Monday, November 5th, 2007...11:27
O humor de JCN
O ‘AHN’ hoje está um mimo. Leiam a crónica no DN, é difícil conter o riso, mesmo que se concorde com parte dela. A investida contra os “desvios sexuais” é, sem surpresa, central ao artigo. A novidade é que JCN critica de forma pesada o sadomasoquismo - essa prática milenar e celebrada da Igreja Católica. Mas tudo bem, é com ele e com a sua consciência. Anoto, em antecipação ao João Miranda, que os sadomasoquistas atraídos pelo sexo oposto se podem casar pelo civil, enquanto que os sadomasoquistas atraídos pelo mesmo sexo não. Essa distinção, porém, como a sugestão de que o sadomasoquismo é uma “orientação” sexual, importa pouco. O essencial é que o sadomasoquismo, ainda que seja uma prática privada e consentida entre adultos, é imoral, como são imorais a homossexualidade concretizada, o sexo oral, o sexo anal, a masturbação, a “disciplina”, o sexo vaginal não desprotegido, etc. O mundo anda perdido de prazer, JCN insiste em não fazer parte dele. Nós agradecemos.

14 Comments
November 5th, 2007 at 11:41
Deve ser uma metáfora contra o uso do cilício e a auto-flagelação que a seita impõe…
November 5th, 2007 at 12:07
Eu não acho que o tema central seja de índole sexual, mas sim uma paródia do politicamente correcto, numa versão orwelliana. A perseguição dos gordos fez-me lembrar a recente polémica em redor dos automobilistas. E a sátira, goste-se ou não de César das Neves, está de facto bem conseguida.
November 5th, 2007 at 12:09
Os slogans, “comer mata” ou “banha é crime”, e o “índice de engordamento global” são de ir às lágrimas.
November 5th, 2007 at 12:13
Caro Rodrigo,
EU escrevi que “a investida… é central ao artigo”, o que não é o mesmo que dizer que “a investida… é o tema central do artigo”. Concordo com tudo o que escreves, aliás, ri-me mesmo com o artigo e gostei da paródia orwelliana, que é bem mais do que o politicamente correcto… é o mundo perfeito onde o estado centralista controla as diatribes e os desvios dos cidadãos…
Acho que o meu destaque do sadomasoquismo não chega a ser uma falácia do espantalho… até porque também pouco mais faço que uma pequena paródia ao artigo de JCN.
Abraço,
PS: a história da identificação dos automobilistas é chocante. Concordo com o que escreveu o MCB no 31 da Armada. Atrás disto pode vir muita coisa… não podemos ser brandos nessa crítica, mesmo que esse dístico pareça, em si mesmo, pouco relevante.
November 5th, 2007 at 12:13
“Deve ser uma metáfora contra o uso do cilício e a auto-flagelação que a seita impõe…”
Que eu saiba, não se impõe nenhuma mortificação em específico. Há quem opte por outras formas de sofrimento. O que é central é oferecer esses sacrifícios a Deus, que se manifesta das mais variadas formas, muitas vezes projectado nos outros, com quem nos cruzamos na vida.
November 5th, 2007 at 12:14
OK, Tiago, tresli o que escreveste. Fui eu próprio Lucky Lucke desta vez…
November 5th, 2007 at 12:15
“O que é central é oferecer esses sacrifícios a Deus, que se manifesta das mais variadas formas, muitas vezes projectado nos outros, com quem nos cruzamos na vida.”
Se o parceiro sexual for uma projecção momentânea disso, há, portanto, no acto sadomasoquista, uma entrega possivelmente aceitável?
November 5th, 2007 at 12:16
Onde está “disso”, leia-se “dele” (ou “Dele”, como queiram).
November 5th, 2007 at 12:17
“OK, Tiago, tresli o que escreveste. Fui eu próprio Lucky Lucke desta vez…”
Mas não desataste logo a escrever um post… não é grave
November 5th, 2007 at 12:19
O Carlos Guimarães Pinto é que é o especialista nestes temas, pode ser que ele apareça aqui.
November 5th, 2007 at 12:48
Caro Tiago,
“Se o parceiro sexual for uma projecção momentânea disso, há, portanto, no acto sadomasoquista, uma entrega possivelmente aceitável?”.
Não, mas por razões morais. A igreja não aceita esse tipo de “sacrificios”. Mas se lhe retirares a carga sexual, imagina um preso que é massacrado pelos companheiros de cela, contra a sua vontade, ai sim, já será uma entrega positivamente aceitável.
Bem, como dizia um antigo colega meu dos tempos da consultoria, num inglês muito seu, “I’m lunch”.
Ab.,
RAF
November 5th, 2007 at 12:59
“O que é central é oferecer esses sacrifícios a Deus, que se manifesta das mais variadas formas, muitas vezes projectado nos outros, com quem nos cruzamos na vida.”
November 5th, 2007 at 13:00
“Se o parceiro sexual for uma projecção momentânea disso, há, portanto, no acto sadomasoquista, uma entrega possivelmente aceitável?”
Caro Tiago,
No acto sadomasoquista existe uma entrega ao acto e ao binómio prazer/dor, não o vejo como uma entrega parceiro(a), precisamente o oposto. Entrega, nesse sentido significa reconciliação, aceitação, união, no fundo reconciliação com nós mesmos. Tudo oposto ao acto sadomasoquista, o contacto não é com o corpo do parceiro(a) mas sim com o instrumento. Os sentidos e os seus orgãos já não são pontes, são instrumentos, quebram os elos, cortam todas as possibilidades de contacto. Anula-se o outro.
November 5th, 2007 at 13:06
Caro Joao,
Concordo que no acto “intrinsecamente” sadomasoquista tudo o que escreveste e’, alem de q.b. poetico, correcto. Mas podem existir actos “aparentemente” sadomasoquistas (falo de um observador exterior) mas que sejam actos de entrega nao ao prazer e ‘a dor - ainda que estes existam - mas sim ao outro, sendo que aquilo que o outro deseja e’, no caso particular, algo que envolve possivelmente dor e prazer (para ele e/ou para o outro), mas seria seria acidental face ao essencial. Mero exercicio teorico, claro…
Caro RAF,
Mas acreditas mesmo que o prazer que no exemplo que tu referes - dos presos que maltratam o outro - nao tem uma natureza sexual? Falas de natureza sexual ou de natureza genital? E’ que sao coisas bem diferentes… I’m lunch now.
Abracos,
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