Sunday, November 11th, 2007...16:51

Sexo e Poder

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A sequência que resume a história da humanidade publicada no Zero de conduta, tem dado azo a vários comentários interessantes, cada um a tentar explicar como ao longo de milénios o sexo, a luta pelo poder e a violência se influenciaram entre si. Leio quem argumente que “os homens lutarão pelo poder porque poder significa sexo”. Não partilho da opinião.

Sexo e poder sempre foram as duas faces da mesma moeda - dois impulsos que sempre guiaram a Humanidade. Compreendermos qual a face que controla a oposta será sempre difícil, até porque irá depender de sociedades, de culturas e do próprio género sexual. Tendo dito isto, como opinião pessoal diria que a História demonstra-nos que o sexo sempre foi um método privilegiado de assalto e de manutenção do poder, associado na maior parte das vezes ao casamento. Um método antigo, de sucessos e de fracassos, mas que ainda hoje potencia quedas e trocas de poder.

7 Comments

  • Discordo.

    Antes de mais, acho a expressao “sempre guiaram a Humanidade” enganadora - a não ser que se acredite no Criacionismo…

    Como os outros animais, também nós evoluímos - e nem sempre fomos “Humanidade”. O gene egoísta fez com que nós todos, machos e fêmeas, em graus em média diferentes, mas todos, seguíssemos esse propósito para o qual fomos programados - o da propagação da espécie. Isso não quer dizer que a explicação do poder se resuma a isso. Mas tem de começar obrigatoriamente por aí.

    O homem retira vantagens do poder que podem não se resumir termos de oportunidades sexuais (embroa eu seja céptico relativamente a esta hipótese). E claro que falamos sempre no agregado (os “homens”) e não em casos individuais. Não interessa se o político A ou B é obcecado pelo poder para ter mais sexo, interessa o que em média isso é verdade.

    O poder traz outras coisas - prestígio social, notoriedade, etc - que são em si mesmas benéficas (para quem as valorize, perdoe-se a tautologia, mas aqui é necessária), para além do que possam representar em termos de oportunidades sexuais. E como elas podem ser valorizadas por pessas de género diferente e de orientação sexual diferente, a busca do poder não está consignada a nenhum grupo, embora seja expectável que grupos diferentes o procurem (em média) com intensidades diferentes. Mal estaríamos nós se acreditássemos que o sexo não tem outro propósito que a reprodução…

    Como gosto de citações, aqui deixo duas, de um homem e de uma mulher, e juro que não para ser representativo ou politicamente correcto, apenas porque me parecem, na sua simplicidade, certeiras:

    “Beber sem sede e fazer amor constantemente, minha senhora, apenas isso nos diferencia dos outros animais”. [Beaumarchais]

    “People are supposed to fuck. It is our main purpose in life, and all those other activities—playing the trumpet, vacuuming carpets, reading mystery novels, eating chocolate mousse—are just ways of passing the time until you can fuck again.” [Cynthia Heimel]

  • Para ser mais claro e sucinto: começar esta discussão ignorando ou menosprezando a teoria da evolução parece-me muito criticável. Reduzir a busca do poder ao sexo é redutor, mas ignorar ou minimizar isso é fatal.

  • Caros Bruno Gonçalves e Tiago Mendes,

    É óbvio que nestas matérias todas as generalizações são perigosas dada a multiplicidade de variáveis implicadas.

    No que ao ser humano diz respeito, poder é o que melhor se compara ao território arduamente disputado entre os membros de várias espécies animais. Para esses animais território também significa mais do que sexo, mas significa sobretudo sexo.

    Matt Ridley, citando Jaenike, detaca que o sexo tem custos e que isso pode ser observado na natureza: “se o sexo não tivesse um custo, não existiriam beija-flores.” Por outro lado, num registo que roça o machismo, Aristotle Onassis, um magnata turco, assume que “If women didn’t exist, all the money in the world would have no meaning.” Se calhar tem razão…

    Serão o dinheiro e o poder formas de conseguir o melhor sexo? Sem dúvida. A dúvida é saber em que medida é que o sexo justifica e fundamenta as lutas de poder e se é seu fundamento único. A visão parece provocatória numa sociedade formatada pela tradição judaico-cristã, mas há várias observações da etologia que nos poderão conduzir nesse sentido. É possível que análises científicas mais apuradas acabem por nos esclarecer nos próximos tempos.

  • Caro Tiago,

    É precisamente na teoria da evolução que baseio o meu raciocínio. A selecção melhora a espécie, mas não a amputa da sua filogenia.

  • Talvez se deva revisitar a pirâmide de Maslow…..

  • Digamos que há um gene que faz o seu portador procurar mais o poder. Este gene propaga-se?

    Parece-me que sim, porque quem tem mais poder tende a ter mais sexo, logo mais descendentes (este logo foi hoje “pervertido” com a contracepção, mas até recentemente era verdade).

    Isto significa que a procura do poder é para o sexo? Isso depende da definição de causalidade que estamos a usar. No entanto, é claro que não há nenhuma fada da evolução que decidiu criar uma vontade de poder para que o indivíduo ter mais sexo.

    Temos de ter cuidado de não antropomorfizar a evolução e cair, inadvertidamente, num conceito que supõe a existência de um Designer.

    A ler: http://www.overcomingbias.com/2007/11/adaptation-exec.html e linques associados.

  • Temos de ter cuidado de não antropomorfizar a evolução e cair, inadvertidamente, num conceito que supõe a existência de um Designer.

    Nem mais.

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