Sunday, November 18th, 2007...22:41
Estado sem vergonha (II)
Em declarações à imprensa de hoje, o ministro da Administração Interna identifica um culpado pelas mortes na estrada: o condutor. Porque bebe, porque se descuida, porque faz manobras perigosas, porque tem “comportamentos agressivos” e porque excede a velocidade permitida por lei. É aqui que chegamos ao ponto capital e ao verdadeiro culpado que Rui Pereira não identifica, a lei - ou a falta de respeito pela lei, porque quem a deveria aplicar não se dá ao respeito.
O ministro deveria ter a honestidade intelectual e humana de se reconhecer - e ao Estado que supostamente representa - como o primeiro responsável pelos números absurdos de mortes na estrada em pleno ano de 2007. Se o condutor não respeita a lei, onde está quem a representa para a fazer respeitar? Isto para além de não identificar algumas das principais razões para a vergonha nacional: a péssima sinalização inexistente, o mau estado de muitas das estradas e, uma vez mais, a invisibilidade dos agentes da lei nas estradas portuguesas, mais interessado que parece o Estado em esconder radares para obter a multa que ajuda ao equílibrio das finanças públicas.

5 Comments
November 19th, 2007 at 9:24
O post mais burro que vi neste blogue nas últimas semanas.
November 19th, 2007 at 10:03
O meu caro LL tem toda a razão. Culpar o Governo pelos actos individuais das pessoas é…cof cof…tão marxista…
November 19th, 2007 at 14:48
Burro é quem treslê. Não estou a culpar sequer o Governo. O que estou a acusar é o ministro de insensibilidade em relação às vítimas e de irresponsabilidade. Se o condutor é culpado, para que serve a lei e o Estado, se não para o impedir de guiar com os copos ou em transgressão? O que escrevo, para quem tenha compreensão lenta, é que, sendo verdade que o condutor tem culpas, o Estado também não pode deixar de assumir as suas próprias responsabilidades.
November 19th, 2007 at 15:05
Aquilo que o PPM escreveu foi: “O ministro deveria […] reconhecer [que ele é] o primeiro responsável pelos números absurdos de mortes na estrada”
Ou seja, o ministro e o Estado são mesmo os principais responsáveis, os primeiros responsáveis. A culpa é, essencialmente, deles. Os condutores são apenas, sei lá, cúmplices do crime ministerial e estatal.
November 19th, 2007 at 18:11
Luís Lavoura, institucionalmente são os primeiros responsáveis o ministro e o Estado. Não se pode pedir contas a quem morreu, acho eu. É de uma insensibilidade atroz e de uma falta de sentido de Estado inadmissível e o ministro nem sequer referiu as responsabilidade próprias, como o mau estado das estradas, a má sinalização, etc.
É claro que quem produz os desastres é o condutor, muitas vezes por sua culpa, claro. Mas não é isso que está em causa: quem tem, em primeira e última análise, de impedir condutores embriagados ou manobras perigosas é a lei, ou os seus agentes, que respondem perante o MAI.
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