta independência e neutralidade digam-me lá quantas capas fizeram com Franco? Pinochet? Baptista? Noriega?

    É só zelo pela honestidade política…

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    October 8th, 2007 at 11:47

    Fontela, se quer contabilizar, já fizemos uma com o Salazar de cravo na boca. E outra do Cunhal ao natural. Mas não há neutralidade nenhuma aqui - o que não falta é honestidade política, ao contrário de outros.

    Telmo, a lei do paredon - os fuzilamentos ordenados por Guevara - só não está provada para quem realmente não quer ver.

    cumprimentos.

  • Caro Pinto Mascarenhas,

    Não preciso de contabilizar porque já sabia que vocês não teriam pegado em nenhum desses casos porque não vos é politicamente conveniente. Agora não me venham com tretas (peço desculpa pela expressão mas parece-me apropriada) a defender que vossa escolha de capa obedece a qualquer critério moral.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    October 8th, 2007 at 12:46

    Pedro Fontela,

    “Franco? Pinochet? Baptista? Noriega?” - nenhum deles tem a ver com a posição editorial da revista. Bem pelo contrário, como saberia se a lesse. Mas também nenhum dos quatro é hoje ídolo pop de seja quem for. As tretas (desculpe também usar este termo) não são nossas.

    PS. Para o comentador anónimo que veio para aqui insultar, fique a saber que os seus insultos não duram mais que segundos na caixa.

  • Pinto Marcarenhas,

    Não têm? Acho que tem que rever os seus aliados históricos (quem fechou os olhos a Pinochet? Quem instalou Noriega? Quem apertou a mão a Franco e Salazar?)… quem andou a sustentar o vosso economicismo deligado de preocupções morais políticas?

    O problema meu caro é que esses nomes até são queridos de alguns dos vossos meninos da “nova” direita - vulgo conservador com nova embalagem -(será por isso que são incapazes de condenar universalmente as ditaduras de direita?).

    ps: li a vossa revista algumas vezes, não compensa (demasiado “biased and partisan” e com bases teóricas muito fracas). Prefiro comentar aqui que é grátis.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    October 8th, 2007 at 13:20

    Sim, Fontela, a culpa tinha de ser dos EUA, eu sabia que ia lá chegar. Nós não precisamos de estar sempre a condenar o que já condenámos há muito: qualquer tipo de ditadura, seja ela qual for. O que não acontece com a sua esquerda, condescendente com os “ernestos” e os “fidéis” deste mundo. Quanto às bases teóricas, vamos ter de as apreender no seu blogue.

  • Daniel Oliveira
    October 8th, 2007 at 13:25

    É extraordinário! Foi no seu livro “Impasses” que li as passagens mais indignadas com os bigodinhos de Hitler em caras de políticos ocidentais, que me indignaram a mim também. Mesmo que a guerra que o senhor apoiou de forma leviana e que causou já centenas de milhar de mortos tenha demonstrado um assinalavel «desprezo pelos seres humanos», parecia-me a comparação insultuosa para a memória do Holocausto. Agora percebo que a sua indignação era «politicamente interessada». Acha-a legitima, depende apenas de quem for o alvo.

  • Não vá por aí… lá porque vocês são simplistas não quer dizer que os vossos críticos o sejam. Não negou a verdade da responsabilidade do vosso sector político em tudo o que mencionei porque não o pode fazer. Quanto aos EUA… têm as costas largas. Como em todos os países há de tudo e acredite que não sou anti-americano ou que não sei o que a realidade americana é.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    October 8th, 2007 at 13:36

    Só mais um comentário (desculpe, Paulo Tunhas, por estar tão omnipresente). Desta vez para Daniel Oliveira, que não sabe distinguir políticos ocidentais eleitos livremente pelo povo de tiranos e ditadores.

  • Já agora… mais uma vez tenho pena que tenham uma visão monoteísta onde só existe a vossa direita e a esquerda dos outros. Isso força-vos sempre a enquandrar toda a gente em duas caixas - resultado: asneira e exageros. Isso só funciona para a polarização da populaça…

  • imensas desculpas pelo erro…

    não é monoteista mas monolitica, é o que dar comentar em blogs políticos e religiosos ao mesmo tempo lol.

  • O Fontela é idiota, não é? Idiota no bom sentido: cheio de ideias…

  • uau Rosarinho… tanta inteligência e argumentação. Esforçou-se muito a pensar nisso tudo?

