Tuesday, October 9th, 2007...16:26
Corporativismo (2)
Creio que o André precipita-se no seu comentário ao aplaudir a medida do governo. Vejamos:
1. O anúncio desta medida pelo Ministro revela bem o teor algo demagógico e claramente eleitoralista da notícia, que não parece assentar em qualquer estratégia de saúde a não ser a de “inundar” as faculdades com alunos, criando uma certa ilusão que está a lidar com o aparente problema da falta de médicos.
2. Digo aparente, pois como aqui refere o Pedro, “a média de clínicos por habitante em Portugal é superior à media europeia”. O que acontece é que existe uma má distribuição das especialidades existentes pelo nosso país, comparado com a respectiva procura.
3. Partindo do pressuposto que existe uma efectiva falta de médicos, a entrada de 600 novos alunos nas faculdades não é sinónimo de 600 médicos formados em X anos, muito menos nas especialidades que mais necessitam de profissionais. Uma verdadeira estratégia de saúde para atacar o problema, teria que corrigir a distorção no número de vagas das especialidades.
4. O Estado é o responsável, em regime monopolista é certo, dos cursos de medicina. Até esta situação se alterar, compete ao Estado garantir a qualidade do curso. Não vamos confundir as coisas. Não me parece que esta medida vá no sentido da manutenção da qualidade, nem do fim do monopólio.
5. Compete ao Estado garantir que o Sistema Nacional de Saúde não tenha nem um excesso, nem um défice de recursos humanos, tendo em conta o actual modelo do sistema. A ser verdade a existência um problema no número de médicos, a prioridade seria a de disponibilizar os meios para a formação pós-universitária de licenciados nos hospitais.

2 Comments
October 9th, 2007 at 23:07
Parece-me uma boa base de discussão…
Janeiro de 2006
Numa conferência proferida no auditório da Ordem dos Médicos, o Dr. Manuel Delgado passou em revista o nível de empregabilidade nas áreas sociais, a evolução das profissões de saúde no SNS e as despesas com pessoal no SNS, entre outras questões ligadas ao sector. Como relevante, na sua perspectiva, sublinhou que “não há uma relação muito próxima entre a opinião publicada sobre os recursos humanos na Saúde e os números ou as estatísticas que são apresentados ou que nós podemos arrumar ou constituir”.
Organizada pela Associação Portuguesa de Engenharia da Saúde (APES) e a Associação dos Médicos Gestores de Unidades de Saúde (AMGUS), realizou-se no passado dia 4, no auditório da Ordem dos Médicos, a primeira conferência “Recursos Humanos em Saúde” – Escassez ou Excesso?, a cargo do Dr. Manuel Delgado, Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e do Conselho de Administração do Hospital Pulido Valente.
Nesta sessão, a que assistiram cerca de meia centena de pessoas ligadas à Saúde, estiveram presentes o Bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Pedro Nunes, e o Secretário do Conselho Regional do Sul, Dr. José Esteves. Os comentários à apresentação foram proferidos pelo Prof. João Queiroz, Vice-Reitor da Universidade da Beira Interior e Director da respectiva Faculdade de Medicina, e pelos Drs. Artur Vaz, Administrador Executivo da Espírito Santo Saúde e Administrador-Delegado e Chief Executive Officer do Hospital da Luz, e João Martins, Administrador da HPP Saúde.
(continua, ler o resto aqui:
http://www.omcentro.com/medicom/actualidade_dentro.asp?id=107
October 10th, 2007 at 17:03
[…] várias afirmações neste post do Bruno das quais discordo, mas vou concentrar-me apenas em duas questões centrais: a alegação de que […]
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