Sunday, October 28th, 2007...18:17

Pela liberdade de educação, sim!

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Na verdade, liberdade de escolha existe desde sempre, é absolutamente possível a qualquer pai ou mãe escolher a escola para os seus filhos. O que verdadeiramente está em causa nesse projecto é outra coisa muito diferente: é tentar obrigar os contribuintes a financiarem escolas privadas e, nomeadamente, torná-las indiferentes em relação à obrigação de serviço público que a escola pública representa.

Francisco Louçã está enganado, e todos os portugueses sabem que é assim. Em Portugal apenas meia dúzia têm liberdade de escolha. Só há liberdade de escolha quando os pais têm condições financeiras que lhes permitem pagar impostos e, posteriormente, e com o rendimento disponível sobrante, suportar as propinas. Ou seja, para os que pagam - e podem pagar - duas vezes. A maioria da população tem de colocar os seus filhos na escola da sua área de residência, e não tem capacidade de interferir na organização da mesma.

(…) trata-se de uma “deturpação da liberdade de escolha” de pais e alunos em detrimento “dos representantes políticos da direita e da extrema direita”, que classificou de “meros encarregados de negócios da privatização do ensino” (…) “o objectivo é tão simples assim, é meramente conseguir alguns milhões orçamentais para o financiamento do ensino privado para as escolas confessionais, mais vale tratar o assunto como ele tem que ser tratado”.

Este é que é o problema que tanto incomoda o Dr. Louçã: as escolas bem sucedidas no ranking são privadas e ainda por cima confessionais: Isso embaraça-o, pois sabe que a maioria dos portugueses tem consciência que tanto prestam um serviço público de educação as escolas laicas como as confessionais, como as escolas do Estado, cooperativas ou centros privados, pois a natureza pública não resulta da organização que a presta, mas da natureza da prestação. E o aspecto confessional, para milhões de portugueses, não atrapalha, sobretudo quando aparece ligado a uma boa performance nos resultados: quantos laicos, pagãos, agnósticos, ateus têm - ou tiveram - os seus filhos a estudar em escolas confessionais?

5 Comments

  • O problema, caro RAF, é que essa mentalidade (a do Anacleto) vingou há muito tempo em Portugal e vem fazendo mossa desde então. São muitas gerações já formatadas com o dogma da “coisa pública”. Quantos mais anos andaremos nesta cega-rega? Quanto mais teremos de pagar…

  • As escolas privadas têm um patrão não eleito, escolhem os docentes e os alunos as estatais não. Há diferenças sim sr., isto faz variar a natureza da prestação.

  • Caro José Manuel Faria,
    As escolas públicas, num ambiente com liberdade de escolha, teriam também de mudar na sua organização. Veja o caso das universidades, também não mudaram?

  • Caro RAF,

    Está a defender o Reitor, a selecção dos alunos a escolha dos docentes pelo Reitor amigo do amigo!

  • Em qualquer empresa privada o patrão escolhe como funcionários aqueles que tiverem a melhores relação qualidade/preço. Se o Reitor escolher maus docentes certamente que a clientela procurará outras escolas.

    As escolas privadas para fazerem parte da rede pública não poderiam seleccionar alunos. è o que fazem as escolas privadas com contrato de associação.

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