Wednesday, November 14th, 2007...20:59

E faz diferença?

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A “frase completa“, por pedido expresso do Adolfo Mesquita Nunes:

Isabel Pires de Lima, finge que não tutela o Instituto dos Museus e da Conservação, finge que não nomeia o seu Presidente, finge que este não lhe presta contas e diz que a culpa é do Instituto e não dela.

13 Comments

  • Caro Tiago:

    Por acaso não sei responder à pergunta que dá o título ao post (precisaria de um prontuário - também lhe podia dizer que a virgula é facultativa, mas não sou desses). Uma coisa é certa o pedido do autor da frase faz todo o sentido.

    E sim eu sei que não os linkou só para lhes proteger a identidade.

    Infelizmente o mundo é assim, há para aí basbaques com fartura que pensam que a ortografia das palavras é menos importante do que a das ideias.

  • Caro Luis,

    Como porventura calculara’, eu tomei o cuidado de, quando publiquei as frases sem link, citar tao pouco quanto possivel para nao desviar a atencao do principal e tanto quanto necessario para nao trair o que o autor escreveu.

    No caso, como me parece claro, a primeira virgula nao pode existir. As outras existem, naturalmente.

    Nao sei se era isto que o Adolfo tinha em mente, mas aqui fica um exemplo em que a virgula pode aparecer a seguir ao sujeito.

    “Isabel Pires de Lima, que finge que não tutela o Instituto dos Museus e da Conservação, que finge que não nomeia o seu Presidente e que este não lhe presta contas, diz que a culpa é do Instituto e não dela.”

  • Claro que a virgula pode existir, eu ate diria que neste caso e uma boa opcao. E uma enumeracao, um caso analogo a: “Bush, finge governar, politico por heranca, errado nas questoes cruciais.”

  • Caro Tiago,

    o problema não é a vírgula vir depois do sujeito. É ela, na frase que transcreveu, separá-lo do predicado. É um erro comum, embora grave. Do mesmo modo que é grave separar um sujeito de um nome predicativo do sujeito ou de um complemento directo.
    No segundo exemplo que dá, a sintaxe é diversa. A vírgula surge formalmente depois do sujeito, mas está simplesmente a isolar orações subordinadas.
    Outro problema frequente é a confusão entre o sujeito e o vocativo. Este vem sempre virgulado.
    Tenho pena, apenas, que na listagem que apresentou se tenha esquecido de incluir alguns lapsos dos seus coleguinhas de blog. Há muitos que, escrevendo na Atlântico, denotam as mesmas falhas ao nível do domínio da pontuação. Talvez fosse bom começar a olhar para a própria casa e só depois para os vizinhos.

    Cumprimentos

  • Cara Mafalada,

    Antes de mais, obrigado pelos seus contributos. Referia-me, naturalmente, à vírgula “entre sujeito e predicado” e não apenas à vírgula “depois do sujeito”. Isso seria claro para quem leu o outro post e, se preciso fosse, pelo exemplo que eu propûs a seguir, em que a vírgula aparece a seguir ao sujeito, a separar diferentes orações.

    O ponto do exercício, como referi antes, não era apontar o dedo a ninguém. Fazem-se muitos erros “nesta casa”, é verdade, como noutras. Quando se refere a “olhar para a própria casa”, aí assumo que se está a referir a mim e não ao blogue. Somos todos individualistas orgulhosos neste casa e cada um responde por si.

    De resto, como imaginará, se há coisa que não muda nada quando entendo fazer uma crítica, é se a pessoa escreve aqui ou ali. Mas, como disse, o ponto do exercício não era criticar, era mais um lamento e uma chamada de atenção.

    Renovado obrigado.

    Cumprimentos,

  • (correcção) “se há coisa que não muda nada quando entendo fazer uma crítica é a pessoa escrever aqui ou ali”

  • “Mafalda” - peço desculpa por esta gralha, escrevi demasiado rápido e sem rever o texto.

  • (Referia-me à gralha no seu nome, no primeiro comentário, só para não restar dúvidas.)

