Friday, October 26th, 2007...0:02
Talibanismos
Nada tenho contra conversas de café, especialmente se o café for bom. Os blogues, muitas vezes, traduzem um certo ambiente de tertúlia que se tinha perdido. Mas, até nas conversas ligeiras, irrita-me um pouco a ligeireza dos pensamentos definitivos.
[em boa verdade este facilitismo impressionista passou-se para os jornais e para os comentadores “profissionais”: ouvi-los opinar sobre o que conhecemos bem provoca náusea]
Vem este pequeno intróito a propósito de alguns comentários que li em variadíssimos lugares sobre o cientista americano James Watson. Por razões profissionais conheci-o quando esteve em Lisboa, há poucos meses. Foi uma experiência única e não olvidável. Com 79 anos, James Watson é um génio, um ícone, uma demonstração biológica da superioridade humana. Mas é também um homem simpático, afável, genuíno e pouco dado à correcção (He once commented to a fellow scientist – perhaps optimistically – that “the time was surely not far off when academia would have no choice but to hand political correctness back to the politicians”, Sunday Times).
Foi julgado com a severidade dos fanáticos, incapazes de usar a mesma brutalidade quando o alvo lhes sorri um pouco mais. O que me incomoda neste caso não são as declarações de James Watson de 14 de Outubro, mas a facilidade com que o tentaram fuzilar sem o ouvir nem ler com a atenção que merece - e merece muita. Resta-me seguir o seu sábio conselho: “I try to use humour or whatever I can to indicate that I understand other people having other views”.

8 Comments
October 26th, 2007 at 0:46
Agradável poder ler alguém dissonante do facilitismo destes tempos que correm. Excelente post.
October 26th, 2007 at 1:02
“Com 79 anos, James Watson é um génio, um ícone, uma demonstração biológica da superioridade humana. Mas é também um homem simpático, afável, genuíno e pouco dado à correcção”
Eu não conheço o homem de lado nenhum, mas Bryan Appleyard diz que «The subject of Watson came up a few years ago when I was talking to some academics. They all murmured, ‘Wonderful man, great men.’ I said, ‘No, he’s not and you know it.’ At once they agreed and a torrent of Watson horror stories emerged.»
http://www.bryanappleyard.com/blog/2007/10/james-watson.php
Por outro lado, BA claramente não gosta de Watson, pelo que talvez essa história deva ser lida com um grão de sal.
October 26th, 2007 at 1:13
Excelente post.
Com conta, peso e medida contra os talibanismos.
October 26th, 2007 at 1:13
Mais nada, grande Vitor
October 26th, 2007 at 1:21
[…] Cunha sobre James Watson: Talibanismos. Foi julgado com a severidade dos fanáticos, incapazes de usar a mesma brutalidade quando o alvo […]
October 26th, 2007 at 1:47
Excelente post, viva o bom senso. Eu também não tenho nada a condenar nas declarações de Watson de 14 de Outubro.
October 26th, 2007 at 15:27
e a montanha pariu um ratinho!!
oh pá, o watson é um gajo porreiro. Eu sei que é. Conheci-o. Ele gosta de gargalhar.
Estes foram os únicos argumentos apresentados na critica da “ligeireza dos pensamentos definitivos” rien plus, mon chér….zieltsch, nada, nothing…
Os pensamentos de watson é que me parecem (cientificamente) muito ligeiros e decididamente definitivos.
October 28th, 2007 at 21:31
[…] Infelizmente, sem linques online, recomendo a leitura dos textos de JPC no “Expresso” de sábado e de Alberto Gonçalves no “DN” de domingo. A começar pelo que escrevem sobre James Watson. Contra os talibanismos. […]
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