Saturday, November 3rd, 2007...17:45

Será que existem raças humanas?

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(…) Dependendo da característica genética em questão, um português poderia ser agrupado mais facilmente com um chinês ou um etíope do que com o seu vizinho do lado. Por exemplo, poderá ser melhor para si receber sangue de um etíope que partilha consigo o mesmo grupo sanguíneo, do que receber sangue do seu vizinho do lado pertencente a outro grupo sanguíneo. São tantas as nossas características genéticas e tão variadas que é impossível agrupar-nos em raças.

O conceito de raças humanas ainda faz menos sentido desde que, de há uns 40 anos para cá, os dados mostram que no continente africano está representada quase toda a informação genética dos humanos do nosso planeta. Dado este facto, faz pouco sentido dizer que os negros são um grupo geneticamente diferente de qualquer outro. Assim, se hoje houvesse uma doença que devastasse todos os continentes, a sobrevivência dos africanos garantiria a preservação de quase todo o património genético da nossa espécie. Todos os outros continentes têm uma menor representação daquilo que nós, seres humanos, somos geneticamente. Assim, antropólogos e geneticistas juntam-se hoje em dia para dizer que o conceito de raças humanas não faz sentido.

Francisco Dionísio, Isabel Gordo, Lounés Chikhi, Mónica Bettencourt Dias, Rui Martinho e Sara Magalhães no Público de hoje (artigo completo em baixo)

SERÁ QUE EXISTEM RAÇAS HUMANAS?

São tantas e tão variadas as nossas características genéticas que é impossível agrupar-nos em raças

James Watson, prémio Nobel da Medicina, agitou recentemente o mundo ao afirmar que os negros teriam inteligência inferior. A intensidade do debate que se seguiu, com diferentes entidades e personalidades a tomar posição sobre estas afirmações, terá impedido os esclarecimentos necessários sobre o principal conceito subjacente às suas palavras, o de grupos humanos distintos e facilmente identificáveis, em linguagem leiga, o conceito de raças humanas.
Sabemos que há grupos distintos de cães. Um doberman, por exemplo, tem características diferentes das de um caniche. Estas características morfológicas são definidas por informação genética diferente, que é mantida porque cães de um grupo só são cruzados com cães desse mesmo grupo. Estes grupos resultaram de uma vontade humana de separar conjuntos de cães diferentes por várias gerações, impedindo assim o cruzamento entre esses indivíduos, o que levou a uma diferenciação das características de cada grupo, tornada mais óbvia ao longo do tempo. Um outro exemplo de grupos ainda mais distintos é o da couve-de-bruxelas e da couve-flor. Neste caso, como a diferenciação genética é maior, feita ao longo de mais gerações, alguns geneticistas até aceitariam que se trata de “raças diferentes” da mesma espécie de couve.
Mas nenhum grupo humano foi sujeito a estas condições de isolamento. De facto, todos os dados científicos mostram que temos um ancestral comum em África e que desde sempre o constante movimento e a consequente troca de bens, informação cultural e genética impedem que se gerem grupos humanos isolados. É sabido que basta haver migração de poucos indivíduos em cada geração para homogeneizar potenciais diferenças genéticas entre grupos.
A cor da pele é das características mais fáceis de reconhecer nas pessoas e provavelmente por essa razão foi erroneamente utilizada para tentar organizar os humanos por grupos, raças. No entanto, não é por uma característica ser fácil de visualizar, como é o caso da cor da pele, que isso a torna representativa de todo o património genético dessa pessoa, reflectindo todo um leque de outras características com uma componente genética, como, por exemplo, a cor dos olhos. Dependendo da característica genética em questão, um português poderia ser agrupado mais facilmente com um chinês ou um etíope do que com o seu vizinho do lado. Por exemplo, poderá ser melhor para si receber sangue de um etíope que partilha consigo o mesmo grupo sanguíneo, do que receber sangue do seu vizinho do lado pertencente a outro grupo sanguíneo. São tantas as nossas características genéticas e tão variadas que é impossível agrupar-nos em raças.
O conceito de raças humanas ainda faz menos sentido desde que, de há uns 40 anos para cá, os dados mostram que no continente africano está representada quase toda a informação genética dos humanos do nosso planeta. Dado este facto, faz pouco sentido dizer que os negros são um grupo geneticamente diferente de qualquer outro. Assim, se hoje houvesse uma doença que devastasse todos os continentes, a sobrevivência dos africanos garantiria a preservação de quase todo o património genético da nossa espécie. Todos os outros continentes têm uma menor representação daquilo que nós, seres humanos, somos geneticamente. Assim, antropólogos e geneticistas juntam-se hoje em dia para dizer que o conceito de raças humanas não faz sentido. Doutorados em Biologia e investigadores no Instituto Gulbenkian de Ciência

4 Comments

  • Não há raças humanas. Não há racismo. Há complexos de inferioridade.

  • É claro que não há raças e é justamento por isso que eu tb me chamo Madre Teresa de Calcutá.
    E provavelmente será essa a causa pela qual os antropólogos forenses identificam a raça do cadáver, pelos ossos.
    E será tb por isso que na Universidade de Delaware, http://www.thefire.org/index.php/article/8552.html
    era distribuida aos estudantes este pedaço de doutrinação sobre a definição de racista:

    “A racist is one who is both privileged and socialized on the basis of race by a white supremacist (racist) system. The term applies to all white people (i.e., people of European descent) living in the United States, regardless of class, gender, religion, culture or sexuality. By this definition, people of color cannot be racists, because as peoples within the U.S. system, they do not have the power to back up their prejudices, hostilities, or acts of discrimination.”

    E deve ser tb por isso que os estudos sobre marcadores microssatélites demonstram que os grupos humanos a que chamamos “raças”, são de facto, em certos aspectos, geneticamente distintos, e que a diferença não se reduz à maior ou menor quantidade de melanina na pele.
    Parece até que, o acasalamento de um “europeu” com uma “chinesa”, apresenta uma probabilidade relativamente mais elevada incompatibilidade entre grupos sanguíneos.

    Mas pronto, se a bíblia politicamente correcta diz que não, temos é de a decorar e reconhecer, não só que somos daltónicos, mas tb que não vemos.

    Já agora, eu não sou da Universidade de Delaware, mas tb boto faladura sobre o racismo. A meu ver, racismo não é reconhecer as diferenças, coisa que até a Constituição faz, mas sim descriminar em função delas.

    Felizmente que há doutorados em Biologia e Genética que preferem investigar em vez de se prestarem a fretes e evangelizações ideológicas.

  • “E deve ser tb por isso que os estudos sobre marcadores microssatélites demonstram que os grupos humanos a que chamamos “raças”, são de facto, em certos aspectos, geneticamente distintos, e que a diferença não se reduz à maior ou menor quantidade de melanina na pele.”

    Pois é, mas as “sub-raças” e “sub-sub-raças” também são geneticamente distintas: os descendentes do meu avô Manuel Madeira André são geneticamente diferentes das outras pessoas; os mediterrâneos também são geneticamente diferentes dos habitantes de outras regiões; os chamados “caucasianos” também são geneticamente diferentes dos chamados “negróides” ou dos “mongólicos”. Questão:a que “raça” pertenço eu?

  • Thanks for information.
    many interesting things
    Celpjefscylc

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