  • Cheguei agora a casa. Paulo, até agradeço a sua omnipresença. Só uma pergunta: quem assina “Daniel Oliveira” é o próprio? É que tive, no outro dia, uma conversa cordata com ele numa caixa de comentários, e o tom não encaixa no comentário de hoje. Se for mesmo ele, eu respondo.

  • Obrigado, Paulo, pela compreensão. Rosário Lima, peço-lhe que poupe os insultos. Fontela, acho extraordinário o seu penúltimo comentário: afinal, foi você que nos chamou “meninos” da “nova direita”, blogue “religioso” e “político”, etc. Para quem pretende cultivar o rigor das referências teóricas, aconselho-o a escrever mais sobre a realidade e menos sobre os preconceitos dos outros.

  • Fico então à espera que consiga negar uma palavra daquilo que escrevi.

  • Porque não fazem uma capa sobre a guerra no Iraque? Enquanto, centenas, senão milhares vão por lá morrendo, à conta dos vossos amigos Americanos, os senhores divertem-se a fazer bigodinhos no retrato do Che.
    São mesmo infantis. Não são para levar a sério.

  • É óbvio que um bigodinho em Bush é de todo inaceitável. Inadmissível e intolerável. As guerras de Bush nem sequer têm um milhão de vítimas. Ademais essas vítimas são-no por uma causa justa. Agora em Che um bigodinho tolera-se bem. Quem vê aqui double standars é muito faccioso.

  • Caro Pedro Fontela,

    As barbaridades cometidas pelo querido “Che” encontram-se testemunhadas em muitos livros fáceis de encontrar em boas livrarias. Se, por volta de 1972, os livros de e sobre Guevara (muito elogiosos) eram comprados facilmente em livrarias (os meus pais comprávam-nos, e assim, miúdo, os li), mais fácil será encontrar informação agora. Se estiver virado para aí, é claro.

    Caro João Medina,

    Porque é que, a propósito duma coisa, quer falar doutra? A Atlântico, que eu saiba, falou abundantemente do Iraque e assuntos conexos. E vai continuar, certamente, a falar. Eu próprio tenciono escrever sobre o assunto para o número de Dezembro.

  • paulot,

    Como já disse ao Paulo eu não a esquerda acéfala, ninguém está a negar o percurso de che… vocês é que acho que não devem ter percebido muito do que andei para aqui a dizer…

  • mais um erro meu… enfim…

    onde está «não a esquerda acéfala»

    deve estar «não pertenço à esquerda acéfala»

  • Caros amigos,

    Vou trabalhar. Respondo a comentários amanhã de tarde.

    Paulo Tunhas

  • […] gente finge ser estúpida (ou então é mesmo estúpida, não sei muito bem). De qualquer forma, o Paulo Tunhas já terá dito o essencial a propósito do artigo do Rui Ramos. Mesmo assim, convém lembrar, a […]

  • […] gente finge ser estúpida (ou então é mesmo estúpida, não sei muito bem). De qualquer forma, o Paulo Tunhas já terá dito o essencial a propósito do artigo do Rui Ramos. Mesmo assim, convém lembrar, a […]

  • Resta perguntar ao fontela, ao medina (que não pode ser de resto o professor catedrático e historiador, porque esse provou na pele o seu próprio veneno) e aos restantes “anacletos” se não podemos comparar esse grande benemérito filantropo do “Che” ao marmanjo do terceiro reich, a quem então o podemos comparar?

    Deve ser difícil já que nada de que se acusa esse grande humanista lhe pode ser imputado… (é sabido que nas valas comuns não costuma haver muitas acusações).

  • «…benemérito filantropo do “Che” ao marmanjo do terceiro reich, a quem então o podemos comparar? »

    Eu não tenho culpa que vocês não saibam ler! Ninguém está a defender as ditaduras comunistas, vocês é que não têm estomago para assumir as vossas responsabilidades ideólógicas - quando não é apenas má fé em não perceber a verdadeira acusação.

  • E já agora… anacleto NFM há de ser alguém do seu circulo familiar ou de amizades que eu não tenho razão nem paciência para aturar pessoal que não sabe o seu lugar.

  • Ó fontanela, não se irrite tanto que não chega a velho! E a propósito do meu lugar, eu sei bem onde estou, resta saber se o meu amigo também o sabe, e se o pode afirmar com a mesma clareza que eu.

    E sobre as nossas (ou se quiser, as minhas…) “responsabilidades ideológicas”, querer-me-á o meu amigo esclarecer quais são, ou irá novamente aos arames por lhe tocar numa das suas (leia-se da esquerda) vacas sagradas?

