Wednesday, November 7th, 2007...16:45

Areias movediças em Angola (ou alguns pés de barro de um claro não gigante)

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O governo angolano envia ainda a mensagem, que deve ser levada muito a sério, de que não só tem o poder de condenar o projecto de fusão ao fracasso, como pode comprometer o futuro do próprio BPI. Há muitos trimestres que Angola tem sido o principal motor de crescimento do banco de Fernando Ulrich. Ao perder as empresas estatais como clientes, o motor perde um dos seus cilindros mais potentes.

7 Comments

  • Recomendo a leitura desta notícia, hoje:

    http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=305480

    É fabulosa a facilidade com que se comentam e fazem conjecturas a partir de notícias não confirmadas, em que uns se citam aos outros, mas onde a fonte é anónima. Na minha terra chamamos a pessoas assim, “Doutores Bitaites”.

  • Caro RAF,

    Vais-me desculpar, mas neste caso nao aceito enfiar a carapuca - embora concorde com a tua critica em abstracto e, mais do que isso, aplicada a muitos casos concretos.

    A noticia ontem foi largamente comentada sem contraditorio e se a minha principal fonte deste post - um editorial do DE - nao for de confianca, entao andamos de facto mal.

    Ve isto tambem:

    http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&SqlPage=Content_Empresas&CpContentId=305413

    E mantenho que Angola e’ uma aposta com risco elevado, o que significa que parte do crescimento recente do BPI nao pode ser tratado como outros crescimentos de valor semelhante mais tidos em contextos mais seguros.

    O risco nao esta’ so’ nos “sub/prime”, caro RAF.

  • Havia muita coisa para dizer a propósito do teu texto, mas infelizmente esta é uma discussão que não vou ter, por razões óbvias.

    Por amizade, não posso contudo deixar de te dizer uma ou duas coisas.

    Já pensaste que eventualmente os accionistas valorizam, no binómio risco elevado/oportunidades, a forma como em concreto o BFA tem lidado com a sua operação angolana (e pelo seu peso, não duvides que os investidores institucionais e as grandes casas de análise avaliam com enorme cuidado esta exposição a África, muitos deles com deslocações a Luanda, para ver tudo com os seus olhos), reflectindo-o na cotação? Mas tu, que desconheces i) o grau de exposição do BFA ao sector Estado e Empresas Públicas; ii) as alternativas na banca angolana ao BFA; iii) as perspectivas de crescimento do mercado angolano nas áreas do retalho e das empresas, e dos grandes investimentos que implicam conhecimentos técnicos elevados; iv) o nível de capitalização dos bancos da concorrência ao BFA; v) os recursos que têm disponíveis para a concessão de crédito; vi) e o próprio ambiente político, que é complexo e com múltiplas sensibilidades e interesses; falas com um enorme à-vontade em “falsos gigantes” e “pés de barro” e em “subprimes”, como se uma operação bancária desta magnitude fosse uma espécie de castelo de cartas.

    Desculpa, Tiago, mas este não é o tipo de comentário que se espera de um economista e académico. Esse é o campo das empresas de comunicação e desinformação, e dos jornalistas-proletários. Por maior que seja a tentação, devias ser mais criterioso naquilo que escreves.

  • Caro RAF,

    A expressão é “um gigante com pés de barro”. Aludi a que existe ali bastante risco - tratam-se de areias movediças e isso não quer dizer que eu critique as escolhas racionais de caminhar sobre elas, apenas lembro que são movediças, e que muito do valor do banco vem actualmente de lá -, tendo usado, entre parêntesis, essa expressão popular. Esclarecendo que não se trata, de longe, de um “gigante”, o que não é o mesmo que dizer que se trata de um “falso gigante”, porque ao usares a palavra “falso” fica implícita a ideia de que o banco em causa alardeava coisas que não alardeia e que eu estivesse a apontar essa “inverdade”. Não sei se percebes a diferença aqui.

    De resto, deixa-me que te diga que o facto de estares por dentro de muita coisa devia convidar-te também a alguma precaução nas conclusões que tiras, o que visivelmente não tem acontecido.

  • Caro Tiago,

    “Falsos gigantes” ou “não gigantes” não faz grande diferença, são expressões com o mesmo sentido, mas ainda assim, corrigo nesta parte o meu curto texto. Vejo também que te agradam as expressões populares, o que é uma inovação na análise destas matérias, podes gabar-te de ser o primeiro a recorrer a elas.

    “De resto, deixa-me que te diga que o facto de estares por dentro de muita coisa devia convidar-te também a alguma precaução nas conclusões que tiras, o que visivelmente não tem acontecido.”.

    Apenas fiz um comentário, aqui, nesta caixa, e as questões que coloco estão aí para quem as quiser ler, são as que qualquer analista cauteloso levanta quando prepara uma avaliação; não retiro nenhuma conclusão sobre o assunto em concreto, nem há disclosure de informação privilegiada, qualquer pessoa que acompanhe os mercados poderia ter escrito o comentário acima. Eu meço cada palavra que escrevo, Tiago. Tenho pena que não faças o mesmo, o que me leva a concluir que discutir contigo é mais arriscado do que investir em certas economias emergentes, pois, com argumentos como este, acabamos com barro, não nos pés, mas na face.
    Game over.

  • Caro RAF,

    Se achas que expressoes populares ou outro tipo de metaforas - por exemplos, as que recorrem ao futebol, sempre tao comuns em Portugal - sao inaceitaveis nestes debates, deves andar muito insatisfeito com a nossa imprensa e nao apenas comigo.

    Nao sei se medes as insinuacoes que fazes com tanta prudencia quanto aquela que, segundo dizes, poes nas palavras que escreves. Neste caso, bem podes levar a bandeirinha da “seriedade” para casa. Ve la’ e’ se ela nao e’ tao grande que te tape a vista do mundo la’ fora.

  • Caro Tiago,

    “Se achas que expressoes populares ou outro tipo de metaforas - por exemplos, as que recorrem ao futebol, sempre tao comuns em Portugal - sao inaceitaveis nestes debates, deves andar muito insatisfeito com a nossa imprensa e nao apenas comigo”.

    Não digo que não seja aceitável. Aliás, o expoente máximo deste tipo de abordagem é o Professor Hêrnani Gonçalves, conhecido comentador desportivo do programa “A Liga dos Últimos”, na RTP-N, antigo treinador-adjunto do FCP, e cujo nome de guerra é por demais sabiso, “Professor Bitaites”. Apenas acho curioso que seja o teu, e dos outros, também, nestas matérias que não o futebol amador.

    “Nao sei se medes as insinuacoes que fazes com tanta prudencia quanto aquela que, segundo dizes, poes nas palavras que escreves. Neste caso, bem podes levar a bandeirinha da “seriedade” para casa. Ve la’ e’ se ela nao e’ tao grande que te tape a vista do mundo la’ fora”

    Não vou dizer qual é o tamanho da minha bandeirinha (a da “seriedade”, é claro), é de mau tom. E eu não fiz insinuações; fui, acho, bem claro e directo naquilo que te quis dizer, não costumo fazer rodeios.

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