Wednesday, October 10th, 2007...21:46

Aguentem II

Jump to Comments

Daniel, o objectivo das empresas é o lucro. Qualquer tipo de acto que pratiquem tem só e apenas esse objectivo.

Se a TVI, a SIC ou a SONAE decidem despedir um dado funcionário, ou optam por defender uma linha política fazem-no porque pensam que este comportamento lhes vai permitir obter uma vantagem que a curto, médio ou longo prazo se vai converter numa vantagem económica. Essa vantagem pode-se até consubstanciar numa expectativa pouco, digamos assim, clara, como seja por exemplo a concessão de favores do regulador (no caso concreto das televisões), mas será sempre com base numa expectativa de lucro futuro. Mas essa possível consequência não é mais que fruto do excesso de Estado na nossa Economia, são estas as regra dum jogo que tu, na essência, apoias (desculpar-me-ás se assim não for).

Mesmo em países com imprensa perfeitamente definida em termos ideológicos (como a Espanha) a decisão económica precede a decisão política. Um jornal de esquerda só nasce se os seus accionistas acreditarem que existe mercado para que o produto se torne rentável.

O “ pormaior” disto tudo é o facto de serem os investidores a decidir o que fazem com o seu dinheiro: se vão fazer um jornal de esquerda ou direita ou se vão despedir ou contratar aquele individuo em função de uma determinada expectativa. No limite, não tenhas dúvidas, só o vão fazer se pensarem que isto lhe vai trazer mais vil metal.

No Estado nada disto se passa: as instituições ligadas a este apenas se preocupam

(e bem, digo eu) com a questão política. Nós elegemos políticos, não elegemos gestores. Eu só queria um merceeiro a gerir o Estado se todas as mercearias pertencessem ao Estado.

É por isso que digo que o Estado pode e deve substituir a administração da RTP, pôr o Vara a gerir as participadas da Caixa, criar uma operadora de telemóveis nos CTT e colocar o Tino de Rans a geri-la. Estas empresas são instrumentos da política do Governo e, como é claro, deve ser o pessoal político do partido no poder a geri-las.

Quem defende o Estado nessas empresas não pode deixar de aceitar isto.

Não se pode querer sol na eira e chuva no nabal.

7 Comments

  • “Daniel, o objectivo das empresas é o lucro. Qualquer tipo de acto que pratiquem tem só e apenas esse objectivo.”

    Penso que o objectivo das empresas privadas é o que os seus proprietários quiserem, seja o lucro ou outra coisa qualquer.

  • André Azevedo Alves
    October 10th, 2007 at 23:37

    O post é bom, mas o comentário do Miguel Madeira é ainda melhor.

  • “Penso que o objectivo das empresas privadas é o que os seus proprietários quiserem, seja o lucro ou outra coisa qualquer.” MM

    “O post é bom, mas o comentário do Miguel Madeira é ainda melhor.” AAA

    :-) Can’t get any better than this. I rest my case e vou de férias.

  • André Azevedo Alves
    October 11th, 2007 at 1:43

    “Can’t get any better than this. I rest my case e vou de férias.”

    Isso é que não pode ser. O Colectivo exige a tua presença! ;)

  • “Penso que o objectivo das empresas privadas é o que os seus proprietários quiserem, seja o lucro ou outra coisa qualquer.”
    Concordo plenamente. Só não percebo, neste contexto, a razão de ser do coro de protestos acerca da interrupção da entrevista de Pedro Santana Lopes (na SIC Notícias) para transmitir a chegada de Mourinho. E o mais estranho é que os mesmos liberais que agora concordam com esta afirmação fizeram parte deste coro de protestos (ou de apoio a PSL).

  • Bom dia. Devemos ter presente que as estações privadas de TV têm uma concessão do Estado, tendo, por isso, como objectivo não apenas os interesses dos accionistas (seja o lucro ou outra coisa qualquer) mas também as obrigações que decorrem da sua natureza de “concessionárias”.

  • simãododeserto
    October 11th, 2007 at 11:29

    Quer-me parecer que este post é muito ingénuo.

Leave a Reply

eXTReMe Tracker