Thursday, October 18th, 2007...13:21
Apostas e expectativas
As cotações mudam apenas quando entra nova informação no mercado. Mas essa informação tem que ser verdadeiramente nova para todos os agentes.
Se considerarmos variações meramente teóricas, a informação apenas tem de ser nova para algum dos agentes e não todos, desde que exista uma expectativa de que ela será revelada no futuro - e isto porque um investidor tem de ter em conta não apenas a informação que possui, mas o modo como prevê que a acção evolua - para o que importam as expectativas dos outros (em mais do que um nível), como escrevi aqui. Nem sequer é preciso ter em conta o peso do agente.
A complexidade adicional garante que a informação dispersa por vários agentes será reflectida nos preços. E garante que os agentes melhor informados contribuem mais para a formação dos preços. O que implica que os preços refletem muito mais a honestidade ou a falta de honestidade da administração do BCP do que as notícias.
Percebo o ponto do João Miranda, mas os preços - passados - o que reflectem é o impacto dessa maior ou menor idoneidade neles mesmos - preços passados. Mas se a informação sobre essa possível menor idoneidade vem a público, não é nada lícito que a incorporação do valor dessa maior ou menor idoneidade seja a mesma, exactamente por haver novas informações que são partilhadas agora por todos - e sendo que nem todos têm as mesmas preferências quanto a muita coisa, nomeadamente aspectos de corporate governance.
Por exemplo, se apesar de o impacto de uma pequena falcatrua ser pequeno, ela implicar a saída de alguém tido como muito valioso na condução dos destinos do banco, ou se ferir a imagem (sim, importa maximizar o valor do accionista, mas há um mínimo de regras a cumprir - formais e informais - para se sobreviver e vencer num mercado real, de pessoas reais, com clientes reais) desse banco, é possível que essa informação se torne relevante pelas suas consequências.
O ponto fundamental é que essa informação sobre um acontecimento passado pode mudar consideravelmente as expectativas que os investidores têm quanto ao comportamento futuro de um banco. Não há aqui grande moralismo. Há informações que levam à perda de confiança dos investidores, que mudam expectativas e mal estaríamos se isso não implicasse uma actualização de uma série de beliefs acerca da empresa em questão.

6 Comments
October 18th, 2007 at 13:39
“O ponto fundamental é que essa informãção sobre um acontecimento passado pode mudar consideravelmente as expectativas que os investidores têm quanto ao comportamento futuro de um banco. ”
Só no pressuposto que essa informação é inteiramente nova. Mas será? Para já, nunca o saberemos. Além disso, o montante de provisões para crédito incobrado era já conhecido em termos de “passado”.
Segundo, o estilo da administração Jardim é conhecido há muito. A percepção desse “estilo” mudou assim tanto com essa “nova” informação?
E como já disse, mesmo que seja inteiramente nova para todos, a “saida de alguém valioso” para uns pode ser visto como uma boa oportunidade de mudança para outros.
October 18th, 2007 at 14:18
Caro CN,
O price target do BPI subiu segundo alguns analistas para 7,5…
October 18th, 2007 at 15:54
O j. miranda ainda não percebeu bem o livro que esteve a estudar no outro dia. Mais alguns dias e conseguirá arranjar uma nuvem de argumentos que impedirá qualquer um de raciocinar com exactidão.
October 18th, 2007 at 16:49
Muitos accionistas do BCP estavam convencidos que as falcatruas no BCP até eram bem maiores do que aquelas que agora vieram a público. Os accionistas não são ingénuos.
October 19th, 2007 at 10:40
Afinal a nova informação nunca devia sequer ter sido informada .
“BCP avança com uma queixa-crime contra incertos por violação do sigilo bancário”
October 19th, 2007 at 11:51
Muito interessante a formulação matemática. Mas isso deve ter aplicação apenas em robots.
A questão da “de natureza y” é não só subjectiva como indeterminável (ou seja, não modelizável…).
Afinal a nova informação nunca devia sequer ter sido “informada” .
“BCP avança com uma queixa-crime contra incertos por violação do sigilo bancário”
Será que a “nova” informação mesmo nova, não será apenas e tão sómente que existiu quebra de sigilo bancário?
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