  • Meu caro,

    animais aqui só há um e não sou eu. Peça ao pastor que lhe indique o caminho de volta.

  • Além de não ter um pingo de civismo não percebe peva do que tenho dito ou do que defendo mas no entanto não se coibe de intervir para dizer baboseiras. Os amigos do blog agradecem por obscurecer ainda mais a coisa.

  • “E sobre as nossas (ou se quiser, as minhas…) “responsabilidades ideológicas”, querer-me-á o meu amigo esclarecer quais são?”

    V. não esclareceu e duvido que o venha a fazer…

  • Eu já esclareci tudo no que escrevi, sabe ler? É escusado, por muito que se grite vocês vão sempre fazer de conta que não percebem.

  • Caro Fontela,

    A ver se nos esclarecemos: da minha parte, como creio da quase totalidade das pessoas que pululam por este blog, não haverá nunca em condenar Noriegas, Salazares, Pinochets, Francos e outros que tais.
    Dizer que “vocês” têm “responsabilidades ideológicas” no branqueamento da história é esquecer que, entre outras coisas, Pinochet foi perseguido (infrutiferamente, é certo, por malfadadas questões clínicas) pelo Direito Internacional, ao mesmo tempo que Castro continuava (como continua) impunemente a aterrorizar Cuba, e os Chávez, Morales e quejandos iam subindo ao poder.

    As “responsabilidades idológicas”, meu caro, a esta altura do campeonato (leia-se, do percurso da civilização ocidental), já não são responsabildades da esquerda, nem da direita, mas são (ou melhor dizer antes, deveriam ser) de todos nós, pela condenação de quaisquer atentados aos direitos humanos e, correlata perpetuação de regimes atentatórios dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

    Não perceber isto é ter, por um lado, muito medo de um bigodinho ridículo, mas, por outro, ter grande admiração por uma barba de três dias com boina militar a galope.

  • NFM,

    Fico contente com a sua resposta porque mostra que ao menos além de não ser necessária agressividade podemos compreender o que dizemos.

    É bom que os condenem mas também é verdade que só foram perseguidos legalmente depois de abandonarem o poder - antes nunca houve tal preocupação. Dizer que foi o mesmo grupo que pos Pinochet no poder que lhe moveu os processos legais internacionais é falso (a maior parte dos que o puseram lá nem acreditam em tal figura de direito internacional).

    Quanto ao Che em si digo-lhe o seguinte: estou-me a borrifar para o che, fidel e toda o grupo. São ditadores e devem ser codenados, mas o entusiasmo em condenar uns e outros não é o mesmo por parte do vosso grupo, são incapazes de reconhecer que em nome dos vossos supostos ideias cometeram actos que são no minimo criminosos e que os homens que os praticaram ainda hoje gozam de certa estima.

  • Caro Fontela,

    Indo por partes:

    1) Eu próprio tenho dúvidas quanto à existência de um verdadeiro e orgânico Direito Internacional. O próprio Freitas do Amaral, quando regressado da sua estadia em NY, onde fora presidente da Mesa da AG da ONU, declarou ao chegar: “Depois desta experiência sei que o Direito Internacional Público não existe!” (cito-o de memória). Mas o que é certo é que os últimos tempos deram-nos, a nós que abominamos as várias formas de tirania, algum alento: Fujimori vai ser julgado em Lima; Laurent Nkunda, líder rebelde do Congo, continua a ser procurado; Charles Taylor, ex-presidente da Libéria, está a ser julgado em Haia; Noun Chea, o número 2 dos Khmers Vermelhos vai ser também julgado; Karadzic, é procurado pelo TPI. Espero não entrar aqui em contradição, mas até Saddam Hussein foi derrubado e julgado (embora a sentença tenha sido um abomínavel erro… da justiça iraquiana). Fujimori, Taylor e Pinochet só foram acossados depois de sairem do poleiro? É verdade, mas pelo menos foram-no! Poderemos dizer o mesmo de Castro, de Hu Jintao, Chávez, Morales, Mubarak, Omar Bongo, Omar al-Bashir, José Eduardo dos Santos, Khadaffi, Niyazov, Il-Sung, Ali-Khamenei, Ahmadinejad, et alii???