  • Caro Tiago,

    De um jeito tópico, já que o tempo não permite mais, deixo apenas umas breves notas em resposta ao seu comentário.
    Quanto ao lapso no meu nome, não se inquiete. Não acho grave, nem supus, mesmo antes de ler a errata, tratar-se de um trocadilho.
    No resto, vejo-me forçada a discordar mais uma vez do que diz, pese embora, neste caso, partilhe consigo a preocupação com o mau uso da língua portuguesa.
    Ou seja, percebo que lhe façam confusão os maus-tratos que esta recebe. Simplesmente, pode mobilizar outros meios para obstar a eles. Por isso, invoquei a sua casa, não no sentido metafórico do seu eu, mas naqueloutro da identificação do blog que o acolhe como escriba. Na verdade, sendo uma pessoa atenta, melhor serviço prestaria ao estado da arte se, nos bastidores, advertisse aqueles que consigo partilham esse espaço para os lapsos linguísticos que cometem. Que, quero crer, se tratam, na maioria das situações, disso mesmo: de lapsos. Tal como o que cometeu ao responder-me e que, prontamente, rectificou.
    Optando por, ainda que sob cautelas múltiplas, apontar a dedo a prosa de outros, não só não conseguiu esclarecer ninguém, como criou a aparência – não sei se correspondente ou não à realidade – de arrogância própria de quem se pretende valorizar, humilhando os outros.
    No mais, continua a separar-nos a sua visão individualista do homem e do mundo.

    Cumprimentos.

  • Cara Mafalda,

    Vai-me desculpar, primeiro, a falta de acentos.

    Em segundo lugar, vai-me desculpar mas, daquelas citacoes, que sao nove, tres pessoas fazem parte deste blogue e quatro delas ja’ escreveram para a revista.

    Contudo, quer a Mafalda acredite ou nao, reitero que o proposito nao era apontar o dedo a quem quer que fosse e, em resultado disto, as citacoes que escolhi foram praticamente casuisticas. Os pontos 1, 3 e 4 foram coisas que li recentemente e que me ficaram na cabeca.

    Se leu bem o meu anterior post, sabe que eu faco aos outros aquilo que gosto que me facam a mim. Portanto, dai podera’ concluir que, de entre os muitos que escrevem neste blogue, aqueles com quem eu tenho essa relacao de confianca/estima/amizade recebem, de facto, emails meus a avisar de um ou outro erro cometido.

    Nao me conhecendo, deixe-me tambem dizer-lhe que supoe algumas coisas nao exactamente proprias de uma pessoa muito humilde, que escreve por aqui sem querer valorizar-se a si propria.

    Quanto ao individualismo, saiba que eu tenho uma costela comunitaria bastante desenvolvida.

    Cumprimentos,

  • So’ para terminar, cara Mafalda, lembro-lhe que muitas coisas publicas que resultam de (1) um certo desleixo e/ou (2) de falta de predisposicao para a critica nao desaparecerao, do dia para a noite, apenas por trabalho de “bastidores”. O meu ponto foi chamar a atencao para uma questao que me parece demasiado desvalorizada na blogosfera - fazer o possivel por ter uma escrita correcta - e, de certo modo, um lamento por (por experiencia propria) saber que e’ dificil aceitar certos reparos ou criticas, mesmo sabendo que sao bem intencionados. Posto isto, obviamente que a Mafalda e’ livre de acreditar nas “intencoes” que quiser relativamente ao caso em apreco.

  • Caro Tiago,

    não tenho nada que duvidar das suas intenções. Se bem reparar, disse que criou uma aparência e acrescentei mesmo que não iria sindicar da sua aderência ao real. Deixemos, portanto, de lado apreciações subjectivas, para nos centrarmos noutras objectivas. E quanto a essas, temo que o meu parecer seja bem mais negativo que o seu. Não creio, na verdade, que o problema seja específico da blogosfera. Infelizmente, temo que seja característica comum a várias outras esferas neste nosso tempo. Fala-se mal, escreve-se mal e, mais grave, as pessoas acham tolo que haja preocupações acrescidas com a matéria. No fundo, é o relativismo que eu tanto abomino na sua expressão linguística.
    Quanto a ter uma costela comunitária bem desenvolvida, como a compatibiliza, então, com o seu individualismo pretensamente neutral? Será que tenta atingir a quadratura do círculo ou deveria antes repensar esse individualismo no sentido da adesão à ideia de pessoalidade, com todas as consequências que daí decorrem? (Advirto que faço a pergunta de forma não irónica ou provocatória)

  • Cara Mafalda,

    Estamos de acordo, então, e agradeço mais uma vez as suas palavras.

    Eu não defendo nenhum “liberalismo” neutral! Antes pelo contrário. Não me apanha em defesas da liberdade “total” ou da neutralidade “total” do Estado ou seja do que for. A discussão sobre o liberalismo comunitário não cabe aqui, como calculará. Acima da liberdade está e estará sempre a justiça. E sendo um individualista, sou também comunitarista, valorizo a liberdade individual mas não de modo absoluto, não sem atender à importância das nossas vivências em comunidades locais e em grupos de diversa natureza e dimensão (começando na família, como é natural).

    Cumps,

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