Tuesday, October 9th, 2007...14:58
Corporativismo
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Relativamente ao aumento do número de vagas em Medicina, discordo do Bruno.
A medida do governo, face aos bloqueios existentes, é positiva, embora o ideal fosse a abertura de novas faculdades de medicina e o fim (ou pelo menos substancial redução) das fortíssimas barreiras corporativas à entrada no sector.

11 Comments
October 9th, 2007 at 15:18
Caro André,
Como já escrevi aqui e também no meu blog, esta medida demonstra um completo desconhecimento dos problemas do nosso Sistema de Saúde.
1. A média de clínicos por habitante em Portugal é superior à media europeia.
2. Correia de Campos fez um anúncio sem senso, sem planeamento, sem análise nem estudos que o justifiquem. Disse 2.000 como podia ter dito 3, 4 ou 5 mil.
3. Correia de Campos não explicou como vai conseguir formação pós-graduada para os mestres em Medicina.
4. Não venham com acusações de corporativismo. Tragam dados para a discussão. Quantos serviços fecharam por falta de médicos? Quantos médicos vai absorver o Serviço Nacional de Saúde nos próximos anos? Onde se vai buscar financiamento para pagar tanto médico?
Perante isto, a única conclusão que se poderá tirar é que o discurso da qualidade não foi mais que retórica. Correia de Campos não quer saber da qualidade.
October 9th, 2007 at 15:57
Em resposta ao comentário anterior, eu diria que, a demonstração mais cabal de que faltam médicos em Portugal está nos altíssimos preços praticados nas consultas privadas de medicina. Os preços são tão altos que chegam a ser muito superiores aos praticados numa cidade, por exemplo, suíça. Apesar de, em média, os suíços ganharem bem mais do que os portugueses.
Se houvesse suficientes médicos (e menos corporativismo médico) em Portugal, certamente que uma ida de rotina ao dentista ou ao pediatra custaria menos do que o que custa em qualquer outro país europeu. Pois que a tecnologia disponível no consultório é a mesma, os valores das rendas são frequentemente muito inferiores, e os salários dos médicos não deveriam ser superiores.
October 9th, 2007 at 16:00
A questão não é saber quantos médicos o Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai absorver. O objetivo do SNS é dar saúde aos portugueses, não é dar emprego aos médicos. Se os médicos não encontrarem emprego no SNS, têm diversas soluções - empregarem-se em hospitais privados, exercerem clínica em consultórios privados, ou emigrarem. Isso será lá com eles, médicos. O SNS não tem nada que dar emprego a todos os médicos que se formem.
October 9th, 2007 at 16:03
Eu diria que, se não houvesse “fortíssimas barreiras corporativas à entrada no setor”, haveria certamente muitos mais médicos estrangeiros a trabalhar em Portugal. Pois que os preços praticados, por exemplo em consultórios privados, são muito mais altos do que na generalidade dos países da UE. Pelo que médicos, mesmo da UE - já sem falar de médicos da Ucrânia ou da Palestina ou doutro sítio qualquer - teriam grande atração por instalar-se em Portugal.
October 9th, 2007 at 16:16
Caro Luís Lavoura,
A questão essencial prende-se com isto: os probelmas do Sistema Nacional de Saúde e do Serviço Nacional não se prendem com a falta de médicos. Aumentar as vagas em Medicina não resolve o problema, sobrecarga as despesas do Estado e compromete a qualidade da formação. O Ministro não deu nenhum argumento válido que justifique o número apresentado.
Quanto as preço das consultas, concordo parcialmente consigo. No entanto, é preciso ter em conta que se o Serviço Nacional de Saúde cumprisse a sua missão de forma eficaz, o número de pessoas a recorrer a consultas privadas iria diminuit e, pela lei da oferta e da procura, o preço dessas consultas também baixava.
Por outro lado, ainda bem que levanta a questão dos dentistas: a formação de médicos dentistas está liberalizada e existem vários cursos em universidades privadas. Isto não significa que as consultas de Medicina Dentária sejam acessíveis a grande parte da população, sendo mais caras em Portugal do que em algumas cidades da Holanda, por exemplo.
O problema não está na quantidade de profissionais mas sim na organização do sistema e o que me preocupa seriamente é a degradação iminente da qualidade da formação médica.
October 9th, 2007 at 16:19
A questão da “imigração” de médicos de países da UE é interessante, mas é preciso ter em conta que se um médico estrangeiro pode estabelecer-se com facilidade na Holanda, por exemplo, se apenas souber falar inglês, o mesmo não se aplica a Portugal. A barreira linguística e importância da comunicação na relação médico-doente são factores que tornam Portugal um país menos atractivo do ponto de vista da imigração médica.
Aos temas que andam em torno na Medicina não podem aplicar-se os princípios da Economia sem ter em conta com todos estes condicionalismos.
October 9th, 2007 at 16:21
Assinei Pedro L Morgado porque estou com dificuldades em comentar neste blog e n’O Insurgente também. Sou considerado spam pelos respectivos filtros!!!!
October 9th, 2007 at 16:26
[…] que o André precipita-se no seu comentário ao aplaudir a medida do governo. […]
October 9th, 2007 at 16:53
Caro Pedro Morgado, deve ser da inicial, não sei, porque não há nenhuma indicação nesse sentido. Talvez se colocar o seu blogue no sítio certo, deixe de acontecer isso, já experimentou?
October 10th, 2007 at 1:47
[…] caso concordo com praticamente tudo o que o Luís Lavoura escreveu nos seus comentários a este meu post: [A] demonstração mais cabal de que faltam médicos em Portugal está nos altíssimos preços […]
October 10th, 2007 at 11:19
Desculpem-me, mas esta discussão parece-me pouco sustentada.
O rácio médicos/100 000 habitantes é mais alto que a média europeia, de facto, mas chamo a atenção para o facto desta contabilidade se fazer, actualmente, à custa de anos em que o número de entradas em Medicina atingiam ordens de grandeza que nada têm a ver com as actuais. Lembro-me dos comentários de colegas com mais 10 anos que eu, do tipo “no meu ano deveríamos ser para aí uns mil, só no meu curso”… estamos a falar de meados dos anos setenta, dos médicos que actualmente têm entre 50 e 55 anos, ainda no activo, portanto.
Estou sem tempo e não me apetece entrar em discussões “porque sim”, quando tiver mais disponível talvez aqui venha de novo, mas sempre deixo duas questões que me parecem importantes - Correia de Campos referia-se a uma eventual carência de médicos no SNS? Que SNS?
Cumprimentos,
Ps: Só um apontamento, Luís Lavoura, se há área onde a lei da concorrência é pouco linear é a Medicina. Eu, enquanto doente, quando opto por uma assistência médica privada, prefiro pagar mais e ter a certeza que vou ser atendida por AQUELE clínico, e quer parecer-me que não sou a única…
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