Wednesday, November 14th, 2007...11:17
Sexo e procriação, prazeres e deveres
“Sou a favor da total liberdade de expressão” parece-me um mau início de conversa. Também vejo alguma evolução: ontem era-se contra o cartoon espanhol e pedia-se ao outro para se pôr no papel dos príncipes, hoje desvia-se a conversa para outra questão (sem dúvida) importante, a da suposta comparação entre Venezuela e Espanha. Muda-se de opinião ou pelo menos de enfoque, mas tudo bem. A mim interessa-me pensar sobre o cartoon em si, o que ele representa e o que ele não representa, pelo que continuo neste tema.
A decisão do tribunal espanhol tem uma legitimidade que não ponho em causa e, se não tivermos medo das palavras, dificilmente podemos negar que ele representa um caso “pontual” de censura - não resultante de uma censura “instalada” ou “generalizada” - e que é justificado (no sentido de ter uma argumentação a sustentá-la). Daí que qualquer comparação a regimes de censura instalada seja, no mínimo, exagerada.
Prosseguindo a conversa de ontem sobre violações da “privacidade” e representações “injuriosas”, lembro que a procriação, que é um dever bíblico (não só) para todos os cristãos, é um dever “constitucional” (em sentido lato) para os herdeiros da coroa espanhola. Nenhum cidadão tem um dever de procriar como aqueles dois têm. A situação deles é absolutamente incomparável - e é por isso que o pedido do Paulo para eu me pôr no papel deles é inapropriado. Estes e outros detalhes são importantes se quisermos dar uma opinião sobre esta decisão judicial para além do grito de liberdade samuraiiano.
A situação excepcional de Felipe e Letizia reflecte-se no facto de a gravidez da princesa ser um assunto público, ao contrário do que acontece com os súbditos. Lembro a excitação e o alívio que envolveram as notícias de que a princesa estava prenhe. Ninguém tem nada que ver com a competência reprodutora de Zapatero e da sua esposa, de ministros ou juízes, de futebolistas ou jornalistas, mas daqueles dois retratados no cartoon não podemos dizer o mesmo.
Daqui até perceber que terá havido pouca ou nenhuma vontade de ofender os príncipes vai - ou pode ir, não conheço as intenções os autores do cartoon (acrescento isto depois de ler o comentário do RAF) - um instante. Não falava ontem de “canzana” gratuitamente. Aquela é a posição que maximiza a probabilidade de fecundação e, de resto, é a mais comum no reino animal. Uma vez que se tenha decidido que o cartoon iria ter uma alusão à política de Zapatero e ao dever de procriação dos príncipes, aquele retrato é o que minimiza a possibilidade de ofensa aos próprios. (Isso não significa que ele seja imediatamente aceitável, mas coloca a escolha em perspectiva).
É que ali, como escrevi, não há propriamente sexo. Há apenas um acto de procriação - gerar o tal filho que daria acesso aos 2.500 euros que Zapatero propôs. Se o cartoonista tivesse escolhido outras posições sexuais ou tivesse vestido parcialmente os príncipes, a coisa seria menos clara: haveria, em termos comparativos, um maior apelo à componente de prazer no sexo do que à componente procriadora. Os príncipes não estão semi-nus - o que sugeriria uma rapidinha entre duas refeições palacianas. Não há ali nada que se aproxime da gulodice das meninas do Vilhena. Aquele retrato é globalmente muito insípido. É técnica. É o retrato de um dever real. Repare-se no fastio de ambos, sobretudo no fastio da princesa, catolicamente submissa e aceitando os seus deveres conjugais sem visível prazer. O juiz responsável por aquela sentença (a que se pode recorrer, como bem lembra o Paulo) até pode não andar com falta de sexo, mas leu a coisa com vistas muito pouco largas.
Finalmente, e indo ao ponto “polémico” que o Paulo tem justamente vindo a realçar: há uma confusão muito comum entre “comparar” e “equiparar”. Se se fala do Che com bigode à Hitler, obviamente que “não se está a comparar”, mas a “apontar um traço comum”. Mas quando é a esquerda a apontar um traço comum entre duas situações que nos incomodam - como o efeito que uma certa “autoridade” pode ter nas liberdades individuais - aqui d’el rei que se está a “comparar” (com a carga de “equiparar”, entenda-se) as duas coisas.
Obviamente que o efeito que uma certa “autoridade” tem em Espanha e na Venezuela não se faz sentir pelos mesmos meios nem tem a mesma extensão. A decisão espanhola veio dos tribunais, não de um governante “todo-poderoso” ou a caminho disso. Mas podemos dizer, com legitimidade, que existe um ponto em comum nas duas situações (note-se que não estou a fazer ou a deixar de fazer isso, apenas comento um ponto, visto de fora). Alguma “esquerda” detesta tanto as manifestações de poder “não democrático” que aproveitou, e bem, a tirada de Juan Carlos para sugerir que a autoridade especial que lhe assiste poderá ter ajudado a pôr em causa liberdades criativas. É quase só isto, diria eu.

