Sunday, October 28th, 2007...18:39
Abaixo os políticos-calimero
(…) O líder referiu que o partido se sente “obrigado a apresentar uma proposta sobre a indisponibilidade da informação a que pais, estudantes e professores têm direito para saberem o resultados escolares em função daquilo que conta: o território, a região, o lugar, a estrutura social, o número de alunos levados a exame”. Esta é, segundo o BE, a única forma de “assumir o compromisso de usar essa informação para corrigir as distorções e para incentivar e actuar nas escolas que têm resultados mais eficientes”.
Ou seja, cosmética nos rankings. Os pais e alunos, e a comunidade escolar, não tem capacidade para filtrar os dados. Os portugueses são burros, e não conseguem perceber as diferenças de base que há entre cada escola, região, e essas coisas. O Estado, sim, deve explicar aos portugueses - e de preferência depois de ouvido o Dr. Louçã - que uma escola do interior é altamente eficiente porque conseguiu uma média baixa com uns pacóvios filhos de agricultores incultos. E que uma escola com meia dúzia de privilegiados não fez mais do que a sua obrigação. Só que a vida não é assim. Na hora de entrar na faculdade, ninguém quer saber se o aluno é ou não oriundo de um ambiente mais ou menos favorecido. Na hora de encontrar um trabalho, também ninguém quer saber desse princípio da eficiência muito particular que o Dr. Louçã quer transportar para os rankings. Nunca imaginei que o Bloco de Esquerda fosse a favor da estratificação social; a escola precisa de esforço e exigência, e não de políticos-calimeros, que favorecem a vitimização, e rotulam escolas, meios sociais, regiões. Há escolas que têm piores resultados por razões estruturais? Que todos saibamos que assim é; não para os recriminar, porque não há nada a recriminar, mas para que mereçam a atenção da respectiva comunidade escolar: pais, professores e alunos. Não se ajudam alunos nem escolas com paninhos quentes. Portugal não precisa do Dr. Louçã, nem de políticos-calimero. Mas de quem seja capaz de olhar os portugueses, olhos nos olhos, dizendo-lhes: quem se esforçar, pode melhorar de vida, quem não o fizer, ou tem pais ricos, ou está condenado à pobreza. O mundo é assim, desde que o homem é homem, e não são as utopias que o vão mudar.

7 Comments
October 28th, 2007 at 19:10
Eis como se prova em 2 simples posts q a propalada excelencia do Cedros é mto duvidosa,já q não ensina os seus alunos a não tirar conclusões abusivas de um ranking q,qto muito,permite comparar resultados dos alunos da mesma escola.Quem avançar com conclusões q não esta ou é burro ou intelectualmente desonesto.Espero q estejamos perante o primeiro caso ou lá se vai tb.a conversa do ensino de valores e da formção de carácter.
October 28th, 2007 at 19:28
“Portugal não precisa do Dr. Louçã, nem de políticos-calimero”.
Portugal precisa de pessoas que se esforçam: onde, como e em que meios. Há e de filhos ricos, muito ricos, estes estão sempre na maior.
Portugal precisa de uma revolução a sério para contrariar o RAF do sempre foi assim e assim será.
October 28th, 2007 at 19:45
[…] os atlânticos Abaixo os políticos-calimero […]
October 28th, 2007 at 21:23
Caro Blalab,
Para lá do ataque pessoal, o que se conclui do seu comentário?
Nada.
O que eu discuto é que os bons resultados em algumas escolas poderiam servir, se as pessoas não estivessem manietadas ideologicamente, para aplicar nas restantes.
Provavelmente, nada vai acontecer, e enquanto uns se organizam adequadamente, e conseguem a melhor educação para os seus, a maioria dos portugueses vão continuar a ter de entregar os filhos a uma escola que é uma lotaria.
Posso ser burro e desonesto intelectualmente, mas graças aos meus pais, que investiram em mim, e ao meu esforço, consegui uma preparação que me permite viver desafogadamente apenas do trabalho. Devo ser mesmo burro, por me preocupar com os outros, com o meu país, com os que não conseguem romper com o ciclo de pobreza por serem empurrados para escolas que os condenam logo na infância e adolescência, pois poderia limitar-me a viver, sossegado, na minha vidinha santa, em Portugal ou em muitos outros sítios de onde já me surgiram interessantes e bem remunerados desafios profissionais.
Passe bem, e se for apenas para insultar, não volte.
October 28th, 2007 at 21:33
[…] Rodrigo, referia-me apenas à passagem contida neste teu post. (Concordo globalmente com o teu post […]
October 28th, 2007 at 22:03
«Na hora de entrar na faculdade, ninguém quer saber se o aluno é ou não oriundo de um ambiente mais ou menos favorecido. Na hora de encontrar um trabalho, também ninguém quer saber desse princípio da eficiência muito particular que o Dr. Louçã quer transportar para os rankings. Nunca imaginei que o Bloco de Esquerda fosse a favor da estratificação social(…)»
Eu não sei se o BE é a favor da “estratificação social”, mas existem classes sociais em Portugal.
Sempre existiram e como em outros países latinos ou não, o estrato social é importante. Negar o peso que pode ter o nome de família, o nome das escolas, liceus, colégios e universidades no conjunto de informações fornecidas pelo CV do interessado é negar a realidade. Aliás a realidade demonstra que a cor de pele é ainda um factor decisivo em algumas apreciações, é pena, mas é verdade.
Reduzir as causas do bom ou mau posicionamento em eventuais listas de classificação desta ou daquela escola ao meio social dos alunos é redundante. Diria que é demagogia. Algo que o BE já nos habituou.
October 29th, 2007 at 0:03
[…] Abaixo os políticos-calimero. Por RAF. Nunca imaginei que o Bloco de Esquerda fosse a favor da estratificação social; a escola precisa de esforço e exigência, e não de políticos-calimeros, que favorecem a vitimização, e rotulam escolas, meios sociais, regiões. […]
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