    2) “em nome dos vossos supostos ideias cometeram actos que são no minimo criminosos”. Entenda-mo-nos: a direita onde me revejo é democrática, parlamentar, multi-partidária, conservadora politicamente e liberal economicamente. Acima de tudo isto prevalece o Estado de Direito. Os meus “supostos ideais” não serão com certeza perfeitos, ou sequer infalíveis, mas pressupõem o seu julgamento de iure e de facto e consequente sentença ou absolvição. Aquilo que enjeito (enjeitamos) são personagens e regimes acima da lei.

    3) quanto aos branqueamentos da história, e não querendo fazer buscas exaustivas, deixo-lhe estas pérolas (umas de domingo passado, outras de hoje):

    http://ww2.publico.clix.pt/imagens.aspx/214461?tp=UH&db=IMAGENS

    http://www.elpais.com/articulo/internacional/Che/historico/mistico/comercial/conviven/Bolivia/elpepuint/20071008elpepuint_1/Tes

    http://www.elpais.com/articulo/internacional/Che/historico/mistico/comercial/conviven/Bolivia/elpepuint/20071008elpepuint_1/Tes

    http://www.elpais.com/articulo/internacional/Che/historico/mistico/comercial/conviven/Bolivia/elpepuint/20071008elpepuint_1/Tes

    http://www.elpais.com/articulo/internacional/Che/historico/mistico/comercial/conviven/Bolivia/elpepuint/20071008elpepuint_1/Tes

  • “mas o entusiasmo em condenar uns e outros não é o mesmo por parte do vosso grupo”

    Caro Fontela, a diferença é óbvia.

    Tirando meia dúzia de adolescentes com as hormonas aos saltos, as figuras do fascismo, do nazismo e do caudilhismo sul-americano, não são ícones celebrados no plano da ética das boas intenções, ao contrário dos mitos de pé de barro que a esquerda incensa.
    Enquanto os líderes europeus se acotovelavam para beijar as mãos de Fidel, ao Pinochet faziam manguitos.
    Os mesmos que ostracizaram Georg Haider, fazem mesuras a Chavez e aos dinossauros comunistas que escaparam à hecatombe da religião marxista.
    A diferença, meu caro, é que a direita autoritária fez o mal em nome do mal, e a esquerda fez tb o mal, mas em nome do bem.

    É isso que é preciso denunciar, porque na América do Sul, justamente, os mesmos porcos chegam-se à vianda e querem outra vez triunfar, espalhando o desastre em nome do paraíso.

    De resto, entre Hitler e Che, em termos ideológicos, havia poucas diferenças.

    Eram ambos socialistas, ambos antiamericanos, antiliberais, anticapitalistas, pela reificação do colectivo contra o individual.

    Ignoro se Che tb era “antisionista”, mas não me admirava nada….
    am mesuras a

  • Caro José Carmo,

    Permita-me que discorde - pelo menos em parte. Obviamente que há pessoal à esquerda que ainda hoje celebraria Estaline se não fosse obsceno à opinião pública geral mas também existe um sector à direita que nunca se conformou com a queda dos regimes que apoiou (estou a pensar em certos pseudo liberais que jamais condenaram qualquer um deles e que têm mesmo a lata de celebrar os poucos triunfos dos resquícios ideológicos que sobraram da direita autoritária). Aliás só para lhe dar um exemplo, eu já vivi em Espanha e sei por experiência própria que há uma ala considerável do PP (e olhe que não falo só de maluquinhos relegados para os tablóides) que nunca se recompôs do choque da morte de Franco e que ainda hoje defenderiam um estado igualzinho ao de 1939.
    E se alguns membros mediáticos da esquerda foram dar calorosos abraços aos regimes comunistas sobreviventes também é verdade que os governos conservadores dessa Europa fora ignoraram as tiranias de direita quando isso lhes era possível e conveniente. Em termos de diferenças ideológicas há poucas, em ambas as doutrinas o individuo é irrelevante (ou melhor… nós os “mortais” somos irrelevantes, depois há as castas superiores de membros do partido ou de tecnocratas e militares úteis) e é sempre em nome da moral e dos bons costumes que estas coisas se fazem – começando sempre pela calada, já que sabem que à luz da razão e do escrutínio público (sem querer endeusar o principio democrático) seriam intelectualmente trucidados.
    Para concluir e para sumarizar a minha posição a todos: a mim mete-me tanto o socialismo puro e duro como o conservadorismo arcaico (agora renovado sobre a face de “liberalismo”) que nos quer fazer regressar a uma idade média, desta vez permanente. Não perdoo a nenhum deles os crimes que cometeram nem a falta de arrependimento que mostram (qualquer um deles não teria dificuldade em voltar aos velhos padrões abusivos num piscar de olhos).

