Thursday, October 25th, 2007...23:03

A visita do Czar

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A demonstrar-se a recepção pomposa ao czar Putin hoje em Lisboa, não se espera uma posição forte da UE para fazer face aos interesses da Rússia amanhã em Mafra. Está na hora da UE bater o pé e mostrar a Vladimir Putin que a sua esfera de influência não pode ser o que era e que o gás não pode ser forma de chantagem política.

A instalação de um radar na República Checa e um sistema de misseis na Polónia é cada vez mais essencial, por dois motivos. Primeiro, para acabar de vez com a ideia de que a Europa de leste continua a ser uma região de influência russa (a emergência de democracias de cariz atlântico constitui uma dor de cabeça para o Kremlin). Em segundo lugar, porque a única forma de lidar com esta Rússia não passa por uma estratégia individual de cada estado. Putin tem a lição bem estudada de Maquiavel. Se um imperador deseja manter o seu império intacto, o essencial é que os seus vizinhos se mantenham divididos para que não o ameacem.

3 Comments

  • Francisco rodrigues
    October 26th, 2007 at 2:50

    Com Putin ( e o petróleo e o gás), voltou lentamente ao poder uma geração nostálgica da URSS baseada no antigo KGB- no que se poderá considerar mais um grande erro estratégico de Clinton em não dar apoio suficiente a Yeltsin!
    Tendo dificuldade em aceitar as regras democráticas, bem como a soberania e independência dos povos, os ex-KGB assumem atitudes arrogantes, sentados sobre as imensas riquezas naturais, tendo “convencido” Schroeder e anestesiado Chirac.
    Esperemos que Merkel e Sarkozy( que já deram mostras de coragem e lucidez) saibam colocar os ex-KGB nas suas fronteiras e apoiem a soberania da Polónia e Rep. Checa em fazer acordos com quem quiserem…

  • Aquilo que o Bruno nos propõe é que, contra a visão imperial da Rússia, coloquemos uma visão imperial da Europa (ou do “Ocidente”, como ele preferir).

    Mas eu não gosto de impérios.

  • “Aquilo que o Bruno nos propõe é que, contra a visão imperial da Rússia, coloquemos uma visão imperial da Europa (ou do “Ocidente”, como ele preferir).”

    Sinceramente não vejo nenhuma visão imperial da Europa, mas gostava de perceber como é que o Luís Lavoura lidava com esta Rússia de Putin de uma forma eficaz, sem ser desta forma.

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