Saturday, November 17th, 2007...20:27
Disparates
Daniel Oliveira, neste post, aponta, e bem, uma grosseira contradição de Miguel Sousa Tavares. Pedro Correia, lincando esse mesmo post, diz que “é um disparate comparar o caso dos cartunes dinamarqueses (…) com o da revista espanhola agora condenada em primeira instância” e indigna-se que pessoas (como o visado) “confudam essas coisas”. Mas alguém confundiu alguma coisa? Não se resumiu o exercício de Daniel Oliveira à afirmação de que, não obstante as muitas diferenças entre os casos, o “mau gosto” não deveria, em qualquer dos casos, ser um critério de limitação da liberdade de expressão? Haja paciência para tanta reacção pavloviana relativamente a alguma esquerda.
Quanto a Miguel Sousa Tavares, mais grave ainda do que a constatação de uma contradição é a ideia de que a liberdade de expressão deve ser limitada com base em juízos que são essencialmente estéticos: o “bom gosto”, a “sensibilidade”. Eis uma afirmação em que muitos não hesitariam em ver uma pulsão totalitária. Quantas obras (por exemplo, ”Saló”) nunca teriam sido publicadas ou exibidas com base no critério de MST?

2 Comments
November 18th, 2007 at 14:55
[…] Parece que esta semana há absolutos. […]
November 18th, 2007 at 16:36
Ainda anteontem revi (pela terceira vez) o filme “Querelle”, de R.W. Fassbinder, que também é de um tremendo mau gosto.
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