23 Comments
November 14th, 2007 at 11:27
“Daqui até perceber que terá havido pouca ou nenhuma vontade de ofender os príncipes é um instante. Não falava de “canzana” gratuitamente. Aquela é a posição que maximiza a probabilidade de fecundação e, de resto, é a mais comum no reino animal. Uma vez que se tenha decidido que o cartoon iria ter uma alusão à política de Zapatero e ao dever de procriação dos príncipes, aquele retrato é o que minimiza a possibilidade de ofensa aos próprios”.
Tens uma imaginação “à canzana”, que é aquela que é mais fértil, de facto. Eu diria que eles estão assim representados, pois facilita o desenho, e permite ainda por a futura rainda de quatro. Os tipos da “Jueves” deviam ter lido o teu post. Nem eles se lembrariam de uma argumentação tão profícua…
Já agora, esclareço que sendo a revista de péssimo mau gosto, não se lhe deveria dar relevância, até porque desta forma amplificaram o efeito pretendido, aumentando a ofensa.
November 14th, 2007 at 11:36
Caro Tiago,
Pensando no penúltimo parágrafo do teu texto, pergunto-me se não vais acabar por ser convidado para preparares uma edição anotada do Kama-Sutra. Aconselho-te, no entanto, a reveres a tua tese da identidade da técnica e da insipidez. Poderá causar problemas futuros aos leitores.
Abraço.
November 14th, 2007 at 11:38
Correcção: antepenúltimo parágrafo.
November 14th, 2007 at 11:44
Cara Paulo,
Muito obrigado pela confiança depositada. Quanto ao tema da identidade insipidez e da técnica, podemos sempre trocar umas ideias sobre o assunto quando se proporcionar.
Um abraço,
November 14th, 2007 at 12:19
Tiago, a conversa já está a ultrapassar o limite do disparate. Se só agora reparaste que a discussão tem sido desde o início a comparação entre democracia espanhola e regime chávista na Venezuela, objectivamente formulada pelo DO e pelo RT - para todos evidente e nem sequer vou enumerar artigos nos jornais e postes nos blogues - não vale a pena insistir, até porque não me apetece estar a divagar sobre canzanas e outras preciosidades técnico-tácticas em que te estás a especializar.
November 14th, 2007 at 12:25
Paulo, acho que estás a ser um bocado limitado, mas os leitores ajuizarão melhor do que eu. Se queres balizar a conversa à comparação entre dois regimes - e apenas de um ponto de vista formal, que é o que tens basicamente feito - tudo bem. É simplista, óptimo para a discussão de barricada que por aqui se vê muitas vezes. Além de falar nesse ponto no final deste post, acho realmente a decisão do tribunal relevante e, apesar de reconhecer legitimidade e autoridade aos juízes em abstracto, considero esta decisão infeliz, limitei-me a apresentar razões que sustentam isso. Se no caso existe sexo à mistura, é complicado, caso queiramos apresentar argumentos um pouco mais aprofundados do que um “sou a favor da total liberdade de expressão”, não falar de sexo. Mas eu estou a falar de sexo por uma razão “política”, “pública” e “justificada” (”necessária”, no contexto), não por razões “privadas” ou “gratuitas”.
November 14th, 2007 at 12:33
Se te limitasses a apresentar os teus argumentos a contrario e não fizesses permanentemente julgamentos valorativos dos argumentos dos outros, a discussão era aceitável. Eu não digo o que é um mau ou um bom princípio de conversa, ou se és ilimitado ou limitado, ou se és básico ou sublime, ou se não percebeste nada do que se discutiu entre “a direita” e “a esquerda” - limito-me a conversar, ainda que pense exactamente o contrário de ti em inúmeros pontos: a minha direita gosta e defende muito mais a liberdade do que a esquerda do RT ou do DO. É por isso mesmo que critica regimes como o venezuelano sem mais “mas”, não aceitando que sejam comparados, como têm sido, com democracias como a espanhola, a americana ou a portuguesa.
De resto, continuo a achar o cartoon de um imenso mau gosto, ofensivo e injurioso. Se fosse eu o retratado não teria dúvidas em processar os autores. Não defendo a censura, mas não é censura que existe aqui, porque a censura é essencialmente política - o que existe é apenas uma decisão judicial, de um tribunal, que julgou de acordo com as leis espanholas.
November 14th, 2007 at 14:47
então, vamos supor um caso hipotético - imagine-se que as propostas do governo britanico de proibir discursos incitadores ao ódio religioso tinham ido para a frente.
