Monday, October 8th, 2007...19:38

Não fosse por Si andavam aí a esquartejar velhinhos

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Retenho da homília do Tiago Cavaco que me foi dedicada na última Atlântico que “foi a convicção do dever humano perante um juízo divino superior que proporcionou que valores como a ordem, a justiça e a solidariedade se enraizassem nas sociedades humanas”. Mas a coisa consegue ser ainda mais afirmativa, ou melhor, disparatada: para o Tiago, eu e os outros só seríamos uns ateus a sério se matássemos e esfolássemos. Como não nos damos ao trabalho de o fazer (presumo que por preguiça) limitamo-nos a fazer uns graffitis nas paredes construídas por nosso senhor.

Do que o Tiago se esqueceu é que foi só quando a sociedade se afastou dos ditames de Deus, sabiamente interpretados pelos seus representantes, que nos foi admitido uns desenhitos ou já se esqueceu da “tolerância” com os ateus ou crentes em outros Deuses? Presumo que é a réstia de Deus e Igreja que ainda existe que ainda não me permite matar umas velhinhas e violar umas pequenas.

Apesar de agradecer os conselhos do Tiago para que me converta num marginal, lamento desiludi-lo mas passo. No entanto, as preces dele foram ouvidas e é ver os não-crentes no Deus dele a semear o terror e a destruição como já tinham feito os do Deus dele.

No fundo entre o Tiago e a barbárie está Deus (o Deus do século XX, claro está, já que o dos séculos anteriores gostava da sua matançazita). Não fosse Ele e era vê-lo a esfolar e a urinar em crucifixos.

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