Monday, November 19th, 2007...0:23

Prudência e responsabilidade

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O Estado é responsável pela manutenção e sinalização adequada das estradas e pela vigilância - com intuitos disuassores e punitivos - dos automobilistas, de forma a prevenir os acidentes nas estradas. Mas estes são, em última análise - e exceptuando algumas situações em que a indevida sinalização (ex: estreitamento súbito das faixas de rodagem após curva com pouca visibilidade) ou o mau estado das estradas (ex: buracos) representem perigos não acomodáveis pelo condutor prudente -, da responsabilidade do condutor.

Não digo que não seja uma falha grave existir uma curva perigosa mal sinalizada. Contudo, o condutor prudente adequa sempre a velocidade das rodas e a do motor (coisas diferentes) à visibilidade e à perigosidade global que estima para cada curva que se prepara para enfrentar (em particular, mal estariam os motards se não pensassem assim antes de se fazerem a toda e qualquer curva). Legalmente, ele até pode conseguir uma indemnização num dado acidente em que tenha havido algum desleixo da parte do Estado - mas tal não o ilibe necessariamente de toda e qualquer responsabilidade no acidente ocorrido.

Num país em que o civismo ao volante é infelizmente ainda uma miragem, parece-me que os números de mortes nas estradas são, assim “a seco”, uma daquelas coisas que não podemos atirar à cara de um governo em exercício, qualquer que seja a sua composição. Fazer acusações de forma geral e abstracta é análogo (cá está a dita, explico-a já a seguir) ao que Vital Moreira fez, no sentido (ou pela semelhança) de se imputar ao Governo algo que resulta, em grande parte, de factores que estão fora do seu controlo.

Isto não é dizer que não devemos exigir (expressão odiosa a menos de 100 metros) “mais e melhor” ao Estado, quer apenas dizer que não podemos esquecer o essencial: a responsabilidade individual de quem conduz.

5 Comments

  • […] os atlânticos Prudência […]

  • “Num país em que o civismo ao volante é infelizmente ainda uma miragem”

    Curiosamente, assim que o mesmíssimo condutor passa a fronteira, recebe, como que por milagre, notáveis doses de civismo.
    É um fenómeno quântico. Num momento não havia civismo…no outro há imenso civismo.
    Assim…sem causa aparente.

    P.S. Espero que desta vez o Tiago não considere “mal educado” o meu comentário.

  • Educadíssimo, caro José Carmo, e acho que sabe bem onde exactamente passou os limites num outro seu comentário (de resto, onde não tinha sido mal educado para comigo mas para com outra pessoa).

    Concordo consigo. Há uma mudança grande quando deixamos de estar no “contexto” português, que acontece ao volante, ao nível das relações de trabalho, e em muitas outras coisas. Isso não tem, naturalmente, apenas nem sequer fundamentalmente que ver com o nível de vigilância policial mas com o tal “contexto”, a “cultura” portuguesa em Portugal.

  • “Isso não tem, naturalmente, apenas nem sequer fundamentalmente que ver com o nível de vigilância policial mas com o tal “contexto”, a “cultura” portuguesa em Portugal”

    Costuma dizer-se que os “contextos” têm as costas largas e desconfio um bocado da atribuição de culpas a construções mentais como a “cultura” e o “contexto”.
    Isto de classificar as pessoas segundo rótulos definidos de forma vaga e à vontade do freguês, deixa-me sempre de pé atrás.

    Prefiro a explicação mais prosaica ( a tesoura de Okham serve para isso): o senhor Silva adquire doses cavalares de civismo assim que chega a Badajoz, não pela “cultura” ou pelo “contexto”, mas porque tem mais medo da Guardia Civil do que da Brigada de Trânsito.

    Estarei a ser simplista?

  • Julgo que sim, caro Jose’ Carmo. Tomara que a questao se resolvesse tao facilmente com maior policiamento… que ajuda, claro.

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