Wednesday, October 17th, 2007...18:45
Sobre o post do Rodrigo
O Rodrigo Adão da Fonseca escreveu ali em baixo um post sobre cuidados paliativos e eutanásia, a propósito de algo que a Fernanda Câncio escreveu e eu não li, tirando o excerto que ele cita. Estou de acordo com muita coisa – sobretudo quanto à prioridade da questão dos cuidados paliativos. Por uma razão simples. Ela interessa a muito mais gente do que a da eutanásia. Muito mais gente sofre terrivelmente a morrer do que aquela que se encontra na situação de escolher entre viver diminuído, ou diminuidíssimo, e morrer, e que acha a segunda solução de longe preferível à primeira. Dito isto, e contando com os problemas jurídicos complicados da coisa, creio que a eutanásia deve entrar em ordem, com as cláusulas todas necessárias, nos nossos costumes. Quando o suicídio – inteiramente admissível e infinitamente preferível - não for já, por uma razão ou outra, possível. Mas o problema dos cuidados paliativos é muito mais importante. Temos todos o “duro desejo de durar”, e não se pode fingir que não é assim. Mas pode-se, e deve-se, fazer com que, na altura própria, o que em nós quer durar desapareça com o mínimo de dor. E, pelo que ouço, não se faz o suficiente por isso. Há muita pressão a fazer sobre médicos e outra gente que trabalha em hospitais para que se faça, no capítulo, o que se deve fazer.

11 Comments
October 17th, 2007 at 19:33
apetecer-me-ia dizer que chegou o bom senso, não fosse dar-se o caso de não ter chegado — aqui a temos, de novo, à dicotomiazinha.
should i say it in english, then? i will, because i know paulot loves it so much: we can have both. we don’t have to choose. there’s is no relation whatsoever between allowing euthanasia and improving cuidados paliativos (não me apeteceu ir ver como isto se escreve em inglês, sorry). so, it’s kind of senseless (to put it mildly) to say that one is much more important or relevant than the other. and when you say it you’re establishing a dicotomy. which is where i started, exactly. so this is getting kind of boring.
October 17th, 2007 at 20:53
Escrevi um post sobre um post do Rodrigo, e sobre um asunto que, por variadíssimas razões que aqui não vêm a propósito, me interessa particularmente. A Fernanda Câncio escreveu um comentário - no estilo garrido e street-wise que afecciona - que me limito a comentar, por minha vez, num único ponto: percebo muito bem que as banais coisas da diminuição do sofrimento não emocionem por aí além a Fernanda Câncio; e percebo perfeitamente que ela prefira o mais “fracturante”, pois o “fracturante” é a sua razão de ser. É com ela e não a censuro. Não tenho é que falar com ela disto. Estava a falar de coisas sérias. Sobre coisas sérias só falo com pessoas sérias.
October 17th, 2007 at 21:12
então não deve importar-se que ache a sua resposta de morrer a rir (sem necessidade de eutanásia, portanto). get a life, paulot.
October 17th, 2007 at 21:19
Caro PauloT, a eutanásia ( e o eugenismo)mais não é do que o regresso do homem à barbárie e à selva ( de betão) . Heil, então, Dr. Mengele, o nazismo venceu, encapotadamente é certo, mas venceu…
A seguir virá o o quê? O suicídio em massa, quiçá assistido, subsidiado? E, numa segunda fase, em salas de chuto, ou em salas de tiro?
October 17th, 2007 at 21:57
Caro Carlos Fernandes,
A eutanásia está longe, desculpe, de ser unicamente o que diz. É muito mais complicado. E, apesar dos mil e um problemas da coisa (entre os quais o problema primacial da delegação da vontade, que no suicídio obviamente não existe), não há consequência dela ao que refere.
Paulo Tunhas
October 17th, 2007 at 22:06
Caro Paulo Tunhas,
Desculpe, mas eutanásia é um eufemismo criado para não se usar o seu sinónimo mais directo e impactante: suícidio.
Quanto à delegação da vontade, não vejo diferenças entre alguém se matar pegando numa pistola (ou para usar o tal eufemismo mais soft, se eutanasiar) ou se pedir a alguém que pegue na pistola por ele e lhe desfira um tiro, o resultado final é exactamente o mesmo.
October 17th, 2007 at 22:14
Caro Carlos Fernandes,
Desculpe. Há uma diferença abissal entre alguém dar um tiro na própria cabeça e entre outro alguém (a pedido do primeiro) lho dar. O primeiro gesto goza de uma legitimidade, do meu ponto de vista, indisputável. O segundo só é legítimo com muitas cláusulas.
Até amanhã,
Paulo Tunhas
October 18th, 2007 at 10:19
Precisamente porque os cuidados paliativos interessam a tanta gente, seria bom pensarmos na questão crucial: quem os paga? Essa é que é a questão que o Paulo Tunhas deveria abordar, e que eu estou à espera que ele aborde.
Querer cuidados paliativos, muitos e bons cuidados paliativos, à borla - isso é fácil. O que interessa é debater quem os deve pagar.
October 18th, 2007 at 12:46
Caro Luis Lavoura,
Como imaginará, não tenho fórmula na matéria. Mas eu referia-me sobretudo à minorização da dor. Suponho que não é por aí que se gastarão fortunas. É uma das únicas coisas que me irrita - e indigna, até à irracionalidade, confesso - que não se faça tudo para que a dor seja diminuída o mais possível a quem está a morrer dolorosamente. Contaram-me há tempos a história verídica de um médico que contava as pinguinhas a morfina dada ao moribundo - parar ele não se viciar. Tudo o que seja, nestas matérias, não concentrar todo o esforço nisto, que acontece, de um modo ou outro, a um número incalculável de pessoas, parece-me criminoso. Se eu fosse jornalista, dedicava-me a investigar a coisa em detalhe. Com sorte e algum talento, as coisas poderiam ser modificadas.
Paulo Tunhas
October 18th, 2007 at 15:30
E sobre a eutanásia e os cuidados paliativos na vida política, não se diz nada ? Os segundos são o que os EUA estão a administrar ao macaco moribundo da Casa Branca. Custam centenas de biliões, milhares de vidas humanas em GI’s e mercenários “água preta”, além de dezenas de milhares de despernados, manetas, cegos, e outras “geules-cassées”, e do outro lado então… um milhão de mortos e um ódio que levará séculos a vingar.
Não seria melhor eutanasiar o primata acéfalo numa daquelas camas texanas com correias de couro onde ele mandava entanasiar criminosos com um currîculo muito inferior ao seu ? O que não se poupava ! Definitivamente, sou a favor da eutanásia para toda a neo-coneiragem… e sobretudo, nada de paliativos. O que eles merecem é mesmo uma morte macaca… Acabava-se-lhes a toinice…
October 18th, 2007 at 19:41
Euroliberal, e para o Bin Laden não se arranja nenhuma eutanaziazinha, tipo um mini-avião com uma granada a entrar-lhe pelas goelas?
Bush pode ser um imbecil, mas criticar sem mais e não entender que o Iraque foi a verdadeira reacção ao 11 de Setembro não será certamente muito inteligente…
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