Thursday, October 11th, 2007...23:35

Eu também voto Roth

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A decisão de atribuir o Nobel da Literatura a Doris Lessing «corresponde a pura correcção política». A sua «obra dos últimos 15 anos é ilegível». Trata-se de «ficção científica de 4ª ordem».Não sou eu que o digo. É Harold Bloom (que nestas coisas, dizem, tem um pouco mais de autoridade do que este vosso blogger).
Resta-me registar, para memória futura, que se me tivessem convidado para fazer parte do júri eu teria votado Roth. E a Academia Sueca talvez tivesse evitado fazer esta triste figura. Para a próxima não se esqueçam.

Eu voto Roth, de Pedro Norton, no Geração de 60

20 Comments

  • Não quero reatar uma velha discussão aqui do blogue da Atlântico, mas se vamos buscar Bloom devemos lembrar-nos que este é um grande admirador da obra de Saramago, outro galardoado com o Nobel da literatura, e não há muito tempo.

    Mas realmente, e olhando para este e alguns “prémios” dos últimos anos, gota a gota, causa a causa, o prémio Nobel da literatura vai perdendo alguma credibilidade.
    Mas se se confirmarem as expectativas em relação ao Nobel da paz…isso sim, é que vai ser rir!

  • André Azevedo Alves
    October 12th, 2007 at 1:18

    “(que nestas coisas, dizem, tem um pouco mais de autoridade do que este vosso blogger)”

    Se eu não andasse actualmente muito moderado era capaz de fazer a defesa literal do “um pouco mais”, mas como me sinto com um espírito conciliador não vou comentar as opiniões do Sr. Bloom.

    Já quanto ao Nobel da Paz, seria de facto um fartote se ganhasse Gore…

  • Daniel Oliveira
    October 12th, 2007 at 3:09

    Eu nunca li nada Doris Lessing. Já leu, Paulo?

  • Já li um livro de Philip Roth e é de facto excelente.

  • mais noticias de “estupida correcção política” e “apaziguamento” de macho omega :
    http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=864296&div_id=291

  • Partilho a curiosidade do Daniel…

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    October 12th, 2007 at 16:13

    Não, não li. Mas, para além de outros indicadores, confio na opinião de Harold Bloom. Já agora, a shynogud, leu?

  • Comparar a dimensão da obra do Roth com a da Lessing, aliás, só se admite de quem nunca leu Lessing ou Roth. E não falo da quantidade. E também não é preciso ser de esquerda, recomendo o post da Patrícia Lança, http://www.oinsurgente.org/2007/10/11/uma-premiada-com-merito-especial/.

    De resto, se há autor que, apesar de lhe achar alguma piada, considero representativo da “aurea mediocritas”, do mainstream cultural, é o Roth. Mas adiante. O que não se entende é que alguém desmereça uma autora que desconhece de todo e lhe aponte defeitos concretos sem qualquer base, por puro apriorismo.

    Já agora: a senhora nasceu no Irão mas cresceu na antiga Rodésia, e isso sim talvez explique qualquer coisa acerca da enorme dureza do seu olhar.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    October 12th, 2007 at 18:24

    1. FuckItall, pergunto-lhe o mesmo que me perguntaram Daniel Oliveira e shynogud: alguma vez leu Roth? Ou Doris Lessing?

    2. Eu disse que também votava Roth, mas o poste é uma citação de um texto de Pedro Norton.

    Obrigado.

  • Paulo, começo por pedir desculpa pela confusão, há qualquer coisa no grafismo deste blog (que é muito bonito) que me baralha e põe com frequência a dizer asneiras (mais que o meu hábito).

    Julgo que se depreende do meu comentário que li Doris Lessing, muito, e tenciono continuar. E li algumas coisas do Roth (mas deste estou a ficar farta, há limites para o meu interesse pelo tema dos homens-na-terceira-idade-que-fazem-muito-sexo, e ao fim de 4 livros ainda não descobri nele outro assunto).

    Deixando de lado a comparação, que não vem especialmente a propósito a não ser pelo Nobel: a Doris Lessing é muita coisa, mas defensora de qualquer mainstream ou “correcção” política é que não é nem foi nunca de certeza. Não me parece que lhe esteja na alma…

  • Para variar, ficou a faltar-me um bocadinho de verborreia: a identificação do Bloom com um olhar literário idealista talvez explique o facto de não gostar da Lessing. E de não gostar seja do que for temos todos direito. O que é diferente de fazer colagens injustas. O politicamente correcto não explica tudo o que se passa no mundo, nem sequer nos Nobel (embora aqui, concordo, costume explicar muita coisa).

  • Já, já li e se quiser recomendo-lhe uns quantos títulos (porque a senhora não só escreveu muito como quase tudo o q escreveu é de enorme qualidade). Depois de ler terá, então, autoridade para se pronunciar sobre a qualidade literária do nobel deste ano (um dos mais merecidos de q me lembro).

    Cumprimentos

    Shyznogud (aka Maria João Pires)

    (Nota: publicado - acidentalmente noutro post, agora sim no post correcto! - por um amigo da casa, por dificuldades da comentadora nessa empreitada.)

