Sunday, November 25th, 2007...18:05

Os mitos do dólar baixo, como se isso só por si resolvesse algum problema

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A descida do dólar tem sido apresentada como um sinal do princípio do fim da liderança dos Estados Unidos na economia mundial. Eu, que sou novo, já vi o dólar alto e baixo, oscilando a moeda em função daquilo que é a política monetária americana, e dos seus interesses conjunturais, ocorrer por diversas vezes. Os EUA crescem a uma taxa constante há décadas, e demonstram uma enorme capacidade para ultrapassar as diversas dificuldades e crises - algumas bem profundas - que periodicamente enfrentam. Mais do que olharmos sempre para os EUA - que sabem muito bem orientar o seu crescimento, e mesmo que estes se desgracem - seria bom atender ao que se passa dentro da nossa casa.

O Euro forte favorece as importações e as exportações de grande valor acrescentado, que se impõem nos mercados mundiais. As economias como a portuguesa, ficam, porém numa situação mista: se nas importações, a desvalorização do dolar cria uma conjuntura favorável, para i) certos sectores dependentes da exportação e para ii) a captação do investimento estrangeiro, um euro alto é fonte adicional de dificuldades. A médio prazo, um novo nivelamento entre dolar e euro - que tende a ocorrer - trará complicações acrescidas às existentes (pouca flexibilidade laboral, envelhecimento da população, formação baixa, insegurança jurídica e fiscal, burocracia excessiva), pois onerarão as compras no exterior, num quadro em que boa parte do tecido produtivo estará entretanto enfraquecido. Tomando em linha de conta o desenho do contexto europeu, uma economia como a nossa deveria apostar radicalmente nos sectores exportadores e na produção de bens e serviços de elevado valor acrescentado. Para isso, seriam factores críticos de sucesso a libertação do sector do ensino e educação e a aposta numa verdadeira politica de regiões e cidades autónomas, com prioridades definidas de forma descentralizada, em detrimento de uma visão “nacional” e burocrática, estatizada, que não consegue perceber o país para lá de Lisboa e dos clichés do “turismo do Algarve” e das ”apostas nas novas tecnologias”.

Podem dizer que o meu post está cheio de chavões gastos. Talvez. Mas a prova que adoramos fazer tudo ao contrário é-nos dada pela forma como se faz a gestão aeroportuária do aeroporto do Porto. A TAP conseguiu arrasar com o serviço aéreo Porto-Lisboa, fazendo com que seja a Lufthansa e as low costs as empresas que melhor servem a população do Norte e os seus interesses económicos. A ANA, por seu lado, em vez de dinamizar o aeroporto ao serviço da região, funciona como entrave ao seu bom funcionamento. Como se compreende que seja a Ryanair a abordar as autoridades nacionais, e não o contrário

1 Comment

  • O Euro forte favorece as exportações de grande valor acrescentado? Em que medida? Não percebo como. Pode ser mais explícito?

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