Wednesday, October 17th, 2007...17:59
“Ideias e Debates”, right?
Dificilmente se encontraria um tema tão bom quanto a eutanásia para uma edição temática de uma revista de ideias e debates. Seria fácil reunir opiniões diversas e contraditórias sobre o tema do ponto de vista teórico - filosófico, ético, religioso - assim como um trabalho de jornalismo sobre o que se passa no mundo sobre este assunto, com factos, números e testemunhos, e mais uma ou outra entrevista a pessoas envolvidas no tema, seja pessoal ou academicamente. E mais ainda. A polémica, ingrediente essencial num debate, estaria garantida.
O facto de o tema não estar na agenda política do momento seria um bónus por várias razões. Primeiro, demonstraria que não se anda apenas a reboque do que se vai passsando lá fora, ou seja, demonstraria iniciativa e visionarismo. As grandes revistas, como a ‘Economist’, fazem isso mesmo: lançam debates antes de as coisas acontecerem. Antecipam-se. Sem medo.
Segundo, sinalizaria uma aposta na análise aprofundada de temas não necessariamente confinados ao que se vai passando no dia-a-dia do país sobre a análise do quotidiano da nossa política, que, por muito que nos esforcemos, nem sempre pode passar do superficial e relativamente banal. Não se fazem boas esculturas sem boa pedra. O tema da eutanásia permite digressões muito interessantes do ponto de vista intelectual, o que não quer dizer que elas sejam muito ”relevantes” - e claro que uma revista, de ideias e debates ou de outra coisa qualquer, tem de fazer pela vida. Caso houvesse vontade, isto ajudaria a um reposicionamento da revista no mercado de ideias e debates.
Terceiro, e dadas as inclinações da revista - nada sectárias e certamente não fechadas, antes inspirados em ideias liberais e conservadoras claramente (e ainda bem) assumidas, que bem conhecemos -, ganhar-se-ia o ainda por se lançar um debate que, quer queiramos ou não, mais tarde ou mais cedo vai acontecer, e que previsivelmente será/seria encabeçado por áreas mais à esquerda do que a revista (o que é uma infelicidade que só contribui para a ideia de que liberais à direita são tão comuns quanto os esquerdistas deste país que se sentiriam mal em vestir uma camisola do Che). Sinalizar-se-ia ter coragem, não ter tabus.
Claro que a não opção por isto que sugiro não significa que se enviem sinais contrários aos que proponho (e digo isto muito sinceramente, sem qualquer ironia). Calma, minha gente. Acho que é uma oportunidade que tem alguns riscos e vários benefícios. Mas também é verdade que prefiro ler coisas interessantes e relativamente inúteis do que saber, por exemplo, qual foi o nível de decibéis alcançado no último discurso de Ribau Esteves.

4 Comments
October 17th, 2007 at 18:09
Tiago, a eutanásia já foi capa e tema em “n” revistas. Não me parece que seja um tema propriamente original. Mas proponho já uma edição para Janeiro com um frente a frente de opiniões entre a Fernanda Câncio e alguém à nossa escolha.
October 17th, 2007 at 18:32
“entre a Fernanda Câncio e alguém à nossa escolha”
Que escolha tão curiosa, a FC. Que eu saiba, a FC é uma jornalista. Não é uma política. Claro que a FC tem opiniões políticas, tal como qualquer jornalista ou qualquer pessoa. Mas é deveras curioso que se entreviste uma jornalista para ela fazer o papel de política. Não se arranjará, mesmo, qualquer político assumido para fazer o papel?
Permito-me dar uma dica interessada (na medida qem que sou militante) ao PPM: o Movimento Liberal Social é um movimento assumidamente político e é a favor da eutanásia.
Não precisa de recorrer a jornalistas para fazerem o papel de políticos.
October 17th, 2007 at 18:46
E’ de notar que a enfase do meu post recai sobre a academia, sobre aqueles que dedicam a sua vida ao estudo deste e de outros problemas eticos e morais - e claro que isto nao diz nada sobre a estima e sobre o que eu penso da Fernanda ou do MLS (nao o quero deixar sozinho, Luis).
October 17th, 2007 at 19:06
Ideias e Debates, já agora.
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