Imagine-se que algum bloguer inglês estilo “Observatório da Jihiad” era processado por alguma mesquita e condenado em tribunal. Seria “censura”? Afinal, seria uma decisão de um tribunal independente, que julgaria de acordo com as leis britãnicas.
November 14th, 2007 at 14:50
Já agora, quando Zapatero anunciou a nacionalização das aguas minerais (ou coisa assim) e apareceram artigos no Blasfémias a compará-lo a Chavez (e a Morales) não me lembro de ter visto grande indignação por aqui.
November 14th, 2007 at 14:56
Quanto ao primeiro ponto, Miguel, eu falo de censura no sentido de (tirado do dicionario) “condenação; crítica; reprovação social; repreensão; admoestação”. Falo de censura localizada, nao de uma “lei da censura” generalizada. (Ou seja, tenho empatia pelo ponto que levantas).
Relativamente ao segundo ponto, nao me lembro dessa discussao, mas percebo onde queres chegar. Sem mais dados, nao posso comentar mais do que isto, contudo.
November 14th, 2007 at 14:58
“Paulo, acho que estás a ser um bocado limitado, mas os leitores ajuizarão melhor do que eu”
Arrogância insuportável
November 14th, 2007 at 15:34
“Tiago, a conversa já está a ultrapassar o limite do disparate.” Então e porquê, Paulo? Só por curiosidade, sem pinga de provocação.
Porquê ofensa, Rodrigo?
É prenha, não prenhe, Tiago, e onde foste buscar a prova da maior eficácia da técnica?
Desculpem lá, depois de tanta elaboração sobre o assunto talvez alguém me possa elucidar: a ter em algum, como sabem vocês em que oríficio da Letzia o Filipe tem o pirilau enfiado?
November 14th, 2007 at 15:35
Ah, é verdade, estou com o Tiago, é censura, sim.
November 14th, 2007 at 15:39
Ana, obrigado pela correccao (eu desconfiava que era prenha, mas no dicionario encontrei “prenhe”). Quanto aos orificios, e’ simples: dado o contexto procriativo do cartaz, a hipotese em mente do criador so’ pode ser a de “vaginal intercourse”. (Ok, podiam estar a fazer uma “pausa” nas tentativas procriadoras, mas mantenhamos alguma seriedade na analise, o’ Ana, please, please).
November 14th, 2007 at 16:06
Ana,
“Porquê ofensa, Rodrigo?”
A representação de um casal em pleno acto sexual, num contexto além disso ridículo, é considerado, para a maioria dos cidadãos espanhóis, ofensivo e violador da reserva da intimidade e da vida privada. Noto que sou e sempre fui contra a decisão judicial de suspensão da revista. Outra coisa é que os visados - caso se sentissem ofendidos e o quisessem - poderiam apresentar queixa por danos. E aí poder-se-ia discutir o contexto da publicação, das pessoas visadas, e do eventual dano concreto resultante da publicação.
November 14th, 2007 at 16:11
Caro RAF,
Repito-me, naturalmente, mas nao acho que o contexto seja “ridiculo”, dada a motivacao do cartoon, que e’ aproveitar a lei de Zapatero sobre incentivos ‘a natalidade, mas ok.
O casal nao esta’ em “pleno” acto sexual, nem sequer se adivinha grande movimento naquilo… em estado pacificio de procriacao, em cumprimento dum dever real.
Claro que existe direito a recorrer aos tribunais, eu acho que discutir o dano concreto e’ interessante em si mesmo, nao so’ mas tb para nao ficarmos sempre pela defesa abstracta de certas liberdades.
Um abraco,
November 14th, 2007 at 16:59
Calculo, com todo o respeito que tenho pela Ana Matos Pires, que não se importasse de modo algum que estivessemos todos aqui - ou Portugal inteiro - a comentar um cartoon em que desempenhasse o papel de Letízia. Dando até lugar a conversas de café entre marialvas lusos sobre se seria mesmo à canzana.
Espanta-me aliás que a Ana veja com bons olhos um cartoon em que o príncipe aparece como dominador e a princesa como dominada. Será que não poderá ser visto como machista, até porque não se vê o acto como prazer da mulher mas como uma obrigação - ou mesmo um trabalho remunerado, quase prostituição?
Censura, qual censura, Ana? Censura é quando um poder político determina, sem mediações, constrangimentos ou contra-poderes, que uma revista ou uma televisão sejam encerrados. Sem mais. Esta é uma decisão judicial, num estado de direito, repito. Passível de ser contraditada porque sujeita a recurso.
De resto, não me parece particularmente interessante a discussão sobre “oríficios”, “canzanas” e outros “por menores” edificantes em que esta discussão terminou.
November 14th, 2007 at 17:09
Paulo,
Pode haver um acto de censura, in latu sensu - condenacao, admoestacao, critica -, sem que haja “Censura” (com capitular) instalada. Acho que ninguem sugere que a decisao judicial se deva a um panorama de Censura organizada, como no Estado Novo, por exemplo.