  • “conservadorismo arcaico (agora renovado sobre a face de “liberalismo””)

    Tudo bem caro Fontela, mas esta frase não faz qualquer sentido para mim.

    Ignoro a que é que você chama “conservadorismo arcaico” e “liberalismo”.
    Não estamos obviamente a falar a mesma língua e eu, lamentavelmente, não sei que língua é que o Fontela está a usar.

    Provavelmente está a invocar demónios…

  • Se é só essa frase então não deve ter grandes problemas e já agora porque não quero que lhe falte nada até lhe dou a “tradução” (como se fosse necessária…): os muitos pseudo liberais que populam por estes blogs não passam de conservadores muito mal disfarçados e basta uma simples análise de meia dúzia de textos de cada um para se ver isso. A sua defesa do “liberalismo” (normalmente truncado, pois só conhecem a vertente económica) faz-se no sentido de favorecer as suas causas, aquelas que na realidade sempre lhes foram queridas, não visam em momento algum em assegurar a justiça ou uma sociedade civilizada.

    Invocações de demónios deixo aos padres e crentes ultra-conservadores que se associam a este novo “liberalismo”.

  • NFM,

    Percebe que eu não estou a dizer que todos os mencionados não mereçam umas acusações?

    «Entenda-mo-nos: a direita onde me revejo é democrática, parlamentar, multi-partidária, conservadora politicamente e liberal economicamente. »

    Pessoalmente preocupa-me tudo o que é conservador… tresanda a imposições. Não acredito num liberalismo que só vê beneficios na esfera económica mas que visa restringir a esfera social do individuo. Valorizar a esfera económica face à pessoal (social) é trocar as prioridades. O que importa é o individuo e a sua vida, o seu trabalho é apenas uma ferramenta necessária.

    Percebe que foi essa mesma direita democraticamente eleita e conservadora que ignorou os ditadores quando pode? O ser democraticamente eleita não lhe confere moralidade só por si.

  • Fontela,

    “Conservador” é, com certeza, um dos conceitos mais malditos e mal interpretados da história das ideias políticas. Não sei se se pode considerar um governo conservador mais “impositório” do que os homólogos sociais-democratas, liberais ou socialistas-de-gaveta (atenho-me obviamente ao mundo ocidental). Na vizinha Espanha, em que foi mais “impositório” o governo de Aznar, comparando-o com o de González ou o de Zapatero? O Presidencialismo de Mitterand foi mais “liberal” do que o de Chirac, ou o do que promete ser Sarkozy (visto que mora em Paris, esta comparação deve-lhe ser especialmente querida)? Tatcher e Major foram mais repressivos que Blair ou Brown? E se compararmos Reagan a Clinton?

    Quanto ao liberalismo: tem toda a razão, o liberalismo entendido em Portugal é, essencialmente, uma doutrina económica. Falta-lhe como tal a correspodente vertente dos direitos sociais. Mas também ninguém me tira da cabeça que é precisamente a mentalidade estatista dos portugueses (conhece alguém mais estatista que Salazar e Cunhal? Ou que Caetano e Vasco Gonçalves? No fundo, que o PS e o PSD (já não falo na extrema-esquerda, nem no “assistencialismo democrata-cristão” do CDS…)), a mentalidade estatista dos portugueses, dia eu, que nos faz crer que o Estado deve ter sempre uma última palavra a dizer na esfera privada (desde que nasce, até à pos-morte, com os tributos sucessórios). Liberalizar economicamente pode ser a grande subversão comportamental de que os portugueses necessitam.

    Finalmente, quanto à direita conservadora que ignora ditadores. Não sejamos néscio, admito que governos conservadores houve (ou oposições) que forma coniventes com ditaduras e déspotas. Mas faço-lhe a seguinte pergunta: e a esquerda “liberal” (o que a mim me parece uma óbvia contradição de termos)? Nunca foi conivente? Não o é?
    Quem é que rejeitou por duas vezes receber Dalai Lama? Quem é que estende passadeiras vermelhas aos mais altos dignatários chineses? Quem é que não tem qualquer pejo em receber Mugabe?

    A “real politik” vive à margem das grandes questões ideológicas. Jogarmos com chavões pré-Guerra Fria é, conscientemente, não querer compreender o actual estado do lamaçal.

  • […] Lembrar que o desprezo pelos seres humanos que caracterizou cada uma das ideologias defendidas é semelhante, não obstante as diferenças existentes entre as duas figuras e o grau dos […]

  • Hi, hello, privet
    munificently

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