  • aaah, agora já consigo comentar mas uma alma simpática já pôs aqui aquilo q eu tinha pedido, há umas horas atrás por mail, para ser enviado ao PPM (daí a assinatura com o nome). Entretanto, e não surpreendentemente, encontro alguém, q conheço bem demais, a comentar. Como sou menos civilizada que a Fuckit acrescento que não é nada bonito, mas não deixa de ser cómico, perceber que há coisas q se escrevem por puro e duro preconceito e apriorismo ideológico.

    (by the way, resolvam lá o problema de html ou q raio e, q me impede - e presumo q não sou caso único - de ler comentários ou escrever o q quer q seja nestas caixas, aparecendo-me a seguinte mensagem: “Easy, tiger. This is a 404 page.

    You are totally in the wrong place.

    Do not pass GO; do not collect $200.

    Instead, hit that “back” button on your browser, and get it right next time, eh?”)

  • […] do pouco que li de Roth (mas sou levado a pensar que se lesse mais uns talvez concordasse com a Fuckitall). Daí a gritar - ainda para mais sem conhecer alguns dos outros concorrentes - que o Nobel este […]

  • Infelizmente, o post de Paulo Pinto Mascarenhas só vem confirmar que a direita neo-liberal portuguesa pouco difere, nos seus preconceitos, do estalinismo serôdio. Os extremos tocam-se…

  • Que feirinha de vaidades e postura em bicos dos pés que para aqui vai, meu deus, nha,nha, a minha é maior ca tua!!!…

  • Para que isto não feche com a apalermada denúncia do invejoso de serviço que nada tem para dizer, apetece concluir com: o Paulo só pode estar a gozar.!
    É um problema grave não ter sentido crítico nenhum e pedi-lo emprestado sempre aos mesmos. Quando os conhecimentos literários são mais reduzidos do que as vendas da Atlântico talvez um pouco de humildade ficasse bem a quem se pronuncia. E o problema nem reside em saber se o Paulo leu a D. Lessing ou não. O prioblema encontra-se a meu ver na forma apologética com que se pega no Bloom só porque ele nos serve. Cinismo?
    Como alguém aqui referiu, Bloom adora Saramago, mas o Paulo não o secundaria com certeza. Eu por acaso acho que Bloom está coberto de razão em relação a Saramago. E dificilmente Roth receberia sequer um trezentos avos dos elogios que Saramago recebe. Portanto há duas coisas que devem aqui ser separadas: primeiro, por que usar o Bloom quando ele é crítico da Lessing; segundo porquê esta monomania com Roth por parte do lado Atlântico?
    Roth explica-se com a falta de conhecimento literário, obviamente. Como alguém aqui disse já não pachorra para o Roth estar sempre a escrever sobre a sua perda de tesão. Em vez de Roth, eu escolheria bem mais depressa - se quisermos um americano - uma Joyce Carol Oates, essa sim uma inovadora na escrita e uma escruitora de mão-cheia. Assim ficávamos todos contentes: mulher e americana.
    Um outro aspecto é achar que o Nobel, só por esta vez é que foi enviesado. Passa pela cabeça d’alguém dar o Nobel da literatura a Churchill? Apesar dos dotes verbais do homem, é um chato insuportável. É um bocado como dar o nobel da paz a Al Gore.
    Se desfiarmos a lista de prémios anteriores - para o que basta ir à Wikipedia - encontramos nomes como Szymborska ou Quasimodo -, o Paulo já leu? A Szymborska que é poetisa e polaca, mas não creio que meio-mundo lhe tenha alguma vez posto a vista em cima. O que eu quero dizer com isto é que protestar com este Nobel em particular porque se deveu a outras causas que não a qualidade literária pressupunha que todos os outros nobel fossem absolutamente consensuais. Dar o nobel a Solzshenitsyn em 70, mas por que cargas d’água? Por excelência literária? O Nobel podia ter sido facilmente dado a Nabokov que alguém no seu perfeito juízo tem dúvidas em afirmar que é incomparavelmente melhor do que o seu compatriota Solzshenitsyn? Se calhar o Paulo diria - por razões completamente diversas da qualidade literária.
    Onde eu quero chegar, é que embirrar com este nobel porque foi dado a uma feminista, é sobretudo embirrar com as feministas e não com a qualidade literária de Lessing.
    Concluo dizendo que não fico particularmente eufórico com Lessing. Mas em minha opinião o último Nobel justamente atribuído foi a Coetzee. Quem actualmente merece o Nobel, se o critério fosse a qualidade literária, não é Roth - embora possa este vir a figurar na galeria que não me impressiona - é Lobo Antunes.

  • […] de ler? - o meu comentário sobre a atribuição do Nobel da Literatura a Doris Lessing, repito que me limitei a concordar com um texto que não era assinado por mim e a dizer - apenas no título - que também votaria em Philip Roth. O texto em causa era de Pedro […]

  • Curioso como o PPM engoliu e calou sem sequer pedir desculpas à Fuckitall. Diz muito.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    October 15th, 2007 at 13:23

    Igor, não engoli coisíssima nenhuma. Já disse o que tinha a dizer. Respeito a opinião dos outros e não peço desculpas pela minha.

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