Nao respondo pela Ana, mas adivinho que se ela virasse princesa e assumisse com gosto as suas obrigacoes procriativas, nao veria grande mal naquela parodia. Claro que e’ um grande “se” - mas sem esse “se”, como ja’ disse, e’ inadequado propor uma “comparacao”, porque os principes tem uma posicao muito particular, que torna aquele cartoon muito menos “invasivo” da privacidade ou injurioso do que seria o caso com tantos outros de nos.
November 14th, 2007 at 19:04
Tiago,
Às vezes a sofisticação da tua linguagem faz-me lembrar a novilingua do Orwell, falada naquele admirável mundo novo onde o sangue não ferve nas veias dos cidadãos pacatos que tudo aceitam contextualizar, num quadro onde o que parece não é, e o que é é recusado. Os principes estão nus, numa posição ridicula, com pneuzinhos à vista, a princesa prostrada, mas para ti nada daquilo é o que visualmente parece. OK. I rest my case. Sou demasiado primário para perceber o que tu vês naquilo, como sendo inofensivo.
November 14th, 2007 at 19:26
Caro Rodrigo,
Nao quero eternizar a questao. A minha forma de pensar e’ “condicional” ‘a ideia que eu suponho que foi a que o autor teve.
Se pensarmos que ele quereria ilustrar o casal real a ter sexo, como faze-lo? Podia, por exemplo, ter adoptado por por apenas uma cama com agitacao la’ dentro e os mesmos baloes. Ao cima da cama punha-se algo que torna-se obvio que a coisa se passava entre Felipe e Letizia.
A caricatura-los explicitamente a ter sexo, creio que seria pior se retratassem um principe e uma princesa super atraentes - sem pneus, pelos, etc. Isso apelaria ‘a libido e, quanto a mim, seria bem mais insultuoso. Assim, e’ mais brincadeira.
But I rest my case too…
Abraco,
November 14th, 2007 at 20:32
Pois,Rodrigo, mas não foram os visados a apresentar queixa, pois não? E como sabe qual é a opinião da maioria dos espanhóis face à representação de um casal em pleno acto sexual?
Diz o Paulo “Calculo, com todo o respeito que tenho pela Ana Matos Pires, que não se importasse de modo algum que estivessemos todos aqui - ou Portugal inteiro - a comentar um cartoon em que desempenhasse o papel de Letízia. Dando até lugar a conversas de café entre marialvas lusos sobre se seria mesmo à canzana.”
Esse é o ponto, Paulo, é que eu não sou a princesa de lado nenhum. Façamos o exercício ao contrário para não surgirem comentários do tipo “ah, pois, contigo era diferente, já não achas bem, não é?”, imaginemos que era o Paulo a desempenhar o papel de Filipe (com a Letízia escolhida por si, claro, e enquanto plebeu). Parecer-me-ia uma completa intromissão na sua vida privada e mais tudo o resto que sobre o assunto se pode, criticamente, pensar. Já se o Paulo fosse o príncipe cá do burgo, pediria autorização a uma amiga minha, mulher inteligente de quem gosto muito, e usaria as suas palavras “os corpos dos reis e da família real são por definição públicos - até certo ponto não lhes pertencem, o que é a maior tragédia da monarquia”. Quanto aos marialvas lusos, bom, fica para outras núpcias, podemos até fazer uma tertúlia sobre o assunto, pense nisso.
E porquê essa leitura do dominador e da dominada com sentido pejorativo? Porque não o comum acordo? E porquê o espanto? Chamar o machismo para aqui não deixa de me fazer sorrir. Assumir-me como feminista não me impede de, querendo, ser objecto sexual, nem me obriga a ter uma posição crítica face ao trabalho sexual. Ah, e a “posição Letízia” pode ser muito agradável, assim o apoio dos joelhos não seja forrado a alcatifa careca, uma desgraça para os joelhos. Relembro, contudo, que no caso do referido cartoon a obrigação se aplicava a ambos, não era?
Dois diferentes tipos de censura, portanto, e obrigada pela resposta à minha pergunta, suspeitei que fosse isso.
E tu, Tiago, adivinhas bem, se virasse princesa não veria grande mal num boneco que brincasse com as minhas obrigações procriadoras, e não procriativas. A propósito, quero pedir-te muita desculpa, tinhas razão, é prenhe e não prenha, fui induzida em erro pelo habitual uso médico do termo.
Cumprimentos para todos,
ana
November 14th, 2007 at 20:46
Bjos, Ana.
November 16th, 2007 at 14:43
[…] do que a my very dear Fernanda escreve hoje no DN. Isto não é um take two sobre procriação e deveres conjugais - mas quase. A Fernanda acha mal que um médico só possa fazer uma vasectomia ou laqueação das […]
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