Friday, November 30th, 2007...18:15

Dizer basta

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O André Azevedo Alves, apesar de previsível e monótomo, tem um lado útil. Quando reage a algo que escrevemos, confirma que, apesar de partilharmos um espaço com um reaccionário, ainda estamos minimamente saudáveis. No caso, com alguém que, na blogosfera, dispensa apresentações. Alguém que se assume como “ultra-conservador, neo-liberal de extrema-direita” (não me apetece procurar links), que vive obcecado com o patrulhamento do que ele apelida de extrema-esquerda, mas que provavelmente não considera isso patrulhamento, mas sim acções “valorosas” ao serviço da causa de Escribá (escrevi bem?).

Alguém que já vimos defender o PNR e o Mário Machado sem qualquer pudor, sempre contra a extrema-esquerda e os politicamente correctos e, claro, sempre de forma “impecável”, “educada”, sem faltar ao respeito a ninguém. O André Azevedo Alves dá “parabéns” a tudo o que mexe na blogosfera, faz links elogiosos a uns blogues de esquerda de vez em quando - o que importam essas apologias de racistas e fascistas? Viva a liberdade de expressão e o resto é conversa. Interessa lá saber se um tipo é “bem formado”, importa é que seja “educado” e que nunca lhe salte a tampa nos comentários que faz.

A homofobia, como tantas outras fobias (pense-se nos perigos que encerravam um convívio com as “bestas” que eram os negros há alguns séculos atrás), floresce na ignorância, mas há mais razões para que uma pessoa, nos dias que correm, continue a deturpar o “orgulho gay” como sendo um orgulho em ser-se gay e não em assumir-se isso numa sociedade que é pouco tolerante para com os gays. Pode-se ser estúpido, desonesto intelectualmente, ou viver-se uma crise de negação. Isto é tão batido que não vale a pena falar muito mais no assunto.

Não me interessa minimamente saber quais das opções se aplicarão ao caso. Também me importam zero os comentários de “falta de chá” que possam enviar por email. Há condições mínimas para a convivência, num mesmo espaço, com reaccionários do calibre do André Azevedo Alves (e não digo isto como “insulto”, como “arremesso”, mas como mera “constatação”, percebam isso antes de mandar emails). Aceites que estão - obviamente - a sua presença (aliás, prévia à minha) e a sua liberdade de expressão total neste blogue, de vez em quando é necessário lembrar que não só não se partilha o que quer que seja daquele furor patrulhador contra tudo o que possa pôr em causa a tradição milenar da santa madre igreja e contra quem defende tolerância para com a diferença, como se acham certas atitudes simplesmemente asquerosas. Leram bem: asquerosas. Nojentas, execráveis, mesmo de puxar o vómito.

E só para terminar: dão-se alvíssaras a quem encontrar, naquilo que o André Azevedo Alves escreve há anos sobre o que quer que tenha uma dimensão social e humana, uma molécula que seja de amor, de compreensão ou de compaixão de inspiração cristã. Há ali uma incoerência que não percebo, ou então o espírito guerreiro tolda tudo o resto. Talvez seja isso. Já imagino emails “amigos” a dizer:

“Pá, claro que tu tens razão, mas isso não se diz em público!… O gajo é ‘grande’ na blogosfera, é um tipo educado, que nunca perdeu a cabeça… Praticamente só faz links, nem sequer escreve muito… E, além de ser um protegé do prof. José Manuel Moreira, pode ser importante para a causa da direita em Portugal, lembra-te disso… Acabas por te queimar, Tiago. Pensa duas vezes, pá…”

E, repito, ele é “educadíssimo”. Pode ser racista, homofóbico, intolerante, reaccionário, mas é “educado”. E claro que apontar coisas destas é fazer “ataques pessoais”… Que toda a gente faz na bloga, mas muito mais “discretamente”, mais “polidamente”… Escrever assim parece obsessão…

Pois é. Se me indicarem uma escola filosófica (a Bobone não vale, tenham lá paciência) onde a educação se sobreponha liminarmente a tudo o resto (incuindo os “restos” que ao visado dizem nada) e uma tradição liberal que simpatize com tão guerreira e visceral intolerância, vergo-me